Presidente do Supremo considera "extremamente nocivo" partidarizar nomeação de juízes do TC

"Os juízes de carreira não têm filiação partidária", disse João Cura Mariano.
João Cura Mariano, presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Pedro Catarino
Lusa 14:46

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) classificou esta segunda-feira de "extremamente nocivo" partidarizar a escolha dos juízes a nomear pela Assembleia da República para o Tribunal Constitucional (TC), principalmente quando se trata de juízes de carreira.

"Os juízes de carreira não têm filiação partidária. Esta vinculação ou uma indicação partidária, é extremamente inibidora para os juízes, ninguém gosta de ser [apontado como] 'eu sou o juiz do Chega, ou o juiz do PS, os juízes não são de nenhum partido", vincou João Cura Mariano.

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Em declarações aos jornalistas em Coimbra, à margem da cerimónia de assinatura de protocolos para um novo modelo de gestão financeira das comarcas judiciais, o juiz conselheiro - que disse falar na qualidade de presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

João Cura Mariano lembrou que seis dos 13 magistrados do TC têm de ser juízes de outros tribunais e defendeu que a maneira como é tratada a indicação de juízes para o Constitucional por parte do parlamento "devia ser completamente diferente".

Embora equacionando a hipótese do atual método de escolha e nomeação pela Assembleia da República poder mudar -- por exemplo, os juízes passarem a ser nomeados, alguns, pelo Presidente da República e outros pelo Conselho Superior da Magistratura, entidade a que também preside por inerência de funções - João Cura Mariano recusou pronunciar-se, em concreto, sobre aquilo que preconiza.

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"Mas dentro deste [atual] método, acho que os partidos da Assembleia da República deviam ter a responsabilidade de fazer uma indicação sem [esta] ser por partidos. Isto é, os partidos reuniam e encontravam pessoas competentes que todos eles indicavam. Não era o juiz do PS, nem o juiz do PSD, nem o juiz do Chega, não devia ser assim", reafirmou.

Ou seja, seria uma indicação genérica de juízes eleitos pela Assembleia da República e não juízes indicados por cada um dos partidos, resumiu o presidente do STJ, argumentando que a situação atual desvirtua o processo e causa problemas na opinião pública.

"Eu vejo depois as indicações que são feitas e são de pessoas extremamente bons profissionais, que depois não votam no Tribunal Constitucional segundo as indicações partidárias, são livres e independentes. Mas esta discussão pública e indicação pública é extremamente inibidora de pessoas que querem ser juízes do Tribunal Constitucional", enfatizou João Cura Mariano.

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A eleição para os órgãos externos à Assembleia da República, e concretamente a indicação dos nomes de três juízes para o Tribunal Constitucional, mantêm-se num impasse, tendo sido tornadas públicas nos últimos dias discordâncias entre PSD e PS, que já motivaram uma reunião entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do PS, José Luís Carneiro, mas que foi inconclusiva.

Dos três juízes que têm de ser substituídos no TC, dois foram indicados pelo PSD e um pelo PS, estando em aberto a possibilidade de o Chega, agora segundo maior partido parlamentar, entrar neste órgão e de os socialistas ficarem de fora desta eleição.

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