Portugueses trabalham 136 dias para pagar impostos
A partir de hoje, os portugueses deixam de trabalhar para pagarem as suas obrigações fiscais e todo o rendimento que encaixarem será para financiar as suas opções individuais de consumo. O chamado "dia livre de impostos" que a Associação Industrial Portuguesa tem vindo a divulgar nos últimos anos ocorre hoje em Portugal, duas semanas antes do assinalado na Zona Euro, onde, em média, os cidadãos têm de trabalhar até ao fim do mês para o mesmo efeito.
Estas são as conclusões dos cálculos efectuados pela Universidade Nova de Lisboa para a Associação Industrial Portuguesa (AIP) e patrocinado pelo ActivoBank7 que hoje serão apresentados em conferência de imprensa, com o objectivo de chamar a atenção dos portugueses para o peso do Estado na economia.
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Milton Friedman, inspirador do "dia da independência"
Apesar de em Portugal esta tradição ser recente, lá por fora, há vários anos que o "dia livre de impostos" é assinalado, como uma medida simplificada que traduz a carga fiscal.
A paternidade da ideia é atribuída a Milton Friedman, apontado como o precursor das teorias monetaristas e do liberalismo económico quando, na década de 70, propôs que os EUA tivessem um feriado nacional - " o dia da independência pessoal" - que assinalasse precisamente o momento em que os norte-americanos deixariam de contribuir para o bolo colectivo e passassem a poder financiar as suas escolhas e desejos individuais.
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Desde então, esta ideia tem sido replicada um pouco por todo o mundo, com metodologias diferentes e de difícil comparabilidade entre si, tendo-se generalizado também ao custo da administração pública, que pretende assinalar o dia em que os cidadãos se libertam do "peso" do Estado.
Portugal com carga fiscal inferior à da União Europeia
Olhando para o indicador tradicional que mede a carga fiscal (medida pelo rácio entre o total dos encargos fiscais e parafiscais de um país e a riqueza produzida no mesmo ano), verifica-se que Portugal continua na cauda da Europa e mesmo abaixo dos valores registados no conjunto dos 30 países da OCDE. Segundo os últimos dados comparados disponíveis, referentes ao ano de 2005, Portugal apresentava uma carga fiscal na casa dos 35%, quando na média dos 15 companheiros da Zona Euro ronda os 40% e na OCDE os 36%.
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Os números que serão hoje divulgados pela AIP/Universidade Nova/ActivoBank7 reflectem esta realidade: enquanto que os portugueses trabalham 136 dias para pagar os seus impostos, na média da Zona Euro, o esforço é maior: cerca de 151 dias.
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