Euro acima de 1,20 dólares penaliza recuperação económica da Zona Euro

A Comissão Europeia considera que o euro a cotar acima de 1,20 dólares penaliza a recuperação económica prevista para a Zona Euro, pois fraqueza da moeda americana dificulta o papel das exportações, como principal motor da retoma económica.
Nuno Carregueiro 15 de Dezembro de 2003 às 11:42

A Comissão Europeia considera que o euro a cotar acima de 1,20 dólares penaliza a recuperação económica prevista para a Zona Euro, pois fraqueza da moeda americana dificulta o papel das exportações, como principal motor da retoma económica.

No relatório trimestral, a Comissão Europeia diz que «apesar de, no passado, as recuperações económicas da Zona Euro, numa fase inicial, terem sido lideradas pelas exportações, a recente fraqueza do dólar, com o euro a cotar acima dos 1,20 dólares, ameaça a concretização deste cenário».

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O euro acumula uma valorização de cerca de 20% face à divisa norte-americana, tendo, na sexta-feira, fixado um máximo histórico acima dos 1,23 dólares.

A valorização rápida do euro penaliza as empresas exportadoras da Europa, pois os preços dos seus produtos ficam menos competitivos.

Este ano o produto interno bruto da Zona Euro deverá crescer cerca de 0,4%, com a economia a conseguir recuperar na segunda metade do ano – depois da contracção do primeiro semestre – sobretudo devido à procura dos mercados externos, como os Estados Unidos e a Ásia.

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Os Estados Unidos, que no terceiro trimestre cresceram à taxa anual de 8,2%, absorvem cerca de 20% das exportações das empresas da Zona Euro.

«A recuperação económica da Zona Euro, até agora, foi liderada pelas exportações e a procura externa vai continuar a crescer com uma retoma sincronizada nas grandes economias mundiais», refere a Comissão.

No entanto, Bruxelas alerta que a valorização do euro poderá atrasar a recuperação da economia da moeda única, que segundo as previsões da OCDE, deverá apresentar um crescimento de 1,8% em 2004 e 2,5% em 2005.

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No entanto, a Comissão Europeia não destaca só os efeitos negativos da apreciação do euro, pois apesar de «ter um efeito negativo na competitividade dos preços, também suporta a procura interna, devido à melhoria dos termos de troca e inflação mais baixa».

A subida do euro penaliza as exportações, mas deixa os preços dos produtos importados mais baixos, o que beneficia a procura interna e provoca uma queda nos preços.

Bruxelas diz que este efeito – reflexo nos preços dos bens importados – nos consumidores ainda «não se materializou», pelo que mais pressões na inflação são aguardadas.

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Apesar dos receios com a apreciação do euro, o comissário europeu Pedro Solbes afirma no mesmo relatório que «a recuperação está em marcha na Zona Euro».

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