Lagarde: "Temos de agradecer" a quem tem criticado a Europa
No final de uma semana marcada por declarações fortes no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, agradeceu a quem tem aproveitado para criticar a região nos últimos dias.
“As críticas que temos ouvido [em relação à Europa] têm sido boas e temos de agradecer àqueles que o têm feito, porque acho que nos tem dado a completa perspetiva de que temos de ser mais, que temos de trabalhar em ‘planos B’ e focar-nos mais na inovação e aumento da produtividade” na região, disse Lagarde.
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As afirmações da líder do BCE foram feitas num painel em Davos que juntou também Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Ngozi Okonji-Iweala, diretora da Organização Mundial do Comércio (OMC), Albert Bourla, presidente executivo da Pfizer, e Mohammed Al-Jadaan, ministro das Finanças da Arábia Saudita.
Noutro ponto, questionada sobre os grandes desafios que as economias atravessam neste momento, a presidente do BCE disse que devemos “prestar atenção à distribuição de riqueza e à disparidade, que se está a tornar cada vez maior”.
Nesta linha, Kristalina Georgieva, do FMI, lembrou que “devemos olhar não apenas para as disparidades sociais, mas também entre países”, visto que, como destacou Ngozi Okonji-Iweala, da OMC, “o resto do mundo [economias emergentes] são os mercados do futuro”. “África, por exemplo, vai ter 2,5 mil milhões de pessoas e 800 milhões vão ser de classe média até 2050, uma população que vai representar 25% da força laboral mundial”, concluiu.
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Entre os vários temas discutidos no painel, a diretora da OMC destacou que “o comércio global está a sofrer a maior disrupção dos últimos 80 anos”. Aludindo às tarifas aplicadas pela Administração Trump, sublinhou que será preciso muito mais para destruir o sistema do comércio internacional.
“72% do comércio global ainda segue os termos e regras da OMC”, acrescentou Okonji-Iweala, lembrando, ainda assim, que “certamente há problemas e há coisas que precisam de ser alteradas e corrigidas neste sistema”. “Mas não precisamos de reagir a todo o ruído. Se reagirmos de imediato poderemos acabar por reagir mal”, referiu a antiga governante da Nigéria.
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Ligando o tema das cadeias de comércio globais ao da inteligência artificial (IA), a líder da OMC sublinhou que “devemos olhar para a cooperação global neste assunto”. “De uma perspetiva comercial, a IA vai ajudar a reduzir os custos do comércio, da logística e vai aumentar a produtividade”, enfatizando que “a IA terá a capacidade de aumentar as trocas comerciais globais em 40% até 2040, mas só se a adoção for igual entre as várias partes”.
Ainda sobre a IA, a líder do FMI revelou que a instituição prevê "que nos próximos anos, em economias avançadas, 60% dos trabalhos sejam afetados pela IA", quer positiva ou negativamente, e cerca de 40% ao nível global. "É um tsunami a atingir o mercado laboral", sublinhou.
Kristalina Georgieva recordou ainda que "em economias avançadas, ao nível micro, um em cada dez empregos" já estão a ganhar devido ao uso da IA e que quem conta com um destes empregos está já a receber mais. E "quando estas pessoas recebem melhores salários, gastam mais dinheiro nas economias locais, por exemplo em restaurantes e, por isso, a procura por empregos que requerem uma qualificação mais baixa também aumenta", citando o efeito positivo que estas tecnologias podem ter no potencial aumento do número de pessoas empregadas.
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Notícia atualizada pelas 13:52h com declarações adicionais de Kristalina Georgiva, diretora do FMI, sobre o impacto da IA no mercado laboral.
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