Em dia de votação, todos medem forças para chegar à 2.ª volta
Cerca de uma centena de rostos da direita assinaram manifesto em defesa de Gouveia e Melo. Mendes viu Rui Moreira defendê-lo e avisar que quem quer fazer oposição interna no PSD deve fazê-lo em congresso. Já Seguro quer navegar “onda de esperança”.
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Domingo foi dia de voto antecipado e boa parte dos candidatos aproveitaram a deixa para pedir a abstencionistas e indecisos que não deixem de ir às urnas já que podem fazer a diferença. No mesmo dia em que uma centena de rostos da direita tornaram público um manifesto de apoio a Gouveia e Melo e em que Rui Moreira, apoiante de Marques Mendes, avisou que quem quer fazer oposição interna no PS deve fazê-lo em congresso.
O atual chefe de Estado votou antecipadamente em Lisboa - um dos cerca de 200.000 eleitores que se registaram para o efeito - e sublinhou a importância de os portugueses poderem recorrer ao voto antecipado: “É um contributo fundamental para o avanço em democracia” e uma porta aberta para “renovar”. “Pode fazer a diferença. Pode ser por um, dois, três votos que ganha um ou outro”, frisou Marcelo Rebelo de Sousa.
Em Vila Real, Gouveia e Melo foi questionado sobre se aceitaria o apoio do primeiro-ministro Luís Montenegro, depois de dia 18, e afirmou que aceitará apoios de partidos se passar à segunda volta, mas recusará ser condicionado, e manifestou-se contra “o voto útil partidário” na primeira volta.
"A Presidência da República é um elemento de equilíbrio na nossa Constituição e não deve ser partidarizado. E o que nós estamos a assistir é uma partidarização da presidência", declarou aos jornalistas o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, em Chaves, momentos antes de partir para Ponte de Lima, onde terá a sua última ação de campanha do dia.
Já Marques Mendes, que esteve em Ovar, voltou a apelar ao voto dos indecisos nas eleições de dia 18, pediu que escolham quem está “mais bem preparado” e tem “maior experiência”, e intitulou-se o candidato da estabilidade. “Estamos a iniciar a última semana de campanha e o meu foco está concentrado em muitos portugueses que ainda não sabem em quem votar, aquilo que se chamam indecisos. Ainda é uma percentagem muito significativa, que pode alterar tudo”, frisou. A ajudá-lo teve o ex-autarca do Porto, Rui Moreira, que avisou que quem quer fazer oposição interna no PSD deve fazê-lo em congresso e respondeu a Cotrim de Figueiredo, que acusou de “soberba” e “arrogância”. Cotrim, esse, depois de ter iniciado a manhã em Setúbal dizendo ser “muito grave” que o PSD pressione militantes a votarem em Mendes, rumou a Lisboa para almoçar com o embaixador dinamarquês e onde afirmou que as ameaças dos EUA à Gronelândia podem ser “sentença de morte” da NATO.
Já António José Seguro, candidato apoiado pelo PS, esteve em Aveiro onde disse querer navegar uma “onda de esperança” e, mais tarde, durante um almoço, alertou que os “inimigos da democracia” prometem um mundo novo, mas se vencerem as eleições trarão “um mundo velho” que não chegaria com um golpe militar, mas destruindo as instituições por dentro.
Num discurso no final de um almoço com apoiantes num hotel no centro de Aveiro, o candidato presidencial deixou vários alertas sobre uma "democracia com menos qualidade e com uma espessura muito fina", e para um "Estado a abrir fendas e uma sociedade a deslaçar".
André Ventura, do Chega, esteve no antigo Cavaquistão onde falou junto à estátua de Francisco Sá Carneiro, tomou café e comprou viriatos sem que a chuva largasse o dia de campanha. Assegurou que quer fazer “uma campanha elevada” de forma a “discutir as causas e os problemas do país”.
Em declarações aos jornalistas antes de uma arruada em Viseu, o também presidente do Chega recusou uma campanha em que os adversários passem o tempo a falar "mal uns dos outros" e considerou que "ninguém quer" isso.
"Eu quero fazer uma campanha elevada, discutir as causas e os problemas do país. É isso que eu quero e acho que as pessoas querem isso", disse, rejeitando uma campanha em que esteja a falar do que pensa de António Costa, Gouveia e Melo, Seguro ou Marques Mendes -- figuras políticas que tem criticado ao longo da campanha.
A candidata com o apoio do BE, Catarina Martins, esteve em Coimbra onde assinou uma garrafa de vinho, mexeu o tacho do almoço e comprou tangerinas para apoiar produtores locais.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita aos Mercadinhos da Margem Esquerda, em Coimbra, Catarina Martins comentou a aprovação, na generalidade, do pacote de habitação proposto pelo Governo, que passou com o apoio do PSD, CDS-PP e IL, e com a abstenção do Chega.
"Toda a direita está a dizer ao país que acha normal dar borlas fiscais a rendas que são muito superiores aos salários praticados em Portugal. Isto é questão de regime. O que é que vão fazer os vários candidatos à Presidência da República?", questionou.
Acabou por se cruzar com o candidato André Pestana, que na mesma cidade disse querer o Exército a combater incêndios e matas limpas no inverno.
Quanto a António Filipe, apoiado pela CDU, esteve em Lisboa onde defendeu que o voto antecipado é “útil” e “positivo”. O candidato teve o apoio do secretário-geral do PCP, que disse que a candidatura de António Filipe à Presidência da Republica é assumidamente de esquerda, sem rodeios nem disfarces, com "zero compromissos" com a política de direita e a que "não desiste".
Já Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, acusou os candidatos à direita de terem como única motivação "saber onde está" e quem apoia Pedro Passos Coelho nestas eleições, em vez de se preocuparem com os portugueses.
"Eu estou quase preocupado com Pedro Passos Coelho, porque parece que os candidatos à direita andam todos à sua procura. Eu não sei se alguém sabe onde é que ele está, se já o encontraram. Parece que a única coisa que motiva os candidatos à direita é saber onde é que está Pedro Passos Coelho e ao lado de quem é que estará", afirmou.
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