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CIP/ISEG: Impacto das tempestades fica no 1.º trimestre, mas guerra no Irão define o resto do ano

Após as tempestades, as vendas de cimento dispararam, num presságio de que o investimento poderá compensar estragos do arranque de 2026. Mas conflito aberto no estreito de Ormuz reduz a confiança para o resto do ano

Barómetro CIP/ISEG acredita que apoios e indemnizações de seguradoras permitirão compensar estragos das tempestades pelo resto do ano.
Barómetro CIP/ISEG acredita que apoios e indemnizações de seguradoras permitirão compensar estragos das tempestades pelo resto do ano. Paulo Novais / Lusa - EPA
06:00

Apesar da destruição causada, o comboio de tempestades que atravessou a zona centro do país no final de janeiro não terá levado à contração do PIB e é possível que o impacto deste primeiro choque sofrido pela economia portuguesa fique contido no primeiro trimestre, prevê o último barómetro da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e do ISEG, divulgado nesta quarta-feira.

Na véspera de o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgar a primeira estimativa do PIB do primeiro trimestre, o relatório mensal de análise à conjuntura económica aponta para que a economia se tenha mantido até março no patamar em que se encontrava em dezembro. Nas previsões de CIP e ISEG, o PIB terá estagnado no primeiro trimestre, sendo de esperar que face ao mesmo período do ano anterior se registe uma subida de 2,2%.

A confirmar-se, este primeiro choque terá derrubado, em parte, as perspetivas de crescimento do ano, mas os economistas responsáveis pelas previsões acreditam que “o impacto negativo associado às tempestades para o crescimento da economia deverá ter-se materializado sobretudo no primeiro trimestre”. Agora, dizem, é “de esperar que o 'rollout' dos programas públicos de apoio e o pagamento das indemnizações reconhecidas pelas seguradoras contribuam para mitigar o impacto adverso para o crescimento do PIB ao longo do ano”.

A contrabalançar quebras fortes de produção e vendas na maioria dos setores industriais (madeira, cortiça e papel terão sido os mais afetados), o índice de vendas de cimento do Banco de Portugal disparou já em março, ficando 26,1% acima de um ano antes, determinando a inversão do indicador de tendência de atividade CIP/ISEG, que voltou nesse mês às subidas. O volume de vendas do retalho e as vendas de ligeiros de passageiros também ofereceram sinais positivos perante a manutenção de quebras nos serviços, com o setor da publicidade a destacar-se com o pior desempenho.

Além de incorporarem o impacto das tempestades, as previsões CIP/ISEG para o primeiro trimestre também já levam em linha de conta os primeiros efeitos da guerra no Golfo Pérsico e bloqueio no estreito de Ormuz, que condicionará o resto do ano, conforme a duração e grau de destruição de infraestruturas energéticas da região. Aqui, o barómetro antecipa consequências num "horizonte mais alargado".

Até aqui, os cenários de base das instituições económicas têm vindo a assentar no pressuposto de uma resolução relativamente rápida do conflito que opõe Irão, EUA e Israel, com aumento limitado nos preços do petróleo e gás natural, ao mesmo tempo que traçam cenário alternativos mais graves, que se tornarão mais prováveis em função do prolongamento da guerra.

Mas esta crise já está a ser acompanhada já por uma deterioração forte dos níveis de confiança de famílias e empresas, e que se reflete também já no índice de confiança ISEG, calculado por um painel de 16 economistas da instituição. O índice passou a terreno mais negativo em abril (48,6 pontos em 100).

O barómetro reflete que “a persistência do choque no preço dos produtos energéticos tenderá a propagar-se à economia, aumentando os custos de produção de forma transversal, condicionando as decisões de investimento e impactando o rendimento disponível das famílias”.

A CIP faz entretanto notar um movimento de subida nos preços da produção industrial em março. Ainda que a subida mensal decorra, sobretudo, da atividade de energia e coloque  por enquanto o índice do INE ao nível de mês igual do ano anterior, a confederação empresarial mostra-se preocupada e afirma que esta evolução “mostra bem como as medidas tomadas pelo Governo até ao momento são claramente insuficientes face à gravidade da situação”.

“A assimetria entre os apoios disponibilizados em Portugal e as fortes medidas adotadas noutros países, como a Espanha, estão a criar problemas de competitividade das empresas portuguesas no mercado global”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, no comunicado de apresentação dos dados no qual reclama “urgentes apoios diretos às empresas nacionais mais afetadas pelo acréscimo dos custos energéticos”.

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