Morreu Edgar Morin
O filósofo e sociólogo francês morreu esta sexta-feira, aos 104 anos, em Paris.
Edgar Morin nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921, filho único de uma família judia originária de Salónica, na Grécia, e morreu esta sexta-feira, 29 de maio. aos 104 anos.
O Presidente da República, António José Seguro, recebeu com "profunda tristeza" a notícia da morte do filósofo e sociólogo francês, salientando que foi um dos grandes pensadores do século XX e teve uma relação especial com Portugal.
Numa nota publicada no 'site' oficial da Presidência da República, António José Seguro envia condolências à família de Edgar Morin e refere que recebeu com profunda tristeza a notícia da sua morte, considerando que foi "um dos grandes pensadores do século XX e do nosso tempo".
Edgar Morin "viveu e pensou um século que foi o mais violento e o mais transformador da história humana. Quando a Alemanha nazi invadiu a França, em 1940, não hesitou, juntou-se à Resistência e adotou o pseudónimo Morin, nome com que ficaria para sempre conhecido e com que assinou uma obra que atravessou décadas e fronteiras. Pensamento e ação, democracia e liberdade nunca estiveram nele separados", sustenta-se na nota do chefe de Estado.
Investigador do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) de França, Edgar Morin, segundo o Presidente da República, "construiu uma obra de rara amplitude, combinando a complexidade e a reflexão sobre os media e a cultura de massas, a crítica do pensamento simplificador e a pedagogia do futuro".
"A sua obra não se deixou encerrar em nenhuma disciplina. Foi precisamente isso que fez dele uma referência incontornável para gerações de investigadores, professores, políticos e cidadãos em todo o mundo", realça-se na nota de António José Seguro.
O chefe de Estado destaca também que Edgar Morin "escolheu Portugal como um espaço de relação especial".
"Veio pela primeira vez nos anos 60, a convite de António Alçada Baptista e da revista O Tempo e o Modo, e regressou ao longo de várias décadas. Recebeu distinções académicas em universidades portuguesas, apresentou obras e chamou a Portugal um país extraordinário, tão profundas eram as suas ligações ao mundo da língua portuguesa. Portugal reconhece nele um mestre do pensamento e da liberdade", acentua o Presidente da República.
"Até aos seus últimos dias, Edgar Morin manteve-se atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram o seu pensamento", referiu a mulher, Sabah Abouessalam Morin, num comunicado citado pela agência de notícias francesa AFP.
Edgar Morin nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921.
Entre as teses centrais da sua filosofia, Edgar Morin considerava que quanto mais graves eram os riscos de crise, maiores eram as hipóteses de encontrar soluções e apresentava-se como um "optipessimista", explicando: "tenho esperança num contexto de desesperança".
Edgar Nahoum aderiu em 1941 ao Partido Comunista e integrou a Resistência sob o pseudónimo de Morin, apelido que passou a usar como autor. Entrou em rutura com o comunismo em 1959, tendo escrito a obra "Autocrítica", muito dura para o partido francês, as intervenções soviéticas e os erros políticos.
Precursor da "sociologia do presente", interessou-se por fenómenos pouco estudados pela sociologia como o cinema, novas tecnologias ou desporto.
No quinto volume da sua obra-prima, "O Método", escreve: "Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas fragmentam-no, esvaziam-no de vida, de carne, de complexidade e certas ciências consideradas humanas esvaziam mesmo a noção de homem".