Economia Oito em cada 10 portugueses defende políticas públicas para hábitos alimentares saudáveis

Oito em cada 10 portugueses defende políticas públicas para hábitos alimentares saudáveis

Oito em cada 10 portugueses consideram que o Governo deve intervir para promover hábitos alimentares mais saudáveis e a maioria apoia de forma expressiva o alargamento de medidas como a redução de açúcar nalguns alimentos.
Oito em cada 10 portugueses defende políticas públicas para hábitos alimentares saudáveis
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Lusa 04 de setembro de 2019 às 00:20

Segundo o II Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, divulgado esta quarta-feira, o controlo das refeições nas escolas, reduzindo as ofertas menos saudáveis, a promoção da agricultura biológica e a redução do desperdício alimentar são algumas das áreas em que os portugueses defendem a aplicação de políticas públicas.

 

Os sumos, os bolos, chocolates e doces, os molhos, os leites aromatizados, os cereais e as águas aromatizadas estão entre os produtos mais escolhidos para serem também alvo de medidas de taxação no que respeita ao açúcar, embora a grande prioridade sejam os sumos e os produtos típicos de pastelaria tradicionalmente mais associados ao açúcar (bolos, chocolates e doces).

 

De acordo com o estudo, da Missão continente (Grupo Sonae) e Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, a extensão deste tipo de taxas a outros produtos alimentares tem o apoio de quase metade dos inquiridos (47,7%), enquanto 23% se manifestam hesitantes, mas sem recusar a medida.

 

O inquérito indica que apenas três em cada 10 estão contra esta taxa.

 

Quanto à posição sobre a medida já em vigor de aplicação de uma taxa relacionada com o teor de açúcar dos refrigerantes, os níveis de discordância são mais baixos (cerca de 15%), "o que demonstra que os cidadãos desejam uma maior regulação da área alimentar de forma a reduzir o teor de açúcar nos produtos disponibilizados", referem os investigadores.

 

Os portugueses mostram-se bastante abertos à intervenção na alimentação escolar através de políticas públicas e as medidas mais apoiadas são o incentivo à distribuição gratuita de fruta, à confeção de alimentos produzidos com produtos da região, assim como de produtos de agricultura biológica.

 

Defendem igualmente a proibição do uso de plástico descartável nas refeições escolares.

 

A medida que recolhe menor apoio (ainda que se mantenha maioritário -- acima de dois terços das respostas) refere-se à intervenção nas opções de venda em estabelecimentos comerciais no perímetro da escola, nomeadamente a proibição da venda de alimentos pouco saudáveis.

 

Segundo os dados recolhidos, quando questionados sobre quem são os principais responsáveis pela saúde e segurança alimentar, os portugueses atribuem um grande peso ao Estado central, em particular aos Ministérios da Saúde, do Ambiente e da Agricultura, assim como à Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a principal entidade fiscalizadora de segurança alimentar.

 

A investigadora do Instituto de Ciências Sociais Luísa Schmidt, uma das coordenadoras deste estudo, sublinha, em declarações à Lusa, a duplicidade de sentimentos dos portugueses em relação ao Estado: "As pessoas precisam do Estado e têm noção de que é fundamental para elas, mas querem que seja fiável e meritório".

 

A investigadora disse ainda que os dados indicam que os portugueses "estão particularmente atentos a tudo o que são atitudes eticamente menos responsáveis e políticas públicas menos transparentes e efetivas".

 

"Há uma atenção muito grande ao desempenho do Estado e aos agentes políticos e uma crítica implícita muito grande relativamente a um certo de tipo de comportamentos morais e à distância entre governantes e governados", acrescentou.

 

O estudo analisou 1.600 inquéritos a residentes em Portugal, maiores de 18 anos, estratificado por região, género e idade e tem 95% de intervalo de confiança. Decorreu entre 7 de novembro e 13 de dezembro de 2018.

 




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