Daniel Bessa: "Ainda estamos em negação sobre os efeitos que a crise terá no nível de vida"
Em entrevista à agência Lusa, o professor universitário diz que, se do lado da questão da saúde, "não há negação possível" e os "problemas estão à vista", do lado da economia, vive-se "ainda uma espécie de fase de negação, em que se admite que as consequências poderão ser muito mitigadas".
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Daniel Bessa ressalva que para quem já esteja numa situação de 'lay-off' ou tenha perdido o emprego, é óbvio que já sentiu as consequências da crise económica, mas lamenta ainda ver pessoas a defender, por exemplo, "a proibição de despedimentos e coisas do género, como se isso fosse possível".
"Não é possível levar uma empresa, qualquer que ela seja, a manter o emprego e a pagar os salários se estiver parada durante muito tempo", explica o economista, adiantando que quem defende essa tese parece acreditar que, com essa proibição, conseguir-se-ia manter o rendimento das pessoas.
"Há quem pense que, se proibirmos os despedimentos, o rendimento poderá não cair tanto, mas o rendimento é o resultado da produção distribuído pelas pessoas e não havendo produção... É por isso que digo que ainda estamos em fase de negação do ponto de vista dos efeitos que isto vai ter no rendimento e no nível de vida das pessoas", conclui.
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Daniel Bessa alerta ainda para outro efeito que se poderá vir a fazer sentir: problemas no abastecimento de bens.
"Vamos ter problemas de abastecimento. Hoje quem tem dinheiro e está em casa, está preocupado, mas não lhe falta nada. Usa as compras 'online' ou usa 'take away'", lembra o professor universitário, alertando, no entanto, para que "se o atual estado de paragem produtiva se mantiver por mais dois ou três meses, esses bens vão faltar".
Depois de surgir na China, em dezembro, O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
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O continente europeu é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais.
Em Portugal, segundo a Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes e há 11.730 casos de infeções confirmadas.
VC // CSJ
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Lusa/fim
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