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Siza Vieira: É sobretudo a queda das exportações que explica a quebra do PIB

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse hoje que a quebra de 16,5% do PIB no segundo trimestre "confirma o que já se sabia", ou seja, "uma queda muito acentuada da atividade económica".

MANUEL DE ALMEIDA
Lusa 31 de Julho de 2020 às 12:21
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No trimestre em que se registou a maior queda de sempre do PIB português em termos homólogos face ao ano anterior, a queda em cadeia - relativamente ao primeiro trimestre do ano - foi de 14,1%, adiantou também o INE.

"É uma quebra de PIB que confirma aquilo que já se sabia, que nós tivemos nos meses de abril e maio uma queda muito acentuada da atividade económica, com uma quebra muito acentuada do consumo privado, uma quebra do investimento, mas sobretudo uma grande quebra das exportações. São estes fatores, sobretudo a queda das exportações que explicam a queda do PIB no segundo trimestre", disse Siza Vieira aos jornalistas.  

Esta quebra, segundo o ministro, também é explicada pelas quebras "muito significativas" em toda a zona euro, e particularmente para os países que são os maiores clientes das nossas exportações: Espanha, Itália, França, Alemanha.

"Todas tiveram quedas superiores àquelas que estavam estimadas. Como exportamos em grande quantidade para estes países é normal que também sejamos afetados nesta dimensão", disse.  

Ao contrário do que sucedeu em outros países, o governante sinaliza que a queda do PIB no segundo trimestre, está alinhada com as previsões que a comissão europeia divulgou no início de julho.

"Ou seja, nós temos uma quebra no segundo trimestre relativamente ao primeiro trimestre de 14,1%. Exatamente os mesmos 14% que a comissão europeia já antecipava", disse.

Segundo os dados agora conhecidos, continuou, a maior intensidade da contração económica verificou-se nos meses de abril e maio, e em junho, a economia já teve uma "ligeiríssima recuperação", disse.

"Vamos continuar atentos aos próximos tempos. É de esperar que neste trimestre já teremos um crescimento relativamente ao segundo trimestre. Vamos ver qual é o ritmo de crescimento da economia nestes próximos meses e até ao final do ano para tentar perceber qual será, no conjunto do ano de 2020, o impacto desta pandemia na economia", disse aos jornalistas.

"Quebra muito abrupta no segundo trimestre, recuperação no terceiro e no quarto trimestre, vamos ver a que ritmo", resumiu.

Questionado pelos jornalistas, Siza Vieira lembrou que o Governo, desde março, tem estado a adotar um conjunto de medidas para atenuar o impacto maior desta crise no emprego e na situação das empresas" e das famílias, referindo, sem especificar, que o executivo está a preparar novas medidas.

Durante os próximos meses, o Governo irá assim tomar medidas que visam, por um lado, continuar a apoiar as empresas relativamente ao alívio de um conjunto de custos importantes, continuar a apoiar o rendimento dos trabalhadores que perderam o emprego, dos trabalhadores independentes ou informais, que não têm acesso ao subsídio de desemprego, e continuar a manter o alívio relativamente ao sistema bancário e a outras situações.

Estes apoios, segundo Siza Vieira, têm como objetivo "permitir que a retoma se faça da forma menos dolorosa possível".

"Não ignoramos, contudo, que é provável que algumas empresas não consigam aguentar e que com isso haja um crescimento de insolvências e de desemprego", admitiu o ministro.

"Perante a magnitude da quebra da receita, todos os apoios públicos são insuficientes. Nós não conseguimos compensar as empresas, manter o nível das receitas das empresas àquele que anteriormente tinham. O que estamos a tentar fazer é disponibilizar às empresas portuguesas um conjunto e uma panóplia alargada de apoios que poderão escolher em função da sua situação específica", disse.

Em comunicado, o Ministério das Finanças lembrou também que a contração muito acentuada da economia no segundo trimestre se está verificar em todo o mundo e está em linha com a queda verificada nos nossos principais parceiros económicos como Espanha (22,1%), França (19%) e Itália (17,3%).

"Esta redução muito acentuada do PIB no segundo trimestre reflete o impacto provocado pela pandemia de COVID-19 e está associada ao período de maior recolhimento do estado de emergência, que vigorou entre 18 de março e 2 de maio, e das restantes medidas de proteção sanitária implementadas e consequente queda da atividade económica", refere.

Nas últimas semanas, acrescenta, "os indicadores económicos de alta frequência apresentam já sinais de uma recuperação progressiva da atividade económica".

 

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