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Investimento direto estrangeiro cai para quase metade no primeiro trimestre

Nos primeiros três meses do ano, os investidores estrangeiros transferiram 2,1 mil milhões de euros para a economia portuguesa. São menos 1,6 mil milhões do que em igual período do ano passado. Investimento imobiliário rondou os 800 milhões. Investimento no exterior também caiu.

Investimento direito estrangeiro caiu mais de 40% nos primeiros três meses do ano.
Investimento direito estrangeiro caiu mais de 40% nos primeiros três meses do ano. Armando França/AP
11:22

primeiro trimestre deste ano trouxe um novo recuo no investimento direto estrangeiro em Portugal (IDE). Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP) revelam que os cidadãos estrangeiros transferiram um total de 2,1 mil milhões de euros para a economia nacional entre janeiro e março, um valor que corresponde a menos 43% face ao observado no ano anterior. 

Os revelam que a diminuição do IDE no arranque do ano foi explicada pela queda no investimento sob a forma de instrumentos de dívida, ou seja, através da concessão de empréstimos ou de créditos comerciais ou, por exemplo, da aquisição de títulos de dívida emitidos por essas empresas. Entre janeiro e março, o investimento sob a forma de instrumentos de dívida foi negativo em 56,9 milhões de euros.

Em sentido contrário, verificou-se um aumento no investimento estrangeiro no capital de empresas e outras entidades nacionais. No primeiro trimestre, o IDE por essa via totalizou 2,2 mil milhões de euros, um valor que compara com 358 milhões investidos dessa forma em igual período ano passado. Dos 2,2 mil milhões agora registados, 0,8 mil milhões corresponderam a investimento imobiliário, que continua a ser uma das principais apostas entre cidadãos estrangeiros na hora de investir em Portugal. 

Os países europeus mantiveram-se os principais investidores em Portugal, numa perspetiva de contraparte imediata. Entre janeiro e março, investiram 1,6 mil milhões de euros no país, um valor que fica, contudo, abaixo dos 6,3 mil milhões registados em 2024. Na lista, destacaram-se a Espanha (0,7 mil milhões), a Itália (0,3 mil milhões) e o Luxemburgo (0,2 mil milhões).

No caso do Luxemburgo, é importante notar que é um dos países que servem muitas vezes de intermediários no IDE. Isso significa que o valor do investimento direto em Portugal, na perspetiva do investidor final, é inferior ao do investimento direto na ótica da contraparte imediata. Países, como a China, os Estados Unidos e França, usam esse e outros mercados como veículos para investir em Portugal. 

Investimento de Portugal no exterior também cai

As transações de investimento direto de Portugal no exterior (IPE) também diminuíram no primeiro trimestre. Os dados do BdP mostram que, entre janeiro e março, os portugueses investiram fora do país 0,1 mil milhões de euros, um valor que compara com 1,1 mil milhões observados no período homólogo. Esse valor é explicado sobretudo pelo investimento realizado no capital de empresas estrangeiro, que ascendeu a 0,1 mil milhões nesse mesmo trimestre.

Numa perspetiva de contraparte imediata, destacou-se o investimento realizado em entidades residentes em países europeus (0,1 mil milhões), em particular, em Espanha (0,2 mil milhões).

No final de primeiro trimestre, o stock de IDE era de 218 mil milhões, o que correspondia a cerca de 70% do PIB português. Em sentido contrário, o stock de IPE era de 79,2 mil milhões, o que representava 25% do PIB nacional.

(notícia atualizada às 11:58)

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