Após dois meses de guerra no Irão, confiança das famílias diminui "expressivamente"
Confiança dos consumidores continuou a diminuir no segundo mês da guerra no Irão. Queda na confiança das famílias relativamente à sua situação financeira e à economia do país é a maior desde o primeiro confinamento da pandemia. Sentimento das empresas melhorou.
Depois de ter caído para mínimos após o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão, a confiança dos consumidores voltou a diminuir "expressivamente" no segundo mês de conflito no Médio Oriente. As famílias estão mais pessimistas quanto à sua situação financeira e do país: queda registada é a maior desde a pandemia.
Segundo os Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores, divulgados nesta quarta-feira, 29 de abril, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador de confiança dos consumidores "diminui expressivamente" em abril, registando em abril o valor mais baixo desde novembro 2023. A confiança dos consumidores já tinha sido abalada de forma expressiva em março, logo após o início do conflito no Médio Oriente, que se iniciou a 28 de fevereiro com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.
Em abril, a confiança dos consumidores afundou ainda mais, com as famílias a mostrarem-se mais negativas quanto à sua situação financeira passada, mas também quanto à situação do país. Aliás, a queda da confiança das famílias nestas duas questões é a maior desde abril e maio de 2020, respetivamente, altura em que foi decretado o primeiro confinamento da pandemia de covid-19.
Relativamente aos preços, as famílias mostram-se também particularmente mais preocupadas com as subidas de preços dos últimos meses, um aumento do pessimismo que é também o mais alto desde maio de 2008. Quanto à expectativa futura dos preços, houve uma ligeira melhoria do sentimento, depois dos aumentos registados nos três meses anteriores e sobretudo em março.
Confiança das empresas sobe ligeiramente
Por outro lado, o indicador de clima económico, que mede o sentimento das empresas, aumentou em abril, após ter diminuído no mês anterior, embora com diferenças entre os setores: a confiança aumentou no Comércio e na Construção e Obras Públicas, tendo diminuído na Indústria Transformadora e nos Serviços.
No Comércio, a confiança aumentou em abril, após ter diminuído no mês anterior, refletindo o "contributo positivo das apreciações sobre o volume de stocks e, de forma particularmente expressiva, das opiniões sobre o volume de vendas", descreve o INE.
Também na Construção e Obras Públicas a confiança subiu em abril, "contrariando a redução observada nos dois meses anteriores, e registando". O otimismo do setor atingiu o valor mais elevado desde junho de 2025, refletindo os "contributos positivos de ambas as componentes: perspetivas de emprego e apreciações sobre a carteira de encomendas". Em causa podem estar as expectativas de reconstrução das zonas afetadas pelo comboio de tempestades, sobretudo na Zona Centro.
Em sentido contrário, o indicador da Indústria Transformadora diminuiu em abril, refletindo as apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e, de forma expressiva, das perspetivas de produção, registando o valor mais baixo desde outubro de 2023. Recorde-se que o setor da indústria arrisca ser particularmente afetado pela subida de preços da energia.
Também o indicador de confiança dos serviços diminuiu em abril, após ter aumentado nos dois meses anteriores, com as empresas a mostrarem-se menos confiantes quanto à evolução da procura, apreciações sobre a atividade da empresa e opiniões sobre a carteira de encomendas.