Geithner chega à Europa para pressionar rápida saída para a crise

O secretário de Estado do Tesouro dos EUA chegou esta manhã à Alemanha. Até à cimeira europeia de sexta-feira, Geithner estará ainda em França e em Itália para se encontrar com os protagonistas da crise da dívida. Washington insiste que soluções são urgentes. Sem elas, o mundo mergulhará numa nova Grande Crise.
Eva Gaspar 06 de Dezembro de 2011 às 10:41

Citado pela Reuters, Domenico Lombardi, antigo membro da administração do FMI, diz acreditar que Geithner traz uma única, mas veemente, mensagem: “O tempo está a escassear e estamos perante a última hipótese de os europeus resolverem a situação antes de termos uma crise sistémica à escala global”.

Na contagem decrescente para mais uma cimeira europeia rodeada de enorme expectativa, e depois de a S&P ter ameaçado descer o rating de 15 dos 17 países do euro, o secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos chegou hoje à Alemanha, onde se encontrará com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, com o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, e com o seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble.

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Amanhã, Geithner segue para Paris, onde será recebido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pelo ministro de Finanças, François Baroin.

Depois segue para Marselha para reunir-se com o vencedor das recentes eleições em Espanha e próximo presidente do Governo, Mariano Rajoy, que participa – tal como Pedro Passos Coelho E Angela Merkel – na cimeira extraordinária do Partido Popular Europeu.

Por fim, na quinta-feira, Geithner vai a Milão para um encontro com o presidente do Conselho de ministros italiano e ministro da Economia e Finanças, Mario Monti.

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Os Estados Unidos (e não só) têm mostrado dificuldade em compreender as limitações do BCE que, ao contrário da Reserva federal norte-americana, está expressamente proibida de comprar dívida directamente aos Governos do euro.

Uma outra via para ceder, de facto, liquidez aos Estados que se vejam forçados a sair do mercado pode passar por emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que este empreste, por sua vez, aos Estados em dificuldades. Os EUA são o principal contribuinte do FMI e a Reserva Federal poderá juntar-se aos bancos centrais dos 17 países do euro para canalizar verbas para um fundo destinado a proteger a moeda europeia

O reforço dos meios do FMI, juntamente com a alavancagem do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), deverão permitir à Europa anunciar que dispõe de pelo menos um bilião de euros para proteger a sua moeda, atingindo o valor prometido na cimeira de 26 de Outubro. A expectativa europeia é que uma "bazuka" carregada com este volume de munições se revele, por fim, suficientemente para acalmar os receios dos investidores nervosos e neutralizar os especuladores, garantindo que o euro veio para ficar.

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