FMI "instala-se" em Luanda para apoiar governo na reestruturação do sistema financeiro
O director geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Takatoshi Kato, disse hoje em Luanda que vai enviar para Angola um representante residente para apoiar o país na reestruturação do seu sistema financeiro.
O director geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Takatoshi Kato, disse hoje em Luanda que vai enviar para Angola um representante residente para apoiar o país na reestruturação do seu sistema financeiro.
Em declarações aos jornalistas após uma audiência com o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, o responsável do FMI mostrou-se satisfeito por Angola ter já aplicado o "sistema opcional do mercado cambial internacional" e também pela aprovação recente do Orçamento Geral do Estado para 2010.
O anúncio do envio para breve de um representante fixo junto do governo de Luanda acontece escassas semanas após a aprovação pelo FMI do acordo "stand by" de 1, 4 mil milhões de dólares norte-americanos para apoio ao equilíbrio da balança de pagamentos angolana e que será concluído em 27 meses.
Este representante terá ainda a função de ligar o FMI e o governo de Luanda no que diz respeito à actividade onde o fundo participa no país, sublinhando Takatoshi Kato, a "determinação" da instituição em "trabalhar com Angola", com destaque para a aplicação das verbas envolvidas no acordo "stand by", aprovado em finais de Novembro mas definido durante uma missão do fundo a Luanda em Agosto.
Sobre o já aplicado sistema opcional do mercado cambial internacional e a aprovação do OGE para 2010, que sublinhou serem duas condições impostas pelo acordo entre Luanda e o FMI, Kato adiantou: "Foi um bom ponto de partida para aquilo que se pretende implementar".
Takatoshi Kato disse ainda acreditar que Angola vai alcançar, em 2010, "um desenvolvimento considerável", justificando com o facto de as receitas fiscais do país dependerem grandemente do sector petrolífero, contrariando o discurso oficial que tem relevado o crescimento do sector não-petrolífero na consolidação da economia angolana tendo em conta o seu crescente contributo para o PIB.
As relações entre Angola e o FMI estiveram, durante largos anos, congeladas, devido a dúvidas levantadas sobre a gestão dos dividendos do petróleo, mas, há cerca de um ano, as partes não têm escondido a vontade de retomar a cooperação, essencialmente depois de Luanda ter, em 2008, normalizado a ligação ao Clube de Paris com garantias de pagamento da dívida.