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11 de setembro foi mais destrutivo depois do ataque

O 11 de Setembro foi, de longe, uma maior catástrofe em termos humanos do que económicos. As consequências imediatas para as finanças do país foram relativamente reduzidas e rapidamente compensadas.

11 de Setembro de 2011 às 00:01

11 de Setembro de 2001 é uma data que será sempre recordada pela brutal perda de vidas resultante dos atentados suicidas que destruíram o World Trade Center, uma fachada do Pentágono e quatro aviões comerciais. Mas um dos objectivos principais de Osama Bin Laden (entretanto abatido) passava por causar a ruína económica dos Estados Unidos, mais do que fazer vítimas. Uma década depois, verifica-se que os impactos mais consideráveis não aconteceram aquando dos atentados mas nos anos que se seguiram.

De entre os vários estudos que avaliaram o impacto económico dos atentados, um dos mais recentes, publicado no ano passado pelo Center for Risk and Economic Analisys, diz que o impacto do 11 de Setembro na economia norte-americana foi "efémero". De acordo com o documento, a economia perdeu entre 35 a 109 mil milhões de dólares (entre 25 a 78 mil milhões de euros). Uma cifra relativamente diminuta, que apenas equivale a entre 0,5 a 1% do PIB norte-americano.

Porém, as consequências do ataque não se ficaram pelo ataque. Aliás, o pior estava para vir depois. De acordo com um artigo de opinião de Ezra Klein, no "The Washington Post", o problema dos Estados Unidos - e era com isso que Bin Laden contava - é não gostar de perder. "As superpotências são tão alérgicas à derrota que vão sozinhas à falência para tentar conquistar um monte de pedras e areia".

Conquistar um monte de pedras e areia é uma metáfora para as guerras em que os Estados Unidos se envolveram, quase de imediato. Primeiro no Afeganistão, depois no Iraque. "Os ataques foram um acto de guerra", disse o então presidente George W. Bush, a 12 de Setembro de 2001. Os conflitos - ainda hoje latentes - já tiveram um custo enorme para a economia norte-americana. O Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, calcula que a intervenção no Iraque vai ter, sozinha, um custo de três biliões de dólares (2,15 biliões de euros). Ezra Klein estima que a guerra no Afeganistão custe entre um a dois biliões e, a tudo isto, há que somar os avultados investimentos na segurança interna, algo que custou outro bilião.

Como triplicar a dívida em dez anos

No final de 2001, a dívida pública norte-americana era de 5,7 biliões de dólares. Já este ano, o endividamento americano foi um dos principais temas do Verão. O país aumentou, à última hora, o limite da dívida, que já ia em 14,3 biliões de dólares, acrescentando-lhe 2,1 biliões. Contas feitas, o limite de endividamento do país é agora de 16,4 biliões (11,7 biliões de euros), quase três vezes mais do que há dez anos atrás.

As guerras deram um contributo importante, mas não são as únicas culpadas. A 15 de Julho, na célebre conferência de imprensa em que Obama disse que os EUA não eram Portugal, o presidente explicou o estado actual das contas. "Acontece que o nosso problema é termos baixado impostos sem os termos pago na última década; instituímos novos programas, como a prescrição de medicamentos para os idosos, que não foram pagos; lutámos em duas guerras, não as pagámos; tivemos uma dura recessão que originou um programa de estímulos e ajuda aos estados - e no cimo de tudo isso, há a questão dos juros".

De acordo com um estudo submetido ao Congresso em 2002, uma das áreas mais afectadas pelos ataques terroristas foi a dos seguros. As seguradoras tiveram que desembolsar cerca 28 biliões de euros e, a partir daí, começaram a limitar a cobertura de actos terroristas. As pequenas empresas também sofreram. 18 mil foram "deslocadas, suspensas ou destruídas" por causa dos atentados. Houve 462 "lay-off" em massa e 130 mil trabalhadores deslocados, em consequência.

Um país (já) em recessão

A verdade é que, apesar de estes eventos terem originado despesa adicional para os cofres americanos, não foram eles os responsáveis para a entrada numa recessão. O estudo de 2002 atrás referido, da autoria de Gail Makinen, um especialista em Política Económica do Congressional Research Service, conclui que, depois de a economia americana ter estado a crescer a "um ritmo insustentável" - 3 a 5% ao ano - entre 1999 e o segundo semestre de 2000, começou a "arrefecer". A Reserva Federal apertou a concessão de crédito a aumentou os juros de 5 para 6,5%. Como resultado, o PIB começou a cair - e a recessão instalou-se logo no primeiro trimestre de 2001. No terceiro trimestre, quando ocorreram os ataques, a economia americana contraiu 0,3%.

Apesar das perdas nos mercados - apenas recuperadas em 2008 (ver texto de baixo), a reacção da Fed para evitar o pânico foi imediata: em cada um dos três dias seguintes ao ataque, injectou 100 mil milhões de dólares no sistema financeiro. E não se ficou por aqui: após os ataques, baixou por quatro vezes a taxa de juro de referência. Se em Janeiro de 2001 a taxa era de 6,5%, depois das reduções fixou-se nos 3,5%.

O estudo conclui que há duas lições a retirar: "os ataques provam a resiliência da economia norte-americana" e "o 11 de Setembro deve ser visto como uma tragédia humana e não uma tragédia financeira". Mas em última análise, recorda Joseph Stiglitz, a "política monetária muito pouco restritiva" e facilitadora do crédito levou ao rebentamento da bolha imobiliária no país em 2007 e 2008, que arrastou o mundo para a recessão.

A importância geoestratégica dos EUA também foi beliscada. "Recursos que podiam ser utilizados para aumentar a capacidade produtiva do país serão usados na segurança", diz o estudo. As economias emergentes afirmaram-se numa década em que os EUA se endividaram. Maria Sousa Galito, especialista em Ciência Política, faz a análise: "o mundo caminha infelizmente para um pântano onde as potências habituadas a liderar estão a ter mais dificuldades em recuperar posições que outras mais assertivas e pujantes como a China". O Negócios contactou vários economistas norte-americanos, que, porém, se recusaram a estimar os impactos económicos destes ataques, por considerarem tratar-se de "um tema sensível".

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