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Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

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Empresas portuguesas na defensiva

Conter despesa, assegurar rácios e lutar contra a concorrência dominam as estratégias das empresas portuguesas em 2009. O Negócios seleccionou um leque de empresas que estarão em destaque este ano, às quais 2009 coloca diferentes desafios. Veja aqui quais.

07 de Janeiro de 2009 às 11:32

A táctica é um 4-4-2 defensivo e, além de 11 “jogadores”, o escalonamento poderia chegar para um plantel inteiro, antes das dispensas. Mas fiquemos por 11. O “mister” Negócios seleccionou um leque de empresas que estarão em destaque este ano, às quais 2009 coloca diferentes desafios. Curiosamente, umas têm por missão defender-se, outras, por obrigação ou vocação, tentarão ser o “pulmão” da economia e outras vão continuar “attackers”, independentemente da crise. Concluído isto, vamos à gíria.

Na baliza da economia nacional teremos a Autoeuropa, símbolo do tão desejado investimento directo estrangeiro. Com um elevado peso nas exportações e no emprego, a fábrica de Palmela procurará que a actual crise do sector automóvel fique fora das suas redes e, por arrasto, dos milhares de pessoas que emprega e dezenas de fornecedores de componentes que alimenta. À sua frente, na linha defensiva, o plantel apresentava várias soluções por onde escolher, já que 2009 será um ano onde muitas empresas nacionais jogarão mais recuadas.

Pôr os custos em fora-de-jogo, estratégia que as empresas já começaram a ensaiar em 2008, será o pilar da táctica desta equipa. Entre o quarteto escolhido, caberá à TAP dar o exemplo. A companhia aérea terá atingido perdas de quase 200 milhões em 2008, fruto dos vários cartões amarelos que foi acumulando com os combustíveis, o que prejudicou fortemente a sua evolução, tendo, quiçá, hipotecado temporariamente as suas hipóteses de chegar à “Selecção A” de privatizáveis. Mas as incertezas do petróleo são também a incógnita com que se depara a Galp, que, na defesa, terá ainda a companhia da REN e da PT. Nas empresas das “escolas” da energia, a opção passará pela procura de investimentos, mas sempre com a remuneração em vista. A REN, aliás, e como bom lateral, está disponível para lançar ofensivas no ano.

Outra empresa da mesma escola, e já no meio-campo, é a EDP, que aposta na distribuição de dividendos, ainda que deva actuar este ano um pouco atrás da linha de meio-campo, sem tentar ataques. Ainda no meio do terreno caberá à CGD o papel de “pulmão”, ou não fosse este banco o braço-armado do Governo. Ao seu lado terá o BES, numa versão “João Moutinho”, preocupado com rácios de capital ao invés de convites do Everton. Dar apoio à economia, sem tirar os olhos de uma ou outra abertura ofensiva, será a sua missão. A criação de “holdings” em cada um destes bancos poderá ajudá-los a “fintar” a crise e a aliviar a pressão. Quanto à Sonae, depois de uma péssima época de 2008, apostará este ano na (re)construção do seu próprio jogo.

No ataque, o “mister” decidiu-se pela Zon e pela Brisa. Por motivos diferentes. Se 2009 pode ser o ano da fusão entre a dona da TV Cabo e a Sonaecom, criando assim um dos jovens jogadores mais completos, a operadora deve também ser a única na corrida ao quinto canal e ainda lançar-se na internacionalização. Já a Brisa será chamada a responder a várias oportunidades. Novas concessões rodoviárias, o novo aeroporto e a alta velocidade são as zonas do terreno de onde Vasco de Mello espera poder festejar um golo ou até, quem sabe, um “hat-trick”... Mas os accionistas da empresa rezam apenas para que a Brisa não se transforme num Nuno Gomes.

À baliza

Andreas Hinrichs - Director-geral da Autoeuropa

Autoeuropa com a responsabilidade de proteger quase dez mil empregos

O investimento está garantido. Aliás, foi garantido em Março de 2007, quando a Volkswagen anunciou que iria investir na Autoeuropa mais de 500 milhões de euros num prazo de cinco anos. Desde então, a fábrica de Palmela mudou de director-geral, devido a uma relação difícil com os trabalhadores, e garantiu um financiamento de 250 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento. Sinais que consolidam o investimento directo estrangeiro em Portugal.

À sua guarda, a Autoeuropa tem uma responsabilidade laboral pesada, uma baliza de quase dez mil postos de trabalho: são três mil empregos directos, outros três mil no parque de fornecedores da fábrica e ainda alguns milhares de empregos indirectos na região pelo desenvolvimento económico aí gerado. Além disso, ao vender para o exterior mais de 98% do que produz, a Autoeuropa está na lista das maiores empresas exportadoras do País. O volume de vendas da fábrica de Palmela ascendeu, em 2007, a 1,6 mil milhões de euros.

Contudo, no futebol há guarda-redes a quem um bom par de luvas não chega para manter a baliza inviolada. Financeiramente bem preparada para os próximos anos, a Autoeuropa tem em 2009 alguns desafios importantes. E o primeiro é conseguir manter o nível produtivo de 2008.

A fábrica de Palmela tinha conseguido em 2007 aumentar a produção em 14%, para 93.609 carros, mas, em 2008, o crescimento pode ser bem mais tímido, atendendo aos dados disponíveis até Novembro (89.636 unidades produzidas). No mercado europeu, os últimos meses têm sido marcados por fortes quedas das vendas de carros e as previsões não apontam para nenhuma melhoria em 2009, o que continuará a penalizar a generalidade dos fabricantes.

Para a Autoeuropa, levar os seus produtos mais recentes, o Eos e o Scirocco, para novos mercados de grande consumo, como os Estados Unidos da América, a China ou o Brasil, pode ser uma estratégia capaz de ajudar a combater a crise instalada no mercado. Depois de, em Dezembro, a fábrica de Palmela ter assinado com os trabalhadores um novo acordo laboral, válido até 2010, a boa notícia que 2009 poderá trazer é o anúncio dos próximos modelos a produzir pela Autoeuropa. Algo que só teria efeito a partir de 2010, mas seria garantia de emprego por mais uma década.

À defesa

Fernando Pinto - Presidente executivo da TAP

Crise obriga TAP a moderar crescimento e a reduzir ainda mais os custos

O ano de 2009 será ainda mais exigente para a TAP. A estratégia atacante até agora adoptada pela transportadora aérea teve um revés. Retirar a companhia do vermelho, reduzir os custos e prepará-la da melhor forma para a já muito anunciada privatização são apenas alguns dos desafios apresentados à administração de Fernando Pinto. Assim, em vez de uma estratégia atacante de crescimento, a TAP apresenta-se este ano à defesa.

A companhia aérea não só não conseguiu manter os lucros de 2007 no ano que agora terminou, como previsivelmente cairá para perdas de quase 200 milhões. Fernando Pinto confessou que será difícil reequilibrar as contas em 2009, mas, mesmo assim, a administração tem em carteira várias medidas que visam ajudar a chegar mais próximo deste objectivo. Com um orçamento conservador para este ano, Fernando Pinto está a tentar pôr em marcha algumas iniciativas preventivas de forma a proteger a companhia da tão anunciada crise. A transportadora cancelou a encomenda de oito A320, uma opção de compra que tinha junto da Airbus. Dando prossecução a iniciativas que arrancaram no ano passado, no sentido de poupar custos, a administração da TAP está a tentar chegar a acordo com os trabalhadores, no sentido de alterar os Acordos Empresa, uma tarefa que até agora não se tem mostrado fácil. As negociações foram de tal forma complexas que os tripulantes acabaram por fazer um pré-aviso de greve para as vésperas do Natal e Ano Novo, que só foi retirado após a intervenção do Governo. Uma situação que não terá deixado Fernando Pinto muito confortável. Mesmo assim, a administração da TAP assegurou que dará continuidade às conversações no início deste ano, sob a monitorização da tutela. O CEO da TAP chegou a dizer que as medidas do foro laboral sugeridas pela administração seriam fundamentais para ajudar na recuperação da empresa, prevendo atingir poupanças na ordem dos 30 milhões de euros. A recuperação da empresa de “handling”, Groundforce, e a venda de uma parte da brasileira VEM Engenharia & Manutenção também são duas iniciativas que transitaram para 2009 e que poderão ajudar as contas.

Este ano será igualmente marcado pelo fim do mandato de Fernando Pinto à frente da TAP. A sua permanência na companhia ainda é uma incógnita. ATP

Zeinal Bava - Presidente da Portugal Telecom

PT na defesa do seu mercado e do balanço

A Portugal Telecom tem em 2009 muitos desafios pela frente, sendo um dos principais defender o seu território em Portugal e reforçar a sua diversificação geográfica. Espera-se da Portugal Telecom um ano de investimentos dentro de casa, com o desenvolvimento da televisão digital terrestre e de redes de nova geração, que serão importantes para a concorrência no segmento de televisão com a Zon. E de compras fora de casa, ainda que 2009 possa não ser um ano propício a aventuras. No entanto, comprar nesta altura de crise pode significar pagar menos. Mas espera-se que 2009 possa trazer novidades a este nível, devendo também continuar-se à espera de uma definição em relação à parceria brasileira com a Telefónica. Que pode ainda determinar a entrada no segmento fixo no Brasil, através da presença no operador brasileiro que resultará da fusão da Oi com a Brasil Telecom.

O ano vai começar cedo. Já em Janeiro será assinado o compromisso para o investimento na rede de fibra óptica. O que acontecerá com a administração à espera da reeleição. O mandato do actual conselho, liderado por Henrique Granadeiro e que tem como presidente executivo Zeinal Bava, terminou a 31 de Dezembro, sendo a próxima assembleia geral de accionistas electiva. Se a continuação de Zeinal Bava não está em discussão, a decisão está, no entanto, pendente em relação a outros vogais, havendo lugares executivos por preencher. Para a próxima administração fica ainda a decisão da remuneração accionista a seguir. 2009 é o último ano do pagamento dos dividendos prometidos na defesa da OPA (Oferta Pública de Aquisição) da Sonaecom. E, face aos níveis de capitais próprios e de endividamento que a PT apresenta actualmente, aguarda-se, no mercado, com expectativa, o futuro nesta componente, sendo certo que a PT não vai arriscar oferecer uma remuneração muito abaixo dos pares. O problema é que o grupo não deve endividar-se mais para pagar dividendos, sob pena de ter de recusar algum bom negócio. Aumentar o capital parece ser uma solução difícil, dado o momento do mercado. Finalmente, a possível sentença contra o Estado português em relação à “golden share” que detém na PT pode trazer novidades no capital da empresa.

Manuel Ferreira de Oliveria - CEO da Galp Energia

Galp à espera de novas descobertas petrolíferas

O ano que agora começa está repleto de incertezas. Para qualquer agente do mercado é ainda uma incógnita saber qual será a evolução do preço do barril de petróleo em 2009. No período de 2008 a 2012, a Galp Energia tem previsto um investimento global de 5,3 mil milhões de euros, sendo 56% para a refinação e distribuição, 26% para a exploração e produção e 18% para a unidade de gás e electricidade. O plano que a empresa liderada por Manuel Ferreira de Oliveira traçou para 2012 assenta numa política estável de dividendos.

A mesma estabilidade deverá continuar nas parcerias que a Galp já tem. Em Dezembro, a petrolífera portuguesa garantiu a concessão de oito blocos petrolíferos no Brasil, todos com a Petrobras. O resultado obtido nessa licitação, comentou Ferreira de Oliveira, “reitera a aposta da Galp Energia na área de exploração e produção, nomeadamente em áreas de elevado potencial, como é o caso do Brasil”. “Mais uma vez, a Galp Energia e a Petrobras apresentam-se em parceria, o que demonstra claramente a confiança e robustez das relações entre as duas empresas”, acrescentou o presidente da Galp.

O Brasil continuará a ser um escudo importante na defesa da estratégia da Galp de estar presente na exploração, até porque o poço de Tupi, onde o seu consórcio com a Petrobras descobriu importantes reservas de petróleo, se mostrou um bom tónico para as acções da Galp. Mas 2009 reserva outro desafio. Este ano, a Galp fará o primeiro de uma série de leilões de gás que ocorrerão até 2011.

Por outro lado, a Galp tem uma estrutura accionista delicada. Com um terço do capital nas mãos da italiana ENI e outro terço controlado por Américo Amorim, o próprio acordo parassocial impede, nas suas muitas cláusulas, que alguém vá além dos 33,34%. Américo Amorim já se mostrou disponível para comprar mais. Note-se que este ano deve concretizar-se uma nova fase da privatização da Galp, com o Estado a vender uma fatia de 7%, que ainda detém na petrolífera. Sobre a evolução da estrutura accionista, a posição de Manuel Ferreira de Oliveira tem sido um silêncio... defensivo.

José Penedos - Presidente da REN

REN reforça garantias para ser “título-refúgio”

A REN – Redes Energéticas Nacionais tem sido apresentada pelo seu presidente, José Penedos, como um “título-refúgio” para quem investe na bolsa. E para 2009 a empresa tem no seu plano de negócios algumas premissas que tornam, à partida, o seu negócio defensivo.

Em meados de Dezembro, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) determinou que, em 2009, a REN terá 9,05% de taxa de remuneração sobre os seus novos investimentos. Um retorno que representa um aumento significativo face à taxa de 7,55% que lhe foi concedida para os investimentos já em curso. No anúncio de 15 de Dezembro, o presidente da ERSE, Vítor Santos, explicou que “a fixação de um prémio para os novos investimentos superior àquele que irá vigorar para os investimentos em exploração reconhece o incentivo para uma gestão mais eficiente e uma economia de custos a favor do sector eléctrico, com repercussões directas na redução da factura dos consumidores”.

Com garantias acrescidas para o futuro, a REN decidiu antecipar para 2011 a conclusão do plano de investimentos que estava feito para 2014, no valor de 1,4 mil milhões de euros. Mas o lugar “recuado” da empresa liderada por José Penedos não se explica unicamente pelas características defensivas que proporciona aos accionistas. A REN poderá também apresentar-se em 2009 como um pilar da estratégia do Governo em matéria de energias limpas. “O grande esforço da REN vai ser feito a preparar a rede eléctrica nacional para receber a nova produção de energia renovável”, disse José Penedos. “Também estamos disponíveis para reagir com novos projectos a uma eventual antecipação da concretização do plano nacional de barragens”, acrescentou.

Em todo o caso, à semelhança do que acontece numa equipa de futebol, a REN tenciona também dar uma ajuda no ataque e marcar golos. José Penedos já disse que a empresa tem “condições para melhorar o dividendo”, que deu a cada accionista 16,3 cêntimos em 2008. Por outro lado, ao reforçar os seus investimentos em 2009, a REN pretende dar sinais de que também ela está empenhada em combater a crise económica. “Admitimos um reforço desse investimento para demonstrar que a REN não é alheia à solicitação de contribuição para contrariar os efeitos da crise”, disse há semanas José Penedos.

No meio-campo

Ricardo Salgado - Presidente executivo do BES

BES tenta aliviar rácios sem reforçar capital

O reforço dos rácios de capital do Banco Espírito Santo era um dos principais desafios da instituição liderada por Ricardo Salgado ainda antes do agudizar da crise financeira internacional. Mas tornou-se uma questão prioritária depois de vários países europeus, entre os quais Portugal, terem aumentado as exigências mínimas que os bancos têm de cumprir. Até Setembro próximo, o sistema financeiro tem que alcançar um nível de adequação dos fundos próprios de base (“tier one”) de pelo menos 8%.

No final do terceiro trimestre do ano passado, o “tier one” do BES fixava-se em 6,3%. Tendo em conta o valor dos seus activos, os analistas calculam em cerca de mil milhões de euros as necessidades adicionais de fundos próprios da instituição. Capital que o banco está a tentar libertar sem pedir aos accionistas para injectarem mais recursos no grupo.

Uma das medidas que estão a ser preparadas é a criação de uma “holding” para concentrar as principais participações financeiras da instituição (PT, Bradesco e EDP), em que o BES manteria uma posição de controlo mas em que uma parte do capital seria colocada junto de investidores institucionais e particulares. Além disso, a equipa de Ricardo Salgado admite avançar com a venda de alguns activos, cenário que está ainda a ser equacionado.

No entanto, segundo os analistas, estas medidas não são suficientes para que o banco consiga cumprir as novas regras do Banco de Portugal (BdP). Um relatório do Caixa Banco de Investimento (CaixaBI), divulgado em Dezembro, refere as várias alternativas que o BES terá em cima da mesa. E até defende que o grupo necessitará de adoptar um leque alargado de medidas, que podem ir desde a suspensão do pagamento de dividendos à emissão de acções preferenciais. Isto além de calcular o impacto positivo que resultará da adopção de novos métodos de avaliação de riscos, no âmbito da entrada em vigor das regras de Basileia II, cuja validade está dependente da autorização do BdP.

Independentemente da pressão a que estão sujeitos os rácios de capital, o BES deverá continuar a beneficiar da exposição a mercados internacionais que têm evidenciado maior capacidade de resistência à crise internacional, como o Brasil ou Angola.

Paulo Azevedo - Presidente do grupo Sonae

Sonae redefine perfil de investimento

Paulo Azevedo chegou à liderança do grupo Sonae em 2007 e apanhou com a pior crise financeira desde a Grande Depressão, o que dificulta a vida de uma empresa que tem muita dívida no seu balanço. Mas não deixou de ir às compras. Para 2009, o desafio não pode ser diferente. Crescer nas áreas principais, através de aquisições ou organicamente, e encontrar novas áreas de investimento, no ano em que se aguarda que a Sonaecom possa realizar a fusão com a Zon (ver texto sobre esta empresa no ataque), já que essa parece ser a escapatória da Sonaecom num mercado cada vez mais “duopolizado”. A Sonaecom tem um trunfo importante – deter um operador móvel.

O presidente do grupo, Paulo Azevedo, também já falou da possibilidade de o grupo Sonae criar uma nova “holding” para outros negócios. “Não é uma coisa de curto prazo, quer porque requereria outra preparação, outro tipo de ‘holding’, quer porque também não é o momento, em termos financeiros, para estar a fazer grandes investimentos, para além dos que temos previstos, que são bons, e que queremos fazer nos nossos negócios”, declarou. Em 2009 poderemos ver movimentos da Sonae tendentes a integrarem a nova “holding”. Sempre com uma forte presença internacional.

No entanto, tem de olhar para formas de reduzir o endividamento para se preparar para o futuro. Tem a vantagem de não precisar de se alavancar para ter de remunerar os accionistas fortemente, como se espera de empresas com um capital mais fragmentado. A família Azevedo domina o capital e, aliás, tem vindo a reforçar. Aproveitando a queda das acções. A Sonae foi das empresas mais penalizadas em bolsa no ano passado. Talvez por isso a Sonae seja vista como uma das empresas com maior potencial de crescimento em bolsa para 2009. Belmiro de Azevedo habituou o mercado a aproveitar todas as fases das bolsas, aproveitando os bons e os maus momentos.

Faria de Oliveira - Presidente da Caixa Geral de Depósitos

CGD posta à prova como braço armado do Estado

Nos próximos meses, a capacidade da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de actuar como braço armado do Estado na dinamização da economia vai ser posta à prova. Se em 2008 o banco público foi obrigado a assumir a gestão da primeira instituição financeira a ser nacionalizada 35 anos depois do 25 de Abril e a colaborar no empréstimo-socorro ao Banco Privado Português, nos próximos meses ver-se-á o seu talento para continuar a financiar as pequenas e médias empresas (PME) num contexto de escassa liquidez e de crescente incumprimento de crédito.

Se até a banca privada tem sido criticada por alegadamente estar a travar o crédito à economia, a actuação da CGD não deixará de estar no centro das atenções dos agentes económicos. É que sendo o banco do Estado espera-se que, no mínimo, sirva de exemplo ao resto do mercado. E que esteja acima das críticas a que até o Governo tem dado voz.

O expectável reforço da actuação da Caixa como dinamizador da economia não deixará, no entanto, de se debater com outras fontes de pressão. Até porque os recursos da CGD não são ilimitados. Aliás, foi precisamente para aliviar a pressão sobre os rácios de capital que o banco público constituiu, no final do ano passado, uma “holding” para agregar as suas participações financeiras, em que a Parpública terá uma posição de 49%, e prevê fazer um aumento de capital de mil milhões de euros ao longo deste ano. É que, tal como o resto do sector, a instituição vai ter que alcançar um “tier one” (rácio de adequação dos fundos próprios de base) mínimo de 8% até Setembro, indicador que no final do terceiro trimestre do ano passado estava nos 6,6%.

Além das necessidades de capital, a Caixa continuará ainda a estar sobre pressão para, no mínimo, manter um desempenho financeiro que lhe permita continuar a pagar ao Estado um nível de dividendos que ajude a equilibrar as contas públicas. MJG

Na frente de ataque

Rodrigo Costa - Presidente da Zon

O ano da fusão da Zon com a Sonaecom?

Muito se tem falado da possível fusão da Zon com a Sonaecom. A Sonae já mostrou toda a sua disponibilidade e mantém a posição de que faz sentido. A Zon tem rejeitado. Mas o tempo pode conduzir mesmo à fusão. O mercado português de telecomunicações não tem dimensão para tantas operadoras globais e as duas empresas encaixam. O ponto forte da Sonaecom é a operação móvel da Optimus, algo que a Zon não tem. No entanto, se inicialmente se falava de uma OPA da Sonaecom sobre a Zon, começa-se agora a pensar na compra da Sonaecom pela empresa de Rodrigo Costa. A relação de forças alterou-se e Rodrigo Costa, mais do que um gestor, vestiu a pele de empresário. E não pára. A cada mês torna-se mais forte. Já em Janeiro deve apresentar-se como candidato único a uma licença para o quinto canal de televisão, que não lhe deve escapar. Também está em melhor posição para conquistar os accionistas pela via da remuneração. O endividamento é baixo. Espera-se também que, em 2009, a Zon arranque com a sua internacionalização. O que deve acontecer por África e através de uma oferta de televisão por subscrição via satélite. Mas 2009 não será apenas um ano de ataque para a Zon. A empresa terá, também, de se defender dentro de casa, dos avanços da PT no seu segmento forte – a televisão.

Vasco de Mello - Presidente da Brisa

Brisa envolvida em várias frentes

O grupo liderado por Vasco de Mello promete estar em 2009 em várias frentes de ataque. Além dos concursos para as novas concessões rodoviárias, a Brisa pretende ainda participar quer na privatização da ANA e construção do novo aeroporto de Lisboa, quer no projecto da Alta Velocidade, no âmbito da estratégia de diversificação de negócios no mercado nacional que assumiu. O consórcio que lidera com a Soares da Costa passou, com a pontuação mais alta, à fase de negociações no concurso para a construção do troço Caia/Poceirão, da linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, que será adjudicado este ano. O agrupamento participará agora nos concursos que serão abertos para os restantes troços. A Brisa integra também um consórcio para o novo aeroporto, cujo concurso o Governo tenciona lançar ainda neste primeiro trimestre. Autorizada no final do ano passado pelo Executivo a transferir a concessão principal para uma sociedade-veículo, sob uma “holding”, a empresa pode agora separar os seus activos. Esta antiga reivindicação do grupo dar-lhe-á margem para subir dívida, ultrapassando um constrangimento que estava, segundo Vasco de Mello, a penalizar o seu crescimento.

As escolhas dos leitores

Empresas de energia em destaque

A Galp, a EDP Renováveis e a EDP foram as escolhas dos leitores para os destaques de 2009. Mas há outras que, não tendo sido as mais escolhidas, foram igualmente muito nomeadas. É o caso da Sonae, Jerónimo Martins, Cimpor, Mota-Engil e Portucel.

O repto aos leitores foi lançado. E entre a brincadeira – “as tipografias para fazerem panfletos para as campanhas eleitorais” – e a chamada de atenção de que as escolhas deviam ser feitas pelos analistas, a escolha dos leitores recaiu sobre um sector em particular – a energia. Mas com bastantes referências à construção e cimentos, devido ao programa de investimentos do Governo. São muitos milhões a serem distribuídos por estas empresas.

Na energia, a Galp será, segundo os leitores do Negócios, a empresa em destaque. A principal razão é o preço do petróleo. Os baixos valores a que chegou o crude “serão temporários, pelo que as recentes concessões, que correm o risco de serem pouco lucrativas a preços de crude actuais, poderão ter o devido retorno se a matéria-prima valorizar”, explica Filipe Quirino, que adverte para o facto de ter acções desta empresa. José Matos Fernandes acredita, mesmo, que o fundo da cotação do petróleo vai ser entre os 25 e os 40 euros. Acreditando-se que o petróleo volta a subir, as acções da Galp podem, também elas, voltar a subir. Também porque domina toda a cadeia de valor associado ao petróleo, com expectativas de boa valorização com as novas descobertas de petróleo. Pedro Macedo fala, por exemplo, das “últimas descobertas de crude e gás já garantidas em Angola e Brasil, e não tidas em conta em valor de bolsa”. Pelo menos dois leitores falam ainda “dos fundamentais bons” da Galp, que podem ser reforçados à medida que se for saindo da crise económica, com o aumento do consumo de combustíveis.

O facto de ter investido em renováveis não passa despercebido. Uma actividade, aliás, que leva outra parte dos leitores a apostar na EDP Renováveis para o destaque de 2009. Uma das razões é o petróleo. A oscilação de preços, que pode voltar a valores altos, dará “grandes oportunidades de crescimento às renováveis, com a economia a pressionar este sector para obter resultados”, diz Ângelo Alves. Na EDP Renováveis aplaude-se, ainda, o facto de esta ser uma empresa global e “virada para o futuro”, segundo Henrique Silva. Mas há quem veja nesta empresa “a confirmação do ‘bluff’ que foi em 2008”. Nas outras empresas várias são as razões apontadas. Até há quem preveja uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) do BPI sobre o Millennium bcp, com valores e tudo... 2,6 euros.

J. Martins

Tem um gestor [Luís Palha] que merece essa designação.

EDP Ren.

É uma empresa sólida e virada para o futuro.

Mota-Engil

Com as obras públicas a terem que ser efectuadas, com a aproximação de eleições e porque na direcção está um ex-líder do PS com uma grande influência no Governo.

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