Mais igualdade de género no trabalho daria biliões à economia. Portugal desliza no ranking

Portugal é um dos três países da OCDE que mais cai no ranking de igualdade de género no local de trabalho: a diferença entre os salários dos homens e mulheres aumentou de 8% em 2000 para quase 19% em 2017.
Ana Batalha Oliveira 05 de Março de 2019 às 19:12

A diminuição da diferença salarial entre homens e mulheres, tal como o aumento do número de mulheres empregadas, teriam um impacto conjunto nas economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) de vários biliões de euros, indica o último estudo da PwC. Portugal destaca-se pela negativa entre os 33 países avaliados: é um dos três que mais cai no ranking da consultora, entre 2000 e 2017.

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Caso a diferença de valor entre os salários entregues a homens e mulheres fosse eliminada, as economias da OCDE receberiam uma injeção de 2 biliões de dólares - o equivalente a 1,8 biliões de euros -, estima a PwC. Já se a empregabilidade no feminino aumentasse em todos os territórios para os níveis da Suécia, onde 69% das mulheres trabalham, o impacto no PIB destes países podia chegar aos 6 biliões, diz o mesmo estudo.

Por cá, o caminho parece estar a ser trilhado na direção oposta. Portugal é um dos três países que mais cai dentro do índice de igualdade de género no trabalho elaborado pela consultora, sendo superado apenas na queda pela Áustria e Estados Unidos. Do quinto lugar que detinha em 2000, Portugal passou em 2017 para o 16.º, depois de já ter descido ao 20.º lugar em 2015.

A disparidade salarial entre homens e mulheres é o indicador avaliado que mais se deteriorou. Em 2017 cifrou-se em 18,8%  contra os 8% verificados 17 anos antes. A Suécia, em 2000, partia dos 18% para os recentes 12,8%, abaixo da média de 15% da OCDE.

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A trajetória descedente em Portugal acontece apesar de os salários das mulheres terem aumentado e a representação em lugares de administração ter subido de apenas 2% no início do século para 11% em 2017.

No que toca à participação feminina no mercado de trabalho, Portugal nota uma melhoria ligeira. Os 61% de mulheres que trabalham a tempo inteiro ou em part-time transformaram-se, em 17 anos, em 64%. Caso esta percentagem subisse aos 69%, a fasquia de referência que espelha a realidade sueca, o PIB nacional podia disparar 6%, o equivalente a um impacto de 20 mil milhões na economia. Os homens portugueses viram a mesma percentagem regredir dos 77% para os 70% no mesmo período.

O país que melhor pontua no estudo é a Islândia, seguida da Suécia, Nova Zelândia, Eslovénia e Noruega. Luxemburgo e Polónia foram os países que mais evoluíram positivamente. No passado mês de janeiro, a Islândia foi o primeiro país a declarar ilegal que os homens sejam remunerados acima das mulheres, ameaçando com multas todas as empresas – privadas ou estatais – com mais de 25 empregados que não possuam um certificado que ateste a igualdade salarial.

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Em Portugal, têm também sido aprovadas mudanças neste sentido. No final de fevereiro foi aprovado um diploma que exige às empresas que justifiquem as diferenças salariais entre homens e mulheres que desempenhem funções equivalentes, ameaçando-as de coimas. Ainda no início do mesmo mês, o regulador dos mercados - a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - avançou que as empresas cotadas que não cumpram o limite mínimo de percentagem de mulheres nos seus órgãos de administração e fiscalização poderão ser alvo de uma multa caso mantenham a situação de incumprimento por mais de um ano.

No fundo da tabela ficam Itália, Chile, Grécia, Coreia do Sul e México, apesar de, a nível global, os países da OCDE continuarem a assistir um "progresso gradual". A PwC aponta contudo que "ainda há um longo caminho a percorrer para se atingir a igualdade de género no local de trabalho".

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