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Costa: "Não correu tudo bem", mas só 20% dos adeptos furaram a "bolha"

A propósito dos casos de incumprimento das regras por adeptos britânicos e dos focos de violência gerados, o primeiro-ministro admite que "não correu tudo bem" e que "há sempre lições a tirar", porém garante que dos 12 mil adeptos com bilhete para ir ao estádio apenas 20% não integraram a "bolha" prevista.

Tiago Petinga
David Santiago dsantiago@negocios.pt 31 de Maio de 2021 às 16:10
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"Temos sempre todos a aprender e o Estado, e o Governo em particular, com a forma como as coisas correm". Esta afirmação foi feita por António Costa num mea culpa do primeiro-ministro relativamente à forma como vários adeptos britânicos desrespeitaram as regras em vigor no contexto da pandemia.

Em declarações feitas ao início da tarde, no Parlamento, Costa teve de responder às perguntas dos jornalistas sobre o que correu mal este fim de semana no âmbito da final da Liga dos Campeões, disputada no sábado, no Porto.

Na semana passada, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, ter afastado critérios díspares do Executivo na gestão da pandemia garantindo que os 12 mil adeptos com bilhete para assistir ao jogo no estádio do Dragão viriam para Portugal e regressariam casa integrados numa "bolha". Ou seja, sem risco de ajuntamentos para lá das regras.

Confrontado sobre o porquê de ter sido dada uma garantia que o Estado não teria condições de fazer respeitar, o primeiro-ministro garantiu ter sido escasso o número de pessoas a não integrar a "bolha" e explicou que tal foi possível porque, entretanto, foram reabertas as fronteiras entre Portugal e o Reino Unido.

"O que foi dito não foi nada de falso. Se não correu na perfeição? Não correu. Há pelo menos 20% de pessoas que não respeitaram as regras da 'bolha' porque decidiram vir antecipadamente, beneficiando do facto de as fronteiras terem aberto, portanto tendo vindo como turistas", argumentou.

Costa assegurou que 9.800 pessoas vieram dentro do que estava definido, sendo que 2.100 "não vieram em 'bolha'", circunstância que aconteceu somente porque houve uma alteração de circunstâncias.

"Em primeiro lugar", o líder do Governo quis "sublinhar" que quando foram definidas as regras para a presença dos adeptos no estádio, "não estavam ainda abertas as fronteiras para a circulação turística", tendo ficado previsto que "os 12 mil lugares reservados, 6 mil para da equipa, tinham de vir e voltar em regime de 'bolha'".

Contudo, "entretanto as fronteiras abriram" porque "o Reino Unido preenche todos os critérios" e porque tem "uma das taxas de vacinação mais evoluídas da Europa", além de que "todas as pessoas vieram com teste negativo [e] sempre que houve suspeitas foram repetidos testes".

O também secretário-geral do PS faz questão de "distinguir as pessoas que vieram no quadro da operação 'Champions', de turistas que se deslocaram ou para o Porto ou para o Algarve". "Fraceses, alemães e também ingleses e, provavelmente, vários apoiantes do  [Manchester] City ou do Chelsea", prosseguiu, reconhecendo que, "manifestamente, não correu tudo bem" e que "há sempre lições a tirar".  

Antes, em declarações feitas no final do Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, Marta Temido, ministra da Saúde, defendia que "todos temos de aprender com o que corre menos bem". "Houve momentos que correram dentro daquilo que estava previsto e houve outros momento que, por força daquilo que foi também a abertura da circulação internacional, vieram juntar-se àquilo que era o movimento previsto de deslocações de acordo com determinadas regras", sustentou a ministra. 

Forças de segurança privilegiam "prática pedagógica"
Quanto à atuação policial durante os distúrbios causados tanto no Porto como no Algarve, António Costa considera que "ninguém melhor do que as forças de segurança para avaliar qual o melhor modo de atuação". "As forças de segurança têm privilegiado sempre a pratica pedagógica relativamente à pratica de ações mais musculadas que tem sido evitadas", uma lógica que também serve para conter riscos de "exponenciação da conflitualidade", sustentou.

Costa recordou que "temos visto as autoridades a serem desafiadas" em vários locais, com o primeiro-ministro a recorrer a um exemplo recente que, por sinal, também suscitou críticas ao Governo e, em particular, ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. "Também houve dificuldade em manter a ordem pública" aquando dos festejos do título nacional conquistado pelo Sporting, referiu. Seja como for, o número de pessoas detidas e de incidentes registados a propósito da realização da final da Liga dos Campeões no Porto foi "muito limitado". 

Além de que, insistiu António Costa, comparando com outros eventos similares o balanço é positivo pois o que aconteceu este fim de semana em Portugal "marca mais pela positiva do que pela negativa".

Acerca das declarações do Presidente da República, que sinalizou uma falha de comunicação em torno da referida "bolha", Costa limitou-se a dizer que, "obviamente, não compete ao Governo avaliar a avaliação" feita por Marcelo Rebelo de Sousa, todavia o primeiro-ministro quis "repetir" o que afirmara antes: "não podemos confundir adeptos, os 12 mil adeptos acordados com a UEFA que teriam de ir e vir em regime de 'bolha', em voos charter (...) com aquilo que são os turistas" que se deslocaram para o país e não apenas para a cidade invicta.


Já relativamente à não salvaguarda de uma situação previsível decorrente da reabertura das fronteiras, Costa defendeu que não é possível ter o melhor de dois mundos. "Não podemos querer simultaneamente turistas e depois dizer que não gostamos dos turistas."


(Notícia atualizada)
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