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Novo consórcio científico quer testar imunidade da população em Portugal

Cinco institutos de investigação científica da área de Lisboa e Oeiras (IGC, iMM, CEDOC-NMS, ITQB NOVA e iBET) criaram o consórcio Serology4Covid com o objetivo de implementar um ensaio serológico para covid-19

Lúcia Crespo lcrespo@negocios.pt 20 de Abril de 2020 às 10:54
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Cinco institutos de investigação científica da área de Lisboa e Oeiras (IGC, iMM, CEDOC-NMS, ITQB NOVA e iBET) criaram o consórcio Serology4Covid com o objetivo de implementar um ensaio serológico para covid-19. A iniciativa tem o apoio do Fundo de Emergência COVID-19 da Fundação Calouste Gulbenkian, da Sociedade Francisco Manuel dos Santos e da Câmara Municipal de Oeiras.

"A implementação de um ensaio serológico escalável e económico é essencial para perceber a expansão da imunidade na população e para suportar a implementação de novas estratégias para controlar a propagação e minimizar as suas consequências para a saúde, sociedade e economia", salienta, em comunicado, o consórcio formado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Instituto de Medicina Molecular (IMM), Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) da NOVA Medical School (NMS), Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB NOVA) e Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET).

"Cerca de 80% dos casos detetados de covid-19 têm sintomas leves e moderados (febre, tosse e cansaço). Estima-se que uma larga percentagem de casos - provavelmente até mais de 25% - poderão não apresentar quaisquer sintomas, apesar de permitirem a propagação da infeção. Os testes serológicos vão permitir reconstruir o passado e identificar quem esteve infetado com o vírus SARS-CoV-2, permitindo ter um panorama mais realista e completo do que se passou no país, para assim gerir melhor o futuro", refere o documento.

"É essencial desenhar ensaios serológicos específicos para a COVID-19, a um preço acessível, que possam ser utilizados à escala nacional em estudos epidemiológicos: é essa a nossa ambição" sublinha Mónica Bettencourt-Dias, diretora do Instituto Gulbenkian de Ciência.

"Estão a ser desenvolvidos protótipos em todo o mundo, mas são dispendiosos e muitos apresentam uma elevada percentagem de resultados que são falsos negativos e falsos positivos e é preciso ter um instrumento melhor e mais acessível a todos; é aqui que nós, cientistas, podemos contribuir", frisa Bruno Silva-Santos, vice-diretor do iMM. O objetivo é complementar a capacidade já instalada, aumentando a abrangência dos testes serológicos.

O iBET encontra-se a produzir os antigénios necessários para o desenvolvimento do ensaio. "A Unidade de Biológicos do iBET produz proteínas à escala piloto para a indústria farmacêutica em projetos de I&D e para fases pré-clínicas", refere Paula Alves, CEO do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica.

"Estamos a otimizar um ensaio, já adotado por alguns hospitais dos Estados Unidos, de modo a torná-lo ainda mais económico e autossuficiente. Este ensaio permitir-nos-á quantificar possíveis diferenças na produção de anticorpos entre portadores assintomáticos, casos ligeiros e casos mais graves, com importantes repercussões a nível da saúde individual e pública", aponta, por sua vez, Helena Soares, investigadora do CEDOC-NMS.

Neste primeiro passo, são necessários bioquímicos (ITQB-NOVA), engenheiros (iBET) e imunologistas e virologistas (CEDOC-NMS, IGC e IMM). O desafio seguinte será o de encontrar parceiros industriais no país para possibilitar a massificação dos testes, salienta o comunicado.

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