Zona Euro acentua contração em maio, segundo índice PMI

A maior parte da deterioração voltou a concentrar-se no setor dos serviços.
Zona Euro acentua contração em maio, segundo índice PMI
Miguel Baltazar / Jornal de Negócios
Lusa 14:03

A economia da Zona Euro acentuou em maio a contração pelo segundo mês consecutivo, com o ritmo de declínio mais intenso desde outubro de 2023, num contexto de crescentes pressões inflacionistas devido à guerra no Médio Oriente, foi anunciado.

A estimativa do índice PMI (Purchasing Managers' Index) composto de atividade total da Zona Euro elaborado pela S&P Global situou-se em 47,5 pontos em maio, contra 48,8 pontos em abril e abaixo dos 50 pontos que separam o crescimento da contração, marcando ainda o nível mais baixo em trinta e um meses.

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A maior parte da deterioração voltou a concentrar-se no setor dos serviços, cuja atividade comercial se reduziu ao ritmo mais rápido desde fevereiro de 2021, com o índice a cair para 46,4 pontos, contra 47,6 pontos em abril.

Por sua vez, o setor industrial continuou em terreno positivo, com um índice de produção de 51,0 pontos que estendeu a sequência de crescimento para cinco meses, embora no ritmo mais lento desde janeiro e afetado pela queda dos novos pedidos.

As pressões sobre os custos intensificaram-se de forma significativa: a taxa de inflação dos fatores de produção acelerou pelo sétimo mês consecutivo para o nível mais alto em três anos e meio, enquanto os preços cobrados aumentaram ao ritmo mais rápido em trinta e oito meses.

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A indústria registou ainda graves perturbações nas cadeias de fornecimento, com os prazos de entrega dos fornecedores dilatados em quase quatro anos, o que levou as empresas a acumular 'stoks' de segurança.

No mercado de trabalho, as empresas da Zona Euro encadearam a quinta queda mensal consecutiva do emprego, a mais pronunciada desde novembro de 2020 e, excluindo o período da pandemia, esse corte de pessoal foi o mais intenso desde agosto de 2013.

França e Alemanha situaram-se ambas em território de destruição de emprego, enquanto o resto dos países da Zona Euro manteve uma modesta criação de postos de trabalho.

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A confiança empresarial caiu para o nível mais baixo em trinta e dois meses, com as empresas de serviços a registar a pior leitura desde setembro de 2022.

O economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, Chris Williamson, advertiu que os dados apontam para uma contração do PIB da Zona Euro de 0,2% no segundo trimestre, e alertou que os indicadores de preços antecipam que a inflação poderia aproximar-se de 4% nos próximos meses.

Williamson sublinhou ainda que esta combinação de recessão económica e subida da inflação "cria um dilema cada vez maior para os responsáveis pelas políticas monetárias".

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