Inflação dispara para 2,7% em março. Combustíveis explicam subida "quase na totalidade"
Estimativa rápida do INE revela que, em março, a subida dos preços de venda ao consumidor terá acelerado seis décimas. Aceleração da inflação é explicada "quase na totalidade" pela escalada nos preços dos combustíveis, em resultado da guerra no Irão.
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A taxa de inflação terá acelerado, em termos homólogos, para 2,7% em março, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada esta terça-feira. Esse disparo nos preços de venda ao consumidor reflete o impacto do primeiro mês da guerra no Irão, iniciada pelos Estados Unidos e Israel, que provocou uma escalada vertiginosa nos preços dos combustíveis.
"Tendo por base a informação já apurada, a taxa de variação homóloga do índice de preços no consumidor (IPC) terá aumentado para 2,7% em março de 2026, taxa superior em 0,6 pontos percentuais à observada no mês anterior", lê-se no boletim estatístico do INE.
O INE dá conta de que a aceleração do IPC é explicada "quase na totalidade" pelo aumento do preço dos combustíveis, devido à guerra no Irão. O índice de preços da energia, que estava até aqui em valores negativos (ou seja, a energia estava mais barata do que há um ano), terá acelerado de -2,2% em fevereiro para 5,8%. Esta forte subida faz antecipar aumentos noutras categorias de produtos, tendo em conta que as mexidas de preços nos combustíveis refletem-se com muita rapidez ao restante cabaz.
À ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, o regime iraniano respondeu com ataques a Israel e a alvos militares norte-americanos em países vizinhos e com o bloqueio do estreito de Ormuz. Esse bloqueio conduziu a uma escalada nos preços do petróleo e gás, tendo em conta que essa via marítima é fundamental para escoar cerca de 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo. O Banco Central Europeu (BCE) defende que a Zona Euro pode estar perante um "verdadeiro choque" energético e promete que não vai ficar "paralisado" pela incerteza.
Além da energia, os alimentos estão também entre os produtos com preços mais voláteis. Em março, o índice de preços relativo aos alimentos não transformados (frescos) terá desacelerado ligeiramente de 6,6% para 6,4%. Esse alívio acontece numa altura em que a subida dos preços destes produtos está em valores muito elevados e são esperados novos aumentos devido às tempestades de fevereiro e, com a guerra no Irão, ao encarecimento dos preços de transporte.
A inflação subjacente, que exclui os produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preço (alimentos não transformados e energia) terá acelerado também, mas em menor proporção do que a inflação global. Segundo o INE, terá passado de 1,9% para 2%, estando ainda em linha com a meta do BCE para a inflação. Isso mostra que o disparo nos preços dos bens mais voláteis não está ainda a "contagiar" o cabaz de preços mais estável, onde se incluem a educação e saúde.
Em comparação com o mês anterior, a variação do IPC terá sido 2%, um valor que compara com 0,1% em fevereiro. O INE estima que a variação média nos últimos doze meses foi de 2,3% em março, um "valor idêntico" ao do mês anterior.
O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) português, que permite comparar a variação de preços em Portugal com a dos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), terá acelerado de 2,1% para 2,7% em março.
Os dados definitivos do IPC de março deverão ser conhecidos no próximo dia 13 de abril.
(notícia atualizada às 9h55)