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Diretora-geral do comércio da UE demite-se após desacordo sobre entendimento com Trump

Sabine Weyand, que ocupava o cargo há sete anos, defendeu que o acordo comercial alcançado entre UE e EUA no verão do ano passado não respeita as regras da OMC. Será substituída a partir de 1 de junho por Ditte Juul Jorgensen, diretora-geral da Energia na Comissão Europeia.

Sabine Weyand encontrava-se no cargo há sete anos.
Sabine Weyand encontrava-se no cargo há sete anos. College of Europe
11:49

A principal responsável pelo comércio da União Europeia (UE) vai deixar o cargo após um desentendimento com superiores sobre o .

Sabine Weyand, diretora-geral do Comércio e da Segurança Económica da Comissão Europeia, que liderou o departamento durante sete anos, contradisse publicamente a opinião dos seus superiores de que o acordo assinado por Ursula Von der Leyen e Donald Trump no ano passado na Escócia era compatível com as regras do comércio mundial.

Nos termos do acordo alcançado entre a maior economia mundial e os 27 - -, a UE concordou em , reduzindo simultaneamente a zero as suas taxas sobre a maioria dos bens norte-americanos importados pelo bloco.

Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, tem defendido repetidamente que o acordo está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e resumiu que se tratava do primeiro passo para um entendimento de comércio livre mais abrangente entre as duas potências, cita o jornal britânico.

Mas Weyand contradisse a compatriota alemã, e num discurso ao Parlamento Europeu em setembro disse que o acordo não “cumpria as condições [da OMC]”. “Se fôssemos aos EUA e disséssemos ‘concordam connosco que o objetivo é transformar isto num acordo de comércio livre totalmente compatível com a OMC?’, penso que a resposta seria um sonoro não”, acrescentou nessa altura.

Mais tarde, num evento público decorrido ainda no ano passado, Weyand defendeu que a UE hesitou em retaliar contra as tarifas unilaterais de Trump devido ao receio de que o republicano deixasse de defender a Europa e a Ucrânia contra a Rússia. “A parte europeia estava sob enorme pressão para encontrar uma solução rápida que estabilizasse as relações transatlânticas — especialmente no que diz respeito às garantias de segurança”, afirmou.

Um alto funcionário da UE negou qualquer desentendimento entre Weyand e von Der Leyen: “Ela  [Weyand] teve sete anos impressionantes à frente da direção-geral do Comércio. Nos últimos meses, . É um momento lógico para seguir em frente”, revelou o responsável ao FT.

Weyand será substituída a partir de 1 de junho por Ditte Juul Jorgensen, outra responsável experiente em comércio que atualmente lidera o departamento da energia, informou a Comissão.

Karl von Falkenberg, antigo vice-diretor-geral para o Comércio na Comissão Europeia, disse ao FT que a relação entre Weyand e Maros Sefcovic - comissário responsável pela pasta do Comércio na UE - estava “completamente rompida”. Von Falkenberg alinhou-se ainda com Weyand e explicou que “a ideia de um acordo de comércio livre em que um lado aumenta as tarifas e o outro as reduz é um disparate.”

Sabine Weyand, formada em Cambridge, ganhou destaque depois de ter assumido o papel de negociadora-chave no acordo de saída do Reino Unido da UE (Brexit).

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