Confiança das empresas do euro diminuiu e emprego fraquejou na reta final de 2025
Sentimento económico no espaço da moeda única fechou o ano a níveis ainda historicamente baixos. Serviços assistiram a deterioração na procura e apontam agora para reduções no emprego.
As empresas da área do euro chegaram ao final de 2025 com expectativas ainda num nível historicamente baixo, e com uma ligeira deterioração face a novembro. Se a indústria aponta para melhoria ténues na produção e nos níveis de encomendas, já os serviços relatam um final de ano menos positivo e sugerem reduções no emprego para os próximos meses, ainda que com confiança em alguma melhoria na atividade já em 2026.
O indicador de sentimento económico produzido pelos serviços da Comissão Europeia, divulgado nesta quinta-feira, indica que em dezembro a atividade da Zona Euro terá assitido a alguma diminuição, com uma queda de 0,4 pontos para 96,7 pontos, o nível mais baixo desde setembro passado. Já as expectativas de emprego registam também uma diminuição, com o indicador agregado a recuar 0,9 pontos para 96,8 pontos.
Os dados sugerem que o espaço do euro se mantém ainda na rota de baixos crescimentos, após variações em cadeia no PIB de 0,6%, 0,1% e 0,3% nos primeiro, segundo e terceiro trimestres do último ano. As previsões das instituições económicas para a Zona Euro, recorde-se, não apontam para aceleração económica. Nas últimas previsões de outono, a Comissão Europeia estimou um crescimento de 1,3% em 2025, prevendo ligeira desaceleração para 1,2% em 2026.
Nos indicadores avançados já completos para os meses que compõem o quarto trimestre, o indicador de sentimento económico do euro fica apenas ligeiramente acima dos níveis registados nos meses de verão.
Relativamente aos dados de dezembro, a indústria continua a sinalizar fragilidades, com o sentimento significativamente abaixo da média histórica (-9.0 pontos, comparando com -0,4 pontos na tendência do sector). A Alemanha assistiu em dezembro a novo agravamento de expectativas no sector industrial, que ficam ao nível mais baixo desde abril do ano passado.
Em agregado, as empresas do euro sinalizam contudo alguns fatores positivos, com um levantamento nas expectativas de produção e uma tendência menos negativa nas encomendas e exportações.
Neste sector, observa-se uma melhoria nas expectativas de emprego, que contrasta com a tendência inversa no sector de serviços, que até aqui tem sido apoiado pelo consumo das famílias em resultado de melhorias no rendimento disponível.
Em dezembro,o indicador de confiança dos serviços decaiu ligeiramente (para 5,6 pontos, abaixo da média histórica de 6,5 pontos), com as empresas do sector a apontarem para estagnação na atividade, ainda que projetando melhorias nos próximos meses. As expectativas de emprego passaram a negativas pela primeira vez em 2025 no último mês do ano, muito abaixo da média histórica (-0,2 pontos em dezembro face a uma média de 5,1), o que fragiliza as perspetivas de manutenção de um mercado de trabalho forte como tem sucedido até aqui. Alemanha e França, as duas maiores economias do euro, influenciam a leitura global ao pronlongarem as quedas no indcador relativo ao emprego nos serviços.
Até aqui, a Zona Euro tem mantido níveis de desemprego relativamente baixos. Os dados do Eurostat relativos a novembro também publicados hoje indicam que a taxa de desemprego na Zona Euro ainda a 20 países terá recuado de 6,4% para 6,3% neste último mês de estimativas.
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