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Johnson avisa que única alternativa ao seu plano para o Brexit é o "no-deal"

No dia em que chega a Bruxelas o seu plano para o Brexit, o primeiro-ministro britânico garantiu que não haverá qualquer tipo de controlo fronteiriço entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. Boris Johnson garante que a alternativa ao seu plano é um Brexit sem acordo a 31 de outubro.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 02 de Outubro de 2019 às 13:48
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Boris Johnson espera que a União Europeia esteja disponível para um "compromisso" em torno do plano alternativo para o Brexit que o governo conservador fará chegar, ainda esta quarta-feira, 2 de outubro, a Bruxelas. No entanto, o primeiro-ministro britânico afiança que, aconteça o que acontecer, o Reino Unido está "preparado" para sair sem acordo do bloco europeu no dia 31 de outubro.

Num discurso feito esta manhã durante uma conferência do Partido Conservador realizada em Manchester, Johnson desmentiu as notícias de ontem segundo as quais o seu plano para o Brexit incluiria controlos fronteiriços entre a Irlanda (UE) e a Irlanda do Norte (Reino Unido).

"Não teremos, em qualquer circunstância, controlos na ou perto da fronteira na Irlanda do Norte", assegurou o líder dos "tories".


A questão irlandesa configura o maior obstáculo a um Brexit consensualizado entre as partes, com a UE a exigir uma cláusula de salvaguarda (backstop) para evitar a imposição de controlos rígidos na fronteira entre as duas "Irlandas" e os deputados britânicos da ala "hard Brexit", que rejeitam um cenário que poderia deixar indefinidamente o Reino Unido preso às regulamentações comunitárias. Já da parte de Bruxelas, que sempre se mostrou intransigente em não abdicar do backstop, surgem indicações de alguma abertura quanto à possibilidade de ser estabelecido um prazo máximo para esse mecanismo de salvaguarda estar em vigor. 

No entender de Boris Johnson, o backstop previsto no acordo de saída negociado pela ex-primeira-ministra, Theresa May, com os líderes europeus, e por três vezes chumbado na Câmara dos Comuns, é "anti-democrático" e "inconsistente com a soberania do Reino Unido" na medida em que cria um regime distinto para a Irlanda do Norte, colocando em causa a integridade do conjunto do Reino Unido.

Ainda de acordo com o seu plano para a saída do bloco europeu, Johnson promete um Brexit para todo o Reino Unido que, por sua vez, fica com total controlo para, uma vez consumada a saída, definir as respetivas políticas comerciais.

Tecnologia para evitar backstop

O antigo "mayor" de Londres voltou a defender o recurso à tecnologia para assegurar que não são implementados controlos na fronteira irlandesa e defendeu não fazer sentido pensar num cenário de Brexit desordenado devido ao que considera ser sobretudo uma "discussão técnica" que pode ser resolvida com os constantes avanços tecnológicos.

Assim sendo, Johnson defende que a UE deve estar disponível para aceitar o plano alternativo do recém-empossado governo britânico, mostrando a flexibilidade demonstrada pelo próprio primeiro-ministro.

O líder dos conservadores avisa que se Bruxelas não mostrar essa flexibilidade então terá de se preparar para o cenário indesejado de Brexit sem acordo, hipótese para a qual o Reino Unido, garante, está absolutamente preparado.

Já a possibilidade de um novo referendo ficou claramente afastada por Johnson, que não imagina como seria possível "aguentar mais três anos disto".

A Comissão Europeia já revelou que irá "examinar objetivamente" as propostas feitas por Londres, sendo que ainda hoje será realizada nova reunião entre as equipas negociais de ambas as partes e que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, conversará ao telefone com o primeiro-ministro britânico.

Com o Brexit previsto para 31 de outubro, o parlamento britânico aprovou, no mês passado, uma lei que obriga o primeiro-ministro a requerer um novo adiamento da saída do bloco europeu se até dia 19 deste mês não tiver sido alcançado um acordo de saída apoiado pelos deputados britânicos.

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