Euro 2004 contribuiu para atenuar aumento do desemprego e queda do PIB

O Euro 2004, preparado em clima de recessão económica, contribuiu para atenuar o aumento do desemprego e para o produto não cair mais, diz Vítor Martins, professor do ISEG, responsável pelo estudo Avaliação do Impacto Económico do Euro 2004.
Maria João Soares 04 de Junho de 2004 às 12:53

O Euro 2004, preparado em clima de recessão económica, contribuiu para atenuar o aumento do desemprego e para o produto não cair mais, diz Vítor Martins, professor do ISEG, responsável pelo estudo Avaliação do Impacto Económico do Euro 2004.

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Vítor Martins diz que ainda não é possível avaliar o contributo exacto que a realização do Euro 2004 em Portugal vai ter sobre o produto interno bruto, mas acrescenta não haver dúvidas de que sem a realização deste evento desportivo, o desemprego teria sido superior e o produto teria descido mais.

«Temos que levar em conta o facto dos investimentos para o Euro 2004 terem sido realizados em clima de recessão económica. Sem o Euro 2004 a situação teria piorado mais», disse a mesma fonte, na apresentação do estudo, esta manhã no ISEG.

A economia nacional recuou 1,3% no ano passado e em Maio deste ano existiam 452.141 desempregados em Portugal, mais 8% que no mesmo mês de 2003

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Para o Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão o investimento realizado por causa do Euro 2004 foi «correcto, realizado em devido tempo e com qualidade».

Vítor Martins chamou ainda a atenção para o facto de não ter havido aumento do encaixe para a Administração Central. «Os custos a mais foram suportados pelos promotores (autarquias e Clubes)», disse.

O investimento total real, em estádios e estacionamentos, atingiu os 650,53 milhões de euros, contra 595,05 milhões de euros de investimento total estimado, ou seja, o investimento real excedeu em 55 milhões de euros o valor previsto.

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O valor suportado pela Administração Central, na construção de estádios e estacionamentos, representou cerca de 16% do valor total do investimento real, 105,12 milhões de euros. O restante foi suportado pelas Autarquias, 241,3 milhões de euros, e pelos clubes, 304,07 milhões de euros.

«O investimento Real indica o custo efectivo da obra e pode apresentar valores diferentes dos valores estimados, por várias razões: actualização de preços, obras suplementares não previstas ou alterações ao projecto. Pode não se tratar de derrapagem de custos na acepção habitual deste conceito», refere o estudo Impacto Económico do Euro 2004.

Para Vítor Martins, o Euro contribuiu para reformular a infra-estrutura desportiva e tem vantagens de longo prazo e não apenas económicas e de curto prazo.

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«Os países batem-se por eventos deste tipo porque estes permitem mais conhecimento e divulgação do país o que representa benefícios a longo prazo», acrescentou a mesma fonte.

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