Obrigações Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo

Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo

A agência de notação financeira Fitch reiterou o rating e a perspectiva para a evolução da dívida soberana portuguesa, que se mantém no penúltimo nível da categoria de investimento de qualidade.
Fitch mantém rating de Portugal dois níveis acima de lixo
Carla Pedro 01 de junho de 2018 às 21:17

A Fitch reafirmou o rating de Portugal em ‘BBB’, dois níveis acima de lixo. A agência, recorde-se, foi a segunda das três grandes a retirar Portugal do lixo, ao melhorar a avaliação do país em dois níveis, em Dezembro, para o patamar onde decidiu agora mantê-lo.

Quanto à perspectiva (outlook) para a evolução da qualidade da dívida, a Fitch manteve-a em "estável".

 

A justificar a sua decisão estão vários factores, explica a agência no seu relatório divulgado esta sexta-feira, 1 de Junho.

"O rating de Portugal equilibra os seus pontos fortes institucionais (os indicadores do desenvolvimento humano, governance e rendimento per capita estão todos acima dos seus pares que também têm classificação de ‘BBB’) e a melhoria dos indicadores macroeconómicos e orçamentais com os níveis bastante elevados da dívida pública e da dívida externa e as vulnerabilidades do sector financeiro", sublinha.

"A tendência de redução da dívida pública bruta tem-se mantido desde a nossa última avaliação do rating, quando procedemos a um ‘upgrade’ em dois níveis de Portugal (…) O rácio entre a dívida pública bruta e o PIB era de 125,7% no final de 2017, contra 129,9% no final de 2016. Os recentes desenvolvimentos a nível macroeconómico e orçamental sustentaram a avaliação da Fitch de que a trajectória da dívida é de descida firme e de que a redução do rácio dívida pública bruta/PIB prosseguirá no médio prazo", acrescenta o relatório.

A retoma económica cíclica atingiu o seu pico em 2017, quando o PIB cresceu 2,7%, salienta a Fitch, dizendo que estima uma desaceleração gradual para 2,2% em 2018 e para 1,8% em 2019, "amplamente em linha com o crescimento agregado da Zona Euro".

A agência realça também a melhoria das condições do mercado de trabalho, "que sustenta a subjacente dinâmica de crescimento, dado que a taxa de desemprego caiu para 7,5% em Março de 2018".

 

Ao mesmo tempo, não há sinais de maior pressão sobre o salário nacional nem sobre os preços, "pelo que a inflação se manterá moderada nos próximos dois anos".

A agência projecta que, no médio prazo, se mantenha uma política orçamental restritiva no país, orientada essencialmente pelas regras europeias. "Segundo as estimativas da Comissão Europeia, o défice orçamental estrutural desceu em 0,9 pontos do PIB em 2017, à conta de um grande esforço de política orçamental anticíclica no pico do ciclo económico. A Fitch prevê que o défice orçamental se fixe perto de 1% em 2018 e 2019".

Vulnerabilidades no sector financeiro


Uma vez mais, a Fitch sublinha que as vulnerabilidades da banca continuam a reflectir o legado da crise, destacando que o rácio de crédito malparado é ainda elevado, apesar de ter diminuído para 13,3% no final de 2017.

Por outro lado, as perspectivas de rentabilidade na banca são fracas, atendendo ao contexto de taxas de juro muito baixas, refere a agência, que chama também a atenção para os custos de recapitalização do sector bancário, "que continuam a ter um impacto significativo no saldo orçamental global".

O que vai ditar uma subida ou descida do rating


Por último, a Fitch elenca as sensibilidades do rating e os factores que, a verificarem-se, poderão levar a agência a baixar ou elevar a classificação da dívida soberana de Portugal.

 

Os principais factores que poderão levar, individual ou colectivamente, a uma acção positiva em matéria de rating são:

- uma adicional redução significativa do rácio dívida pública/PIB.

- evidências de um potencial de crescimento substancialmente mais forte no médio prazo, superando os 2%, sem penalizar o necessário ajustamento externo.

- prossecução de um crescimento robusto das exportações que leve a ampliar os excedentes das contas correntes e uma rápida queda da dívida líquida externa.

Os principais factores que poderão levar, individual ou colectivamente, a uma acção negativa em matéria de rating são:

- reversão da tendência de diminuição do rácio dívida pública/PIB.

- Significativa deterioração das condições financeiras, que conduza a consequências macroeconómicas e orçamentais adversas.

- Renovado stress no sector financeiro que exija um substancial apoio adicional do sector público e/ou que afecte a estabilidade financeira e as perspectivas de crescimento.


A recente evolução dos ratings de Portugal


A Standard & Poor’s foi, no passado dia 15 de Setembro a primeira das três grandes agências a colocar Portugal na categoria de investimento de qualidade, para BBB- (um nível acima de lixo).

 

Logo depois, a dia 15 de Dezembro, também a Fitch retirou Portugal do lixo, ao subir a notação da dívida da República em dois níveis, para BBB. Ficou assim a ser a agência que melhor classificação dá a Portugal.

 

Das três grandes, só falta a Moody’s [que foi a primeira a colocar Portugal no "lixo"] decidir-se pela colocação da dívida soberana num patamar de investimento de qualidade.

 

Antes da decisão da S&P em Setembro, apenas a canadiana Dominion Bond Rating Service (DBRS) tinha a notação portuguesa fora da categoria de "junk". Com efeito, a DBRS foi a única das agências consideradas pelo Banco Central Europeu (BCE) que avaliou Portugal acima de "lixo" durante a crise da dívida. E assim foi até ao passado 15 de Setembro, dia em que a S&P tirou Portugal desse patamar de investimento especulativo.



(notícia actualizada às 22:34)




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