Tempestades e guerra no Irão fazem economia estagnar no 1.º trimestre
Arranque do ano foi penalizado pelas tempestades e pela guerra no Irão, com a variação do PIB a ficar no zero no primeiro trimestre. Travão a fundo já era esperado.
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A economia portuguesa estagnou no primeiro trimestre, registando uma variação nula face aos últimos três meses de 2025, tendo sido penalizada pelo efeito do comboio de tempestades e pela subida de preços causada pelo conflito no Médio Oriente.
Segundo a estimativa rápida das contas nacionais do primeiro trimestre, divulgada nesta quinta-feira, 30 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), "o PIB registou uma variação nula em volume, após um crescimento de 0,9% no trimestre anterior".
O travão a fundo já era esperado pelos analistas que, após os efeitos do comboio de tempestades e da guerra no Irão na atividade, apontavam para variações em cadeia entre os 0% e os 0,2%, com o "duplo choque" a ter um impacto negativo sobre a confiança das famílias e das empresas, levando a menos consumo e investimento.
De facto, os analistas esperavam um contributo negativo da procura interna para o PIB, mas os dados do INE mostram que a procura interna (que junta o consumo e o investimento) aguentou a economia acima da linha de água. O consumo privado cresceu mas menos do que no quarto trimestre de 2025, mas no investimento houve uma "aceleração expressiva", disse o INE.
O gabinete de estatísticas ainda não dá detalhes sobre cada uma das componentes, mas recorde-se que o efeito da reconstrução das tempestades, bem como do último ano de execução da 'bazuca' do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) podem explicar a aceleração do investimento.
Por outro lado, o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou a negativo, refletindo uma recuperação das importações de bens e serviços mais significativa que das exportações de bens e serviços. A subida do preço dos produtos energéticos, causada pelo conflito no Médio Oriente e o consequente fecho do estreito de Ormuz, explica o impacto nas importações.
Já em termos homólogos, ou seja, em comparação com o primeiro trimestre de 2025, a economia cresceu 2,3%, acima dos 1,9% registados no trimestre anterior.
O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB aumentou, destacando-se também aqui uma aceleração do investimento. Já a procura externa líquida registou um contributo mais negativo, verificando-se uma aceleração mais pronunciada das importações de bens e serviços que das exportações de bens e serviços.
(Notícia atualizada às 10:00 com mais informação)