pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Implicações políticas do processo Casa Pia

A "cabala" para o PS que ainda pode envolver outros partidos

03 de Setembro de 2010 às 00:01

O escândalo da pedofilia na Casa Pia chegou rapidamente ao mundo do espectáculo e da política, com o apresentador Carlos Cruz e o deputado Paulo Pedroso (entretanto ilibado) a serem os rostos maiores da polémica. Naquele Verão quente de 2003 no Largo do Rato, já com o ex-ministro do Trabalho de António Guterres em prisão preventiva, os socialistas começaram a ensaiar a teoria da “cabala” contra o partido. Carlos Cruz promete publicar em breve no seu site todo o processo, assegurando que lá constam nomes “nunca ouvidos”, ligados a outros partidos e que passaram também pelo poder.

DEPUTADO PRESO VIROU INOCENTE

O mais forte “terramoto político” no âmbito deste caso atingiu a Assembleia da República a 21 de Maio de 2003, quando o juiz Rui Teixeira entregou ali um mandato de detenção para o então deputado do PS, Paulo Pedroso. O ex-ministro do Trabalho de António Guterres, “delfim” de Ferro Rodrigues, esteve quase cinco meses em prisão preventiva até ser libertado em Outubro desse ano por não existirem fortes indícios sobre os crimes que lhe eram imputados nem perigo de perturbação do inquérito. Dois carros do PS foram buscá-lo à cadeia e nesse dia houve festa socialista no Parlamento, onde Pedroso só se voltou a sentar como deputado em Setembro de 2008. Em Janeiro deste ano foi revogada a primeira decisão que condenava o Estado a indemnizá-lo em 120 mil euros.

FERRO LANÇA TEORIA DA “CABALA”

A detenção de Pedroso despoletou no PS aquilo que ficou conhecido como a teoria da “cabala”, pela alegada montagem de testemunhos contra o deputado. Nas conversas interceptadas, os dirigentes do PS falavam de um “núcleo sinistro” alegadamente ligado a membros do governo de Durão e aos serviços secretos. O nome do então secretário-geral, Ferro Rodrigues, chegou a ser citado nos documentos que levaram à prisão de Pedroso, levando-o a afirmar que esperava acusações contra si próprio. Em Dezembro de 2007, já depois da saída do cargo, foi ouvido como testemunha.

PRESSÕES DA ‘ENTOURAGE’ SOCIALISTA

Num Verão quente no Largo do Rato, sucederam-se as movimentações de bastidores para pressionar a Justiça, seguindo indicaram as escutas telefónicas ao líder socialista, Ferro Rodrigues, ao então líder parlamentar, António Costa, e a Pedroso. Por exemplo, nestas conversas, divulgadas pela SIC e que o juiz entendeu como uma tentativa de perturbação do inquérito, Costa dizia ao deputado “já fiz o contacto”. Mas a mais célebre das transcrições foi uma outra frase de Ferro: “Tou-me cagando para o segredo de Justiça”. José Sócrates, Mariano Gago e Manuel Alegre também descarregavam a sua fúria, com o agora candidato presidencial a dizer para os investigadores “enfiarem as escutas…”. Notáveis como António Guterres ou Almeida Santos visitaram Pedroso na cadeia.

EX-MINISTROS DO PSD E CDS IMPLICADOS NA IMPRENSA FRANCESA

No Verão de 2004, a revista francesa “Le Point” publica uma reportagem sobre o escândalo e envolve dois ministros do governo de coligação de Durão Barroso: um ligado ao PSD, “católico e muito popular”; outro do CDS, apelidado de “Catherine Deneuve” por alegadamente circular no parque Eduardo VII com uma cabeleira loira. Numa entrevista recente, Carlos Cruz disse que publicará em breve o processo completo, onde constam dez nomes “nunca ouvidos”, ligados a outros partidos e que pertenceram ao Governo. Para o ex-apresentador de TV, o processo foi “propositadamente dirigido” às estruturas superiores do PS.

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.