Conjuntura Investimento empresarial próximo do nível pré-crise
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Investimento empresarial próximo do nível pré-crise

Têm sido as empresas a dar o maior contributo para a recuperação do investimento no país. A baixa execução do investimento público está a atrasar esse processo, com o Governo a receber críticas à esquerda e à direita. A banca e as famílias também retardam a melhoria.
Investimento empresarial próximo do nível pré-crise
O plano de investimento ‘Ferrovia 2020” é uma das grandes apostas do Governo. Em 2018, Portugal e Espanha anunciaram as obras da linha Elvas-Caia.
Tiago Varzim 01 de abril de 2019 às 22:15

Ao contrário do investimento público, que tarda em descolar, o investimento das empresas tem vindo a recuperar rapidamente e já está muito próximo dos níveis anteriores à crise financeira.

A economia já é "maior" do que no anterior pico de 2008, mas o investimento total do Estado, empresas, famílias e banca – que é uma das componentes do PIB – está 15% abaixo. Em 2018, atingiu os 34,4 mil milhões de euros, menos 6,5 mil milhões do que há dez anos.

Os dados anuais das contas públicas, revelados pelo Instituto Nacional de Estatística na semana passada, permitem pela primeira vez fazer a desagregação do investimento por empresas, banca, famílias e Estado. A conclusão é que o investimento público é o que está "mais atrasado" face a 2008. Dos 6,5 mil milhões de euros que "faltam recuperar", o Estado é responsável por 2,7 mil milhões de euros.

No caso das famílias, o investimento está dois mil milhões de euros abaixo do valor de 2008. Este montante atingiu um mínimo em 2013, o pior ano da crise, mas tem vindo a recuperar desde então de forma gradual com a recuperação dos rendimentos e a melhoria do mercado de trabalho.

Quanto ao investimento dos bancos, é o que pesa menos no total, mas é relevante nestas contas. O investimento do setor financeiro está 1,3 mil milhões de euros abaixo do que se registava há uma década. A evolução deste montante tem sido errática, mas é possível concluir que a turbulência no setor tem penalizado o investimento desde 2014.

Por fim, foi nas empresas – que representam dois terços do investimento no país – que o montante recuperou de forma mais rápida. O pico de 2008 e o nível atual são separados por 500 milhões de euros, uma curta diferença (2,2%) entre esses dois períodos.

Estado falha meta

Não é, por isso, de estranhar que as empresas tenham sido e continuem a ser em 2018 as que dão o maior contributo para o aumento do investimento em Portugal. Considerando apenas os dados do ano passado, dos dois mil milhões de euros a mais de investimento 1,2 mil milhões de euros foram da responsabilidades das empresas. O contributo das famílias e do Estado também foi positivo enquanto o dos bancos foi negativo.

No caso do investimento público, apesar de ter aumentado 12% em 2018, este continua a ser inferior ao previsto pelo Governo e ligeiramente abaixo do que na atualização do OE 2019. Além disso, é inferior ao de 2015, ficando nos 2% do PIB.

A baixa execução do investimento face ao orçamentado tem sido uma das críticas feitas ao Governo tanto à direita como à esquerda. Em resposta, o Executivo tem dito que está a acelerar estes gastos, tendo feito vários anúncios de investimento nos últimos meses, principalmente nos transportes.


Construção acelera

Além dos setores, é possível desagregar o investimento por componentes. Neste caso, a comparação mais recente mostra que todas estão a dar um contributo positivo.

Contudo, nos últimos dois anos o investimento tem subido principalmente devido à construção, em parte para habitação, numa altura em que o mercado imobiliário está, em certos locais, a acusar falta de oferta.

A análise dos últimos dez anos mostra que o setor – o que mais pesa no total – foi também o mais penalizado pela crise. Apesar das subidas recentes, o investimento em construção continua 6,3 mil milhões de euros (-27,3%) abaixo do nível de 2008. Em comparação com esse ano, também o investimento em equipamento de transportes e das máquinas é mais baixo, apesar da forte recuperação nos últimos anos.

Acima do nível de 2008 estão os recursos biológicos cultivos e, em destaque, os produtos de propriedade intelectual. Apesar de ainda estar longe de ser a componente que mais pesa, o aumento deste tipo de investimento tende a ser positivo para o futuro das empresas, da produtividade e da competitividade de um país.




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