Papa elenca oito passos para a luta contra abusos sexuais a menores na igreja

O papa Francisco diz que é preciso defender as crianças e "mudar a mentalidade para combater a atitude defensiva" de salvaguardar a igreja.
Papa Francisco
Reuters
Lusa 24 de Fevereiro de 2019 às 12:36

O papa Francisco apresentou este domingo no Vaticano oito passos para a luta contra os abusos a menores na Igreja católica no final da cimeira com responsáveis de episcopados e institutos religiosos que debateram o tema.

Francisco, que falava no discurso final do evento, após a missa celebrada na sala régia do palácio apostólico, disse ter chegado a hora de "dar diretrizes uniformes para a igreja", embora não tenha citado medidas concretas ou mudanças na legislação do Vaticano, enumerando apenas vários pontos para a luta contra os abusos a menores.

PUB

"Nenhum abuso deve jamais ser encoberto [como era habitual no passado] e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo", começou por referir perante os 190 representantes da hierarquia religiosa e 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais de todo o mundo que estiveram reunidos desde quinta-feira no Vaticano.

De acordo com o papa Francisco, o primeiro ponto prende-se com a necessidade de "defender as crianças" e para isso instou "a mudar a mentalidade para combater a atitude defensiva" de salvaguardar a igreja.

Reiterou a obrigação de "total seriedade" na igreja na hora de abordar os casos e, assegurou que não se cansará de fazer tudo o necessário para levar perante a justiça qualquer um que tenha cometido tais crimes"."A igreja nunca tentará encobrir ou subestimar nenhum caso", assegurou.

PUB

Outro ponto lembrado por Francisco é a exigência de uma verdadeira "purificação" dos homens da igreja para "transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo e jamais cair na armadilha de acusar os outros, que é um passo em direção à desculpa daquilo que nos separa da realidade".

O papa também indicou a necessidade de maior cuidado na "seleção e formação de candidatos ao sacerdócio" e que as Conferencias Episcopais tenham "parâmetros com o valor de normas e não apenas orientação", além de "desenvolver uma nova e efetiva abordagem à prevenção em todas as instituições e ambientes de atividade eclesial".

Francisco insistiu em proteger os menores dos perigos da internet e propôs que nas normas legais aprovadas em 2010 –onde a aquisição, retenção ou divulgação de material pornográfico foram adicionadas como novos casos de crimes - a faixa etária fosse alterada para 14 anos.

PUB

O papa demonstrou igualmente a sua preocupação pelo turismo sexual e afirmou a necessidade "da ação repressiva judicial".

Francisco finalizou o seu discurso com um "sentido chamamento na luta contra o abuso de menores em todos os âmbitos", porque "se tratam de crimes abomináveis que há que erradicar da face da terra".

 

PUB
Saber mais sobre...
Saber mais Papa Francisco Vaticano Igreja abusos sexuais
Pub
Pub
Pub