Exportações de bens afundam 15% em fevereiro. É o segundo mês seguido de perdas
As exportações portuguesas de bens afundaram 14,9% em fevereiro, em comparação com igual período do ano passado, segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é já o segundo mês em que as vendas de mercadorias ao exterior registam uma queda a pique superior à das importações, o que contribuiu para agravar o défice comercial de bens.
Em fevereiro, Portugal exportou um total de 6.174 milhões de euros em mercadorias, um valor que compara com 7.253 milhões registados em igual período do ano passado. A queda é justificada pelos decréscimos das exportações para a Alemanha (-42,1%), para Espanha (-9,2%) e para os Estados Unidos (-34,4%). No caso da Alemanha e dos Estados Unidos, a redução está associada sobretudo a uma diminuição das vendas de fornecimentos industriais, em particular, de produtos químicos. Já em relação a Espanha, verificou-se uma redução das vendas sobretudo de combustíveis e material de transporte.
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Do lado das importações, verificou-se uma queda homóloga de 6,3% em fevereiro. Portugal comprou um total de 8.720 milhões de euros em mercadorias ao exterior, um valor que compara com 9.310 milhões. À semelhança do que aconteceu em janeiro, a explicar essa diminuição esteve o "acentuado decréscimo" das importações provenientes da Irlanda (-68,7%), que é oitavo maior fornecedor do país. Registou-se também uma diminuição das importações provenientes dos Estados Unidos (-37,8%), "resultante, essencialmente, da redução nas transações de combustíveis e lubrificantes".
Como a queda do lado das exportações foi mais expressiva do que a das importações, o défice da balança comercial de bens agravou-se para 2.546 milhões de euros. Esse valor corresponde a mais 489 milhões em comparação com fevereiro do ano anterior.
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As transações sem transferência de propriedade (ou seja, com vista ou na sequência de trabalhos por encomenda, com vista ao processamento ou transformação de bens pertencentes a outros países) tiveram um efeito positivo tanto do lado das exportações como das importações. Sem contar com este tipo de transações, "o decréscimo foi menos acentuado em ambos os fluxos" em fevereiro: a taxa de variação das exportações foi de -6,5% e a das importações foi de -4,2%.
Sem contar com as transações sem transferência de propriedade, o défice comercial aumentou significativamente menos do que considerando todas as trocas comerciais. Subiu 38 milhões de euros, totalizando 2.610 milhões de euros.
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No que toca ao preços das mercadorias transacionadas, o INE revela que, em fevereiro, voltaram a registar-se "variações negativas" nos índices de valor unitário. Ou seja, para a queda das exportações e das importações, terá contribuído também a desinflação nos preços das mercadorias, já que o fator preço tem reflexo nos valores totais exportado e importado. Isso acontece porque esses valores são apresentados em termos nominais (que não excluem o efeito dos preços). Em fevereiro, o índice de valor das mercadorias exportadas passou de -3% para -2,3%. Já o índice relativo às importações passou de -4,1% para -3,2%.
(notícia atualizada às 11:50)
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