É mais difícil conseguir emprego num supermercado Walmart que entrar em Harvard
A cadeia de supermercados recebeu 23 mil candidaturas para 600 vagas em duas novas lojas que abriram na capital dos Estados Unidos. A publicação “El Mundo” fez a comparação e descobriu que é mais improvável ser aceite naquele emprego que numa licenciatura numa das mais conceituadas universidades norte-americanas.
Conseguir um emprego na cadeia de supermercados norte-americana Walmart é duas vezes mais difícil do que ser admitido na Universidade de Harvard. A comparação é feita pelo jornal espanhol “El Mundo”, que revela que a multinacional abriu, no final de 2013, as duas primeiras lojas na cidade de Washington para as quais recebeu 23 mil candidaturas de trabalho, mas só havia 600 vagas. Ou seja, 97,3% dos candidatos foram recusados.
Em comparação, o “El Mundo” apresenta a universidade de Harvard, uma das escolas mais conceituadas dos Estados Unidos, que rejeitou 94,2% da totalidade dos seus candidatos a licenciaturas. Embora a cadeia comercial tenha uma política comercial rígida, a situação reflecte também a situação laboral do país. A presidente da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, Janet Yellen, declarou na semana passada que “em certo sentido, o mercado laboral é mais duro agora que em qualquer outra recessão”, garantindo que a Fed “tem um compromisso contínuo” no apoio à recuperação.
A taxa de desemprego está estabilizada no 6,7% desde o início do ano, no entanto, segundo dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, um cidadão desempregado diminui, a cada seis meses, em 45% as possibilidades de encontrar emprego.
O Instituto de Economia Política revela, num estudo, que 28% dos empregos do país são de salários baixos, ou seja, o salário em causa é inferior a metade da quantia mínima necessária para sustentar uma família de quatro pessoas. No apogeu da crise no mercado laboral, em 2010, a percentagem era a mesma e prevê-se que, em 2020, 28% dos empregos continuem nessa condição.
No entanto, o poder de compra dos salários desses empregos de baixa remuneração caiu entre 2008 e 2011 cerca de 2,3%, mais do dobro da descida sofrida pelas remunerações de empregos considerados de nível médio, segundo um estudo levado a cabo pela consultora californiana Sentier.
Os supermercados de Washington reflectem essa realidade. A capital dos Estados Unidos é uma das cidades mais caras do país. Para pertencerem aos mais ricos da cidade é necessário ter um rendimento anual de cerca de 447.500 euros, quase o dobro que no conjunto dos Estados Unidos. No entanto, a taxa de desemprego em Washington é de 7,5%, um ponto percentual acima da média nacional.
A cadeia de supermercados Walmart paga cerca de 6,36 euros à hora aos seus trabalhadores (sem descontar impostos), o que supõe uma media de 14 mil euros anuais.