Conjuntura Fitch vê Portugal a crescer apenas 1,5% em 2019

Fitch vê Portugal a crescer apenas 1,5% em 2019

A agência de rating, que pode pronunciar-se sobre Portugal na sexta-feira, prevê que a economia trave de 2,1% este ano para 1,5% em 2019.
Tiago Varzim 28 de novembro de 2018 às 07:58

A Fitch Ratings não acredita nas metas do Governo para o crescimento económico de 2018 e 2019. Numa análise publicada esta quarta-feira, 28 de Novembro, a agência de notação financeira prevê que o PIB cresça 2,1% este ano, abaixo dos 2,3% previstos pelo Executivo, e 1,5% no próximo ano, inferior à meta de 2,2%. E a travagem pode ser mais forte se houver um choque económico na Zona Euro. 

"A desaceleração será transversal a todos os factores com contributos inferiores do consumo privado e da despesa pública assim como da procura externa", sintetiza a análise da Fitch. Apesar dessa travagem, a agência prevê que a economia cresça acima da média de -0,1% registada entre 2007 e 2016. Mas há uma diferença: "A economia está muito menos dependente da despesa pública do que estava no início da crise em 2007". 

Contudo, a Fitch continua a considerar que Portugal é uma "economia de alto risco" pelo que pode haver uma "desaceleração mais substancial caso haja um grande choque na Zona Euro". Dada a dependência da economia nacional das exportações para os seus parceiros europeus, a agência antecipa que Portugal pode ser afectado pela travagem mais intensa do que o previsto que a economia europeia está a ter

Mas o "calcanhar de Aquiles" de Portugal é mesmo a "enorme dívida pública", a terceira maior da Zona Euro, apenas superada pela Grécia e Itália. "Com estes níveis de dívida, qualquer choque financeiro nos mercados que faça com que os juros da Zona Euro subam terá um impacto desproporcionado na economia portuguesa através do aumento dos custos de financiamentos do Estado e do enfraquecer da confiança nos consumidores e empresas", destaca a Fitch. 

Os custos com a dívida são exactamente um ponto em que a agência de rating considera que o Governo está demasiado optimista no Orçamento do Estado para 2019. Com a retirada gradual dos estímulos por parte do Banco Central Europeu, a Fitch considera que fica em causa a premissa de que os encargos com a dívida vão "manter-se em níveis extremamente baixos". 

A agência antecipa que os custos de financiamento subam nos próximos trimestres, comprometendo alguns recursos públicos que, "de outra forma, iriam ser direccionados para áreas que promovem o crescimento". O cenário pode ser ainda pior caso as receitas orçamentais fiquem abaixo do objectivo em 2019 e a economia não cresça tanto quanto o Governo prevê. 

A Fitch tem agendada para esta sexta-feira uma possível acção de "rating" para Portugal. A entidade avalia actualmente a dívida de longo prazo portuguesa com uma classificação de "BBB" e um "outlook" estável, a melhor avaliação entre as três maiores agências de notação financeira (Standard & Poor's, Moody's e Fitch).




pub

Marketing Automation certified by E-GOI