Tempestades expuseram “debilidades de planeamento e de falta de prevenção”, critica Santos Pereira

O governador do Banco de Portugal, numa reflexão publicada no X, diz que “não é aceitável" que populações fiquem “semanas sem luz” e “isoladas e inundadas por falta de prevenção”, pedindo que “se retirem as necessárias ilações e ensinamentos de toda esta crise”.
Álvaro Santos Pereira na tomada de posse como governador do Banco de Portugal
Mariline Alves
Pedro Barros Costa 11:19

O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, publicou no sábado, na rede social X, uma reflexão sobre o impacto das tempestades que assolaram o país, ao dizer que “puseram a nu algumas das debilidades de planeamento e de falta de prevenção que grassam no nosso País”.   

Depois de “socorrer as populações mais afetadas, garantindo o abastecimento de alimentos e de víveres, bem como o alojamento e a segurança dos nossos cidadãos”, Santos Pereira exorta a que se “retirem as necessárias ilações e ensinamentos de toda esta crise”.

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O governador do BdP lembra que “estamos a lidar com uma sequência de fenómenos naturais extraordinários, pelo menos para o que estamos habituados até agora”, mas deixa várias críticas: “Não é aceitável que tenhamos populações isoladas e inundadas por falta de prevenção ou até de manutenção de equipamentos de bombagem que poderiam evitar males maiores. Não é aceitável que tenhamos populações que possam ficar semanas sem luz e comunicações. E não é aceitável que não existam planos de crise detalhados e simulacros regulares para as áreas com maior propensão para cheias e inundações, que são recorrentes de tempos a tempos”, atira.

Santos Pereira diz que o país tem de “mudar” e “mudar radicalmente”. “Infelizmente, somos uma sociedade que desvaloriza a prevenção e o planeamento adequado. Temos uma cultura reactiva e não preventiva. E por isso as catástrofes sucedem-se e nós continuamos a correr atrás do prejuízo.”

O responsável acrescenta que, “nas próximas semanas e meses, devíamos aprender as lições com mais esta crise natural e começar a prepararmos-nos para as próximas intempéries, cheias e vendavais, ou outras catástrofes naturais. Nunca nos devemos esquecer que somos um país de considerável risco sísmico, e continuamos a não nos prepararmos adequadamente para esta eventualidade." Santos Pereira alerta ainda que, "com as alterações climáticas, este tipo de tempestades só vão ter tendência a aumentar”.

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“Por isso, é mesmo melhor mudarmos", apela o governador do BdP. "Prevenção e planeamento deviam entrar no nosso léxico comum e no nosso dia-a-dia para evitarmos males futuros e minimizarmos catástrofes vindouras. Precisamos de mudar de atitude para aumentarmos a resiliência do nosso País a este tipo de fenómenos”, conclui.  

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