Ásia encerra dividida com apetite pela IA intacto. Petróleo regista ligeira descida
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
Petróleo regista ligeira descida após maior subida em um mês devido a impasse entre os EUA e Irão
Os preços do petróleo estão a negociar nesta terça-feira com desvalorizações pouco expressivas, depois de terem registado na sessão de ontem a maior subida em cerca de um mês.
O Brent – de referência para a Europa –, recua 0,64%, para os 94,37 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cede 0,71%, para os 91,48 dólares por barril.
A incerteza em relação às negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão aumentou o risco de que o fluxo de energia proveniente do golfo Pérsico pudesse ser restringido por mais tempo, depois de ontem o Irão ter ameaçado suspender as negociações indiretas com Washington após novos ataques de Israel no Líbano.
Ainda assim, o petróleo acabu por reverter parte dos ganhos depois de o Presidente Donald Trump ter afirmado que as negociações continuavam de pé. O líder norte-americano disse que um memorando de entendimento com o Irão para reabrir o estreito de Ormuz poderia ser assinado na próxima semana, de acordo com uma conversa telefónica que teve com a ABC News. Washington ainda tinha “de resolver mais alguns pontos” antes de assinar um acordo, afirmou o republicano, citado pela Bloomberg.
A falta de clareza sobre o potencial prolongar do atual cessar-fogo entre Teerão e Washington tem abalado os preços do petróleo, que caíram no mês passado devido ao otimismo de que um acordo poderia ser alcançado. A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim referiu também que Teerão e aliados regionais do regime - como os grupos armados Hezbollah e Hamas - colocaram na agenda o encerramento total de Ormuz, bem como do estreito de Bab al-Mandab, na extremidade sul do Mar Vermelho — uma alternativa crítica para as exportações de petróleo de alguns países da região, como a Arábia Saudita.
“Enquanto o tráfego pelo estreito de Ormuz não se normalizar totalmente e o processo de negociação entre os EUA e o Irão continuar incerto, é provável que os preços do petróleo se mantenham elevados e voláteis”, disse à Bloomberg Linh Tran, da XS.com em Ho Chi Minh, no Vietname.
Para aumentar a confusão sentida pelos “traders”, Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresentaram versões divergentes sobre uma conversa telefónica relativa aos combates no Líbano. Um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Telavive e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, deverá ser alargado para incluir a totalidade do território libanês - e não só Beirute -, com mais negociações a decorrerem na terça e na quarta-feira, afirmou a presidência libanesa numa publicação.
Ásia encerra dividida com apetite pela IA intacto. Tencent dispara quase 10%
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão desta terça-feira divididos entre ganhos e perdas, numa sessão em que as valorizações voltaram a ser impulsionadas por cotadas ligadas à área da inteligência artificial (IA), que beneficiaram do anúncio de que a Anthropic já apresentou um pedido confidencial para entrar em bolsa, à medida que os investidores continuam a seguir de perto os novos desenvolvimentos em torno da guerra no Médio Oriente.
Por Taiwan, o TWSE ganhou 0,48%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong somou 2,04%, enquanto o Shanghai Composite subiu 0,48%. Na Coreia do Sul, o Kospi cedeu 0,19%. Já quanto ao Japão, o Nikkei recuou 0,43% e o Topix perdeu de 0,54%.
A apoiar o sentimento dos investidores esteve, também, uma queda dos preços do petróleo, com o Brent a registar agora perdas de cerca de 1%, para perto de 94 dólares por barril.
Isto após os preços do crude terem registado ganhos na sessão de segunda-feira, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, terem apresentado versões divergentes sobre uma chamada telefónica entre os dois líderes relativa aos combates israelitas no Líbano. As versões contraditórias acrescentaram uma nova camada de incerteza nos mercados, ainda que Trump tenha mais tarde dito que as negociações com o Irão continuavam de pé, dando algum alívio aos investidores.
“O comércio de IA não está quebrado, mas após uma recuperação tão prolongada, tornou-se extremamente sensível a qualquer notícia que possa reacender a reação em cadeia petróleo-inflação-rendimentos da qual o mercado passou três meses a tentar escapar”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime. O entusiasmo sem paralelo pelo comércio de IA tem vindo a impulsionar as ações globais para máximos históricos, compensando a volatilidade do mercado causada pelas tensões no Médio Oriente.
E embora os investidores ainda antecipem que um acordo entre os EUA e o Irão poderá vir a ser alcançado, as condições frágeis no estreito de Ormuz mantêm os preços da energia no centro das atenções como um fator-chave para as perspetivas de curto prazo em relação à inflação e às taxas de juro no arranque de um mês que contará com novas decisões de vários bancos centrais.
Entre os movimentos do mercado, a tecnológica chinesa Tencent Holdings disparou quase 10%. Já a tecnológica taiwanesa Foxconn ganhou mais de 2%, num dia em que anunciou uma parceria estratégica com a empresa francesa Bull para desenvolver infraestruturas de IA e computação na nuvem destinadas ao mercado global a partir da Europa.