Greenspan preocupado com défices elevados nos Estados Unidos
Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal (Fed), mostrou-se hoje preocupado com o elevado défice de conta corrente dos Estados Unidos e diz que o país não pode ser complacente com este facto.
Durante uma conferência, em Frankfurt, o presidente da Fed afirmou que «dada a dimensão do défice de conta corrente [dos EUA], uma diminuição no apetite por activos em dólares deve ocorrer a qualquer altura».
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Greenspan acrescentou que «os investidores internacionais vão eventualmente ajustar os activos em dólares nas suas carteiras, ou em alternativa, exigir um maior retorno desses activos para compensar a concentração de risco, elevando assim o custo do financiamento do défice de conta corrente dos Estados Unidos».
O défice de conta corrente dos Estados Unidos, que mede o comércio e os fluxos de investimento do país com o exterior, atingiu um recorde de 166,2 mil milhões de dólares no segundo trimestre. Este défice, que a par do orçamental resulta nos denominados défices gémeos, é apontado como um dos principais desequilíbrios da economia norte-americana, que necessita assim de se financiar no exterior para manter estável o valor da sua moeda.
Uma das medidas para combater a subida do défice de conta corrente, segundo Alan Greenspan, será aumentar a poupança dos norte-americanos. «Reduzir o défice orçamental (preferencialmente transforma-lo num excedente) parece ser a medida mais efectiva para aumentar a poupança interna», afirmou.
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Contudo, Greenspan reiterou a sua perspectiva de que os mercados financeiros vão absorver este desajustamento económico sem custos para a economia americana.
O presidente da Fed disse ainda que é difícil prever o impacto deste desequilíbrio na balança de conta corrente dos EUA, na taxa de câmbio do euro face ao dólar.
Greenspan está a participar, tal como o secretário de Estado do Tesouro John Snow, na reunião do G-20, onde a valorização do euro face ao dólar será a questão central a ser debatida.
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A perspectiva de que os bancos centrais não vão tomar medidas para impedir o avanço do euro, levaram a moeda única a fixar ontem um máximo histórico nos 1,3075 dólares.
Depois de conhecidos os comentários de Greenspan o euro voltou a aproximar-se deste valor, mas recuou para cotar agora nos 1,3031 dólares, mais 0,55% que no fecho de ontem.
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