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Os passos de uma greve marcada por SMS

Os protesto em Maputo, capital de Moçambique, descrito pelo professor universitário Carlos Serra.

01 de Setembro de 2010 às 11:31

A caminho de Chimoio esta manhã, o jornalista Francisco Carmona do semanário "Savana" observou Maputo, escreveu um texto e enviou-mo com a seguinte redacção: "A cidade de Maputo acordou hoje tímida, receando uma greve convocada nesta terça-feira via sms. Às 5 horas [mais uma hora do que em Lisboa] a cidade e arredores estavam povoadas de agentes policiais. A PRM colocou estrategicamente em pontos com alta concentração populacional brigadas policiais altamente equipadas. Na Junta, local de onde partem os transportadores que fazem ligações interprovinciais, um carro blindado da Força de Intervenção Rápida e polícia canina, desencorajam qualquer tentativa de manifestação. O cenário era idêntico nos bairros de Jardim, Inhagóia, 25 de Junho, Benfica, Mahlazine e Magoanine, este último é o local onde se acredita que se iniciou a revolta de Fevereiro de 2008."

"Enquanto isso, o "Notícias" online de hoje tem uma notícia com o seguinte enorme título: "Não foi autorizada qualquer manifestação - alerta a Polícia, que apela à calma e tranquilidade perante eventuais tentativas de alteração da ordem pública".

Adenda às 7h25 locais [8h25 em Lisboa]: há dificuldades de circulação em algumas áreas de Maputo, pneus queimados, parece que se ouvem tiros aqui e acolá.

Adenda 2 às 7h53: com voz calma, um representante do Governo esforçou-se no programa "Café da manhã" da Rádio Moçambique (7h30/8h00) por mostrar que o governo tudo tem feito para evitar que o preço do pão (mais caro a partir do dia 6, estável desde 2008) fique mais oneroso, por exemplo através de isenções fiscais no tocante ao trigo importado, no estímulo ao plantio interno de trigo e às experiências de substituição de trigo por outros cereais ou tubérculos (no caso da mandioca). Ouvintes do programa enviaram mensagens queixando-se da carestia de vida e lamentando a subida do preço do pão, "alimento do pobre", escreveu um deles. O representante apelou aos ouvintes para procurarem substituir o pão por outros produtos, por exemplo pela batata doce.

Adenda 3 às 7h29: pelos relatos que me vão chegando de vários pontos da cidade (Avenida de Moçambique, por exemplo), penso que esta é uma situação que vai exigir muito bom senso e grande prudência na gestão.

Adenda 4 às 9h28: creio que a situação é, agora, grave. A STV transmite imagens da Avenida Acordos de Lusaca. A polícia tenta impedir a generalização dos tumultos e das tentativas de assalto. Os problemas estão, agora também, dentro da cidade de Maputo.

Adenda 5 às 9h34: problemas na Avenida de Moçambique.

Adenda 5 às 9h35: Rádio Moçambique com programa recreativo, depois de música um jornalista fala com as pessoas em reportagem de rua, perguntando se dormiram bem, o que vão comer, se as crianças estudam bem, se há alegria, etc. Uma senhora entrevistada diz que a vida está dificíl.

Adenda 6 às 9:40: na Avenida Acordos de Lusaca e não obstante os tiros da polícia, cerca de 100 jovens bloquearam a estrada espalhando lixo e cantando "um povo unido jamais será vencido".

Adenda 7 às 9:42: um blindado nas ruas de Quelimane, muitos agentes da Força de Intervenção Rápida fortemente armados nas ruas - acaba de me informa um jornalista sedeado em Quelimane.

Adenda 8 às 9:43: muitos tiros ouvem-se a partir da Coop, a Avenida Joaquim Chissano e o prolongamento da Julius Nyerere estão fechados. Forte aparato policial, pneus a arder, muito fumo negro. Relato de um armazém da Saseka destruído.

Adenda 9 às 10:04: no seu noticiário das 10, a Rádio Moçambique deu conta de um texto de "Notícias" (aqui já referido, recorde segunda parte do cabeçalho desta postagem) no sentido de que nenhuma manifestação de protesto foi solicitada e autorizada. Citou ainda um porta-voz dos transportes semi-colectivos (vulgo chapas) dizendo que eles estarão operacionais.

Adenda 10 às 10:05: tiroteio no prolongamento da Avenida Vladimir Lenin.

Adenda 11 às 10:09: a STV continua no ar dando conta do que se está a passar na cidade, com pessoas telefonando e contando o que está a acontecer, como, há momentos, no Bairro da Mafalala. A TVM está agora também a reportar. Situação muito complexa na Avenida de Angola.

Adenda 12 às 10:12: o economista João Mosca e o sociólogo João Carlos Colaço comentam a situação na STV. Este último acaba de afirmar que ninguém do governo aparece para falar ou acalmar as pessoas.

Adenda 13 às 10:16: o banco BCI encerrou os seus serviços na baixa, afixando no exterior do edifício um cartaz com os seguintes dizeres: "Por motivo da greve estamos encerrados". Isto foi mostrado pela STV, a qual continua a cobrir o que se passa através dos seus correspondentes e dos telespectadores.

Adenda 14 às 10:20: situação tensa no prolongamento da Avenida Julius Nyerere, a cerca de 100 metros da Praça da OMM, uma pessoa baleada, a polícia em dificuldades, pedras são arremessadas por todos os lados.

Adenda 15 às 10:29: em imagens da STV, pessoas afluem à Ponte Cais para tentarem chegar à Matola de barco, dado que as estradas estão interrompidas e os chapas não circulam. O Bisbo Sengulane acabou de pedir às pessoas que evitem a violência, pois, asseverou, esta só traz mais pobreza.

Adenda 16 às 10:39: entrevistado ao telefone pela STV, o coronel na reserva Sérgio Vieira em Tete disse que estamos perante actos de vandalismo (usou este termo várias vezes) e de oportunismo (pelo menos uma vez usou o termo "multidões"), que Maputo não pode ficar refém disso, que as forças de ordem devem intervir para pôr cobro à situação.

Adenda 17 às 10:44: contentores de produtos de estrangeiros africanos estão a ser atacadas nos bairros T3 (Matola), Benfica e Magoanine (periferia da cidade de Maputo). Roubo de alimentos, busca de dinheiro.Escola Secundária “Armando Emílio Guebuza”, na cidade de Maputo.

denda 18 às 10:51: atacada a Escola Secundária Armando Emílio Guebuza, carteiras pilhadas.

Adenda 19 às 10:59: imagens pela STV - dois jovens mortos na Avenida Acordos de Lusaca, dezenas de jovens irados, à volta, gritando "Justiça" e "Queremos justiça".

Adenda 20 às 11:10: na STV intervieram via telefónica Alice Mavota (crítica da carestia de vida e das tentativas para esconde isso) e Mia Couto (crítico dos apologistas oficiais do tudo está bem, lamentando a ausência enquadradora dos sindicatos e sugerindo diálogo sério; o escritor afirmou estar cercado em casa). Eu fui também convidado a intervir, mas estou com um forte ataque de asma, tusso muito.

Adenda 21 às 11:22: Deviz Simango, presidente do MDM, na STV, acaba de afirmar que é necessário diálogo com pessoas organizadas, dos sindicatos, mas que os trabalhadores perderam a confiança nos sindicatos, que estes não actuam.

Adenda 22 às 11:30: ainda na STV, Brazão Mazula disse que o custo de vida é "alto" (sic), e "a população tem uma lógica, o governo tem outra", mas que no meio há uma coisa chamada globalização, que faz ditar preços de produtos e torna o nosso governo refém disso.

Adenda 23 às 11:35: comentando na TVM, o jurista Carlos Jeque tem-se esforçado por mostrar que este tipo de manifestações não conduzem a lado algum e só causam estragos.

Adenda 24 às 11:39: leia o "O País" aqui.

Adenda 25 às 11:45: desculpem, preciso parar um pouco até me sentir melhor da asma. Até já.

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