Conjuntura Défice externo engorda quase mil milhões no primeiro semestre

Défice externo engorda quase mil milhões no primeiro semestre

O défice externo atingiu 2.600 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. A posição de investimento internacional, um indicador do endividamento externo do país, degradou-se para -205,9 mil milhões de euros.
Défice externo engorda quase mil milhões no primeiro semestre
Paulo Duarte
Margarida Peixoto 21 de agosto de 2019 às 11:34
O défice externo da economia portuguesa engordou quase mil milhões de euros no primeiro semestre deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2018. O défice das balanças corrente e de capital atingiu os 2.600 milhões de euros, mais 922 milhões de euros do que o verificado no período homólogo, revelou esta quarta-feira, 21 de agosto, o Banco de Portugal.

O Banco de Portugal nota que para esta degradação contribuiu "sobretudo a balança de bens". De facto, com o aumento da incerteza internacional, a guerra comercial e o abrandamento de parceiros chave como a Alemanha, as exportações portuguesas têm vindo a reduzir mais o ritmo de crescimento do que as importações, prejudicando o saldo externo.

Enquanto as vendas ao exterior cresceram 3,3%, com a exportação de bens a subir menos do que a de serviços (2,4% contra 5,2%), as importações aumentaram 7,3%.

Nos primeiros seis meses do ano, só o défice da balança de bens registou um aumento de 1.727 milhões de euros "e o excedente da balança de serviços não se alterou," lê-se na nota de informação publicada hoje. Ou seja, a venda de serviços ao exterior, entre os quais se destaca o turismo, continua a ser superior às compras, mas o excedente que os serviços geraram não aumentou, não tendo por isso sido capaz de compensar o aumento no défice da balança de bens.

Já o défice da balança de rendimento primário reduziu-se em 404 milhões de euros relativamente ao período homólogo, para 3.207 milhões de euros. "Esta variação resultou, principalmente, da redução dos juros pagos a entidades não residentes," explica o Banco de Portugal. 

A instituição liderada por Carlos Costa dá ainda nota de uma "redução dos ativos líquidos de Portugal face ao exterior", na ordem dos 2.169 milhões de euros, e explica que tal resulta do aumento dos passivos. São os não residentes que têm investido mais em sociedades não financeiras em Portugal, bem como em obrigações do Tesouro, explica o Banco de Portugal. 

Este efeito só foi parcialmente compensado "pelo aumento de ativos financeiros no exterior, com destaque para o investimento dos bancos residentes em títulos de dívida emitidos por não residentes," soma a instituição.

O aumento do défice da balança de pagamentos contribuiu para a degradação da posição de investimento internacional do país, um indicador da dívida externa portuguesa. Segundo o Banco de Portugal, a posição de investimento internacional portuguesa piorou em junho cerca de 2,7 mil milhões de euros, face a dezembro de 2018, atingindo -205,9 mil milhões de euros. 

O Banco de Portugal revela ainda que a 10 de outubro os números sobre a balança de pagamentos e a posição de investimento internacional serão revistos, devido à revisão periódica da base de contas nacionais, bem como a outras revisões estatísticas.



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