Mercados reagem à incerteza das tarifas: ouro sobe mais de 1% e dólar desvaloriza
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Juros praticamente inalterados na Zona Euro. Investidores aguardam por Lagarde
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar sem grandes movimentações esta segunda-feira, num dia em que as principais praças europeias estão maioritariamente no vermelho. Estes movimentos surgem em reação à turbulência comercial que se vive entre os EUA e os parceiros do país, depois de o Supremo Tribunal ter declarado ilegais as tarifas de Donald Trump e o Presidente ter respondido com um aumento das taxas aduaneiras globais para 15%.
Os investidores vão estar atentos ainda ao discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE) numa conferência em Washington, já depois do fecho da sessão. Além de procurarem pistas sobre o futuro da política monetária da Zona Euro, os mercados vão ainda procurar uma nova reação de Christine Lagarde à decisão da justiça norte-americana sobre o "chumbo" das tarifas de Trump.
Os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o continente europeu, caem 0,3 pontos-base para 2,733%, enquanto a rendibilidade da dívida francesa com a mesma maturidade avança 0,2 pontos-base para 3,299%. Em Itália, a "yield" das obrigações também a dez anos está inalterada nos 3,339%.
Pela Península Ibérica, os juros das obrigações do Tesouro português na maturidade de referência cedem 0,1 pontos para 3,075%, enquanto, em Espanha, os juros da dívida estão inalterados nos 3,145%.
Fora da Zona Euro, a tendência é de alívios, com os juros das "Gilts" britânicas a dez anos deslizam 0,4 pontos para 4,348%.
Turbulência comercial volta a atirar o dólar para o vermelho
O dólar está, mais uma vez, a perder terreno face aos seus principais concorrentes, penalizado pela incerteza em torno do futuro da política comercial dos EUA, depois de o Supremo Tribunal norte-americano ter "chumbado" as tarifas de Donald Trump e o Presidente ter retaliado com uma subida das taxas aduaneiras globais, primeiro, para 10% e, já no fim de semana, para 15% a todos os produtos que cheguem ao país.
O índice do dólar da Bloomberg, que mede a força da divisa contra um cabaz de moedas concorrentes, cede, a esta hora, 0,18% para 1.186,53 pontos. Já o euro acelera 0,3% para 1,1819 dólares, diminuindo ligeiramente os ganhos registados durante a sessão asiática, enquanto a libra valoriza 0,27% para 1,3517 dólares. Já a "nota verde" cai 0,28% para 154,61 ienes, numa negociação com menor liquidez do que é habitual devido a um feriado no Japão.
"A incerteza no comércio global está de volta como uma preocupação para os investidores e isso é uma má notícia para os ativos dos EUA. A queda do dólar tem potencial para se prolongar, e o desempenho inferior do S&P 500 em relação aos seus pares tornar-se-á mais consolidado à medida que os investidores avaliam o impacto [desta turbulência]", refere Garfield Reynolds, analista do MLIV, citado pela Bloomberg.
A adicionar à incerteza, o Supremo Tribunal decidiu não pronunciar-se sobre possíveis reembolsos das tarifas já pagas pelas empresas. Em causa estarão cerca de 170 mil milhões de dólares, mas o processo de devolução - caso veja a "luz do dia" - pode arrastar-se nos tribunais durante anos. Para já, a União Europeia pede "clareza" aos EUA em relação à sua política comercial, numa altura em que o bloco de 27 países ainda não retificou o acordo comercial alcançado com a maior economia do mundo - e que pode, agora, atrasar ainda mais.
Desde o arranque do ano, o dólar já perdeu quase 8% do seu valor, penalizado por uma série de políticas erráticas de Donald Trump, que culminaram numa disputa diplomática com a Dinamarca por causa da Gronelândia e, mais recentemente, no "chumbo" do Supremo Tribunal às tarifas implementadas no ano passado.
Ouro acelera com incerteza comercial no radar dos investidores
O ouro está, mais uma vez, a negociar em território positivo, depois de ter conseguido fechar a terceira semana consecutiva de ganhos na passada sexta-feira. O metal amarelo está a ser beneficiado por uma nova vaga de turbulência comercial entre os EUA e o resto do mundo, após o Supremo Tribunal ter decidido "chumbar" as tarifas de Donald Trump impostas através de uma lei especial de emergência - o que mereceu resposta imediata por parte do Presidente norte-americano, que, primeiro, aumentou as tarifas globais para 10% e, depois, para 15%.
O metal amarelo chegou a acelerar mais de 1,4% esta segunda-feira, tendo, entretanto, reduzido os ganhos para 0,49%, com cada onça a valer 5.132,27 dólares. A decisão do Supremo voltou a introduzir elevados níveis de incerteza no mercado sobre o futuro da política comercial dos EUA, o que está não só a beneficiar do ouro - o ativo refúgio predileto dos investidores - bem como a penalizar o dólar, tornando o metal mais barato para investidores internacionais.
Além disso, os mercados estão ainda a tentar avaliar o impacto desta decisão nos acordos comerciais que a maior economia do mundo celebrou com vários parceiros. O presidente da comissão de Comércio Internacional da União Europeia já anunciou que vai propor o congelamento da ratificação do acordo até que os EUA deem mais detalhes sobre as novas tarifas globais de 15%. Uma delegação indiana cancelou os planos para visitar o país, enquanto um membro do executivo japonês descreveu estes avanços e recuos como "uma verdadeira confusão".
Os mais recentes ganhos do ouro têm ajudado o metal precioso a recuperar das grandes perdas que registou no arranque de fevereiro, depois de ter chegado a ultrapassar a marca dos 5.600 dólares por onça. Estes avanços têm sido impulsionados por um aumento considerável das tensões geopolíticas a nível mundial, principalmente entre os EUA e o Irão, com a política errática de Donald Trump a trazer os investidores de novo ao metal precioso.
Por agora, "existem fatores estruturais suficientes a favor do ouro a médio prazo", explica Vasu Menon, estratega da Oversea-Chinese Banking Corp, à Bloomberg. No entanto, o analista refere que a curto prazo "espera-se que os preços do ouro sejam voláteis após os ganhos acentuados nos últimos meses, dados os desenvolvimentos ainda em curso na política comercial dos EUA e a situação no Irão".
Petróleo recua mais de 1% com mercado de olho nas negociações entre EUA e Irão
O barril de petróleo está a negociar em território negativo esta segunda-feira, com perdas superiores a 1%, numa altura em que os investidores encontram-se a avaliar a possibilidade de um acordo nuclear entre os EUA e o Irão. As delegações dos dois países devem voltar a encontrar-se esta semana para mais um ronda de negociações, o que está a deixar os mercados esperançosos, embora Washington continua a reforçar a sua presença militar ao largo do território iraniano.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 1,23%, para 65,66 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – desvaloriza 1,17% para os 70,92 dólares por barril. Estes movimentos seguem-se a uma sessão morna no mercado petrolífero, com os dois índices a fecharem quase inalterados na sexta-feira, mesmo depois de Donald Trump, Presidente norte-americano, ter ameaçado o Irão com uma nova intervenção militar.
Já este domingo, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, disse à CBS que existe "uma grande probabilidade para se chegar a uma solução diplomática em que todos ganham", referindo ainda que esse mesmo acordo estava ao alcance dos EUA e do Irão. Araghchi revelou que deverá encontrar-se com o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff, esta semana em Genebra.
Desde o arranque do ano, o petróleo tem conseguido conquistar terreno após um 2025 particularmente penoso para a matéria-prima. Isto acontece apesar das previsões de um grande excedente no mercado, à medida que a procura mundial por crude arrefece um pouco por todo o mundo. No entanto, e com as tensões entre os EUA e Irão ainda bastante vivas, os investidores preparam-se para possíveis disrupções.
"Os mercados até podem tolerar as manchetes dos jornais, mas não ignoram a perda de oferta", explica Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, à Bloomberg, referindo-se aos mais recentes desenvolvimentos e ameaças de Trump. "Se as exportações do Irão forem afetadas ou existir uma interferência credível no Estreito de Ormuz - o que é altamente provável se as coisas piorarem -, é aí que o preço do petróleo bruto se reajusta rapidamente", acrescenta o analista.
O Estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é um dos pontos estratégicos para o comércio mundial, tendo apenas 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito. Por lá, passa cerca de um quinto do petróleo consumido em todo o mundo, assim como 20% do gás consumido a nível global. Arábia Saudita, Irão, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos, utilizam esta passagem para escoar petróleo e gás, principalmente para a Ásia. A Europa importa petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo e grande parte passa pelo estreito.
"Chumbo" do Supremo dá força às praças asiáticas. Retaliação de Trump pressiona Europa
As principais praças asiáticas fecharam a primeira sessão da semana em território positivo, com o "benchmark" da região a acelerar mais de 1%, numa reação tardia à decisão do Supremo Tribunal de considerar ilegais as tarifas impostas por Donald Trump, Presidente dos EUA. Já a Europa aponta para uma abertura em queda, corrigindo dos ganhos registados na sexta-feira, pressionada pela retaliação do líder norte-americano, que aumentou as taxas aduaneiras globais de 10% para 15%.
Mesmo com esta decisão, os mercados asiáticos devem sair como os principais beneficiados de toda esta turbulência comercial, uma vez que duas das economias mais afetadas pela política de Trump - a Índia e a China - fazem parte deste continente. Segundo os economistas do Morgan Stanley, a taxa aduaneira média para a Ásia passa agora de 20% para 17%, o que deverá dar um pouco mais de margem de manobra para as empresas exportadoras da região.
Pela China, o Hang Seng, de Hong Kong, liderou os ganhos regionais ao acelerar 2,6%, impulsionado por um "rally" no setor tecnológico. As restantes bolsas do país estiveram encerradas devido à celebração de um feriado local e o mesmo aconteceu com a praça japonesa.
Já pela Coreia do Sul, foi dia de novos recordes, com o Kospi a saltar 1,7% e a terminar a terceira sessão consecutiva no verde. Os pesos pesados SK Hynix e Samsung Electronics cresceram ambos quase 2% esta segunda-feira, levando o índice sul-coreano - um dos que mais valorizaram o ano passado devido à sua grande exposição ao setor da inteligência artificial - a negociar em novos máximos históricos.
No entanto, a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 indica que o otimismo asiático não deverá chegar à Europa, com o índice a registar, neste momento, uma queda de 0,32%. Os investidores encontram-se a avaliar os impactos que a retaliação de Donald Trump à decisão do Supremo, que pode vir a intensificar-se, não só vai ter para a economia norte-americana e para a política monetária da Reserva Federal (Fed), bem como para a economia global e para as empresas.
"Já temos tanta experiência com Trump que não achamos que ele vai aceitar isto tudo de forma passiva", explica Nick Twidale, analista-chefe de mercados da AT Global Markets, à Bloomberg. "O aumento da incerteza e as dúvidas sobre o que Trump fará a seguir superam quaisquer benefícios decorrentes da redução das tarifas e possíveis devoluções", acrescenta, referindo-se aos 170 mil milhões de dólares que foram cobrados às empresas no âmbito desta política comercial, que poderão de ter de ser reembolsados.
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