Passos Coelho sugere que Governo vá a votos caso oposição chumbe reformas como a da lei laboral
O ex-primeiro-ministro desafiou o Executivo a abrir "a mesa negocial a outras reformas", deixando depois aos partidos a decisão se "querem apoiar ou se não querem apoiar". Caso chumbem as propostas de reforma, "o Governo tem aqui um ponto importante para se dirigir ao eleitorado e para pedir mais força para as concretizar", referiu.
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O antigo primeiro-ministro Passos Coelho, numa conferência organizada pela SEDES e pela AEP no Porto, abordou esta terça-feira o aparente impasse na reforma laboral, desafiando o Governo a abrir "a mesa negocial a outras reformas".
"Os partidos no parlamento que decidam. Se querem apoiar ou se não querem apoiar. E se não quiserem apoiar e chumbarem as propostas de reforma, o Governo tem aqui um ponto importante para se dirigir ao eleitorado e para pedir mais força para as concretizar, a menos que o Governo ache que não tem apoio na sociedade portuguesa para estas reformas", afirmou.
O antigo primeiro-ministro sublinhou que "ser julgado por não ter conseguido o que se pretendia é uma conta, ser julgado por nem sequer tentar fazer é outra".
"As pessoas estão exaustas dos políticos que não querem decidir nada, que só querem administrar o cidadão contribuinte a cada eleição, a cada ano", disse.
Por isso, afirmou que gostaria de ver o Governo do seu partido, o PSD, a seguir o caminho reformista.
"Mas se não fosse o meu partido, que fosse outro, que fizesse também. Porque quando está em causa o país, nós gostamos que os governos se saiam bem, se forem do nosso partido melhor que ficamos com orgulho", afirmou.
O antigo primeiro-ministro insistiu ainda que "a competência na administração é mais importante do que a confiança política" e disse ter convidado para ministros "pessoas que quase não conhecia do ponto de vista pessoal".
"Não eram meus amigos. Não andaram nas reuniões comigo lá no PSD", afirmou.
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