Finanças investigam disparo das exportações para países próximos da Rússia
Governo admite que está a investigar o crescimento acentuado das exportações portuguesas para países "amigos" do regime de Vladimir Putin após o início da guerra na Ucrânia. Motores, geradores e cortiça são dos produtos que mais cresceram em termos de vendas. Investigação está a ser liderada pelo Fisco.
O Ministério das Finanças está a investigar o disparo das exportações portuguesas para países próximos da Rússia, após o início da guerra na Ucrânia, avança o Público nesta terça-feira. Países como o Quirguistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Turquia e os Emirados Árabes Unidos continuam a ter relações comerciais normais com a Rússia e têm sido usados, com ou sem intenção, para contornar as sanções impostos pela União Europeia (UE).
Em vários países europeus, investigações realizadas por autoridades nacionais e da UE têm revelado que as sanções impostas pela UE à Rússia têm sido parcialmente contornadas por via de cadeias comerciais indiretas. No caso de Portugal, ainda não houve qualquer anúncio de descoberta desse tipo de práticas, mas o Governo avança que há investigações em curso nesse sentido e que estão a ser lideradas pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). Essa fiscalização é baseada "em metodologias de gestão do risco envolvendo também a realização de controlos aleatórios das mercadorias".
As estatísticas do comércio internacional, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam um padrão claro de crescimento das exportações para países próximos da Rússia, a partir de 2022, com destaque para a Turquia, Emirados Árabes Unidos, Quirguistão e Cazaquistão. As exportações registadas na categoria "motores e geradores" são um dos exemplos de produtos que têm crescido para países "amigos" do regime de Vladimir Putin, assim como a cortiça, ferro e aço.
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