Economia Católica: Portugal cresceu 1,3% no último trimestre de 2013

Católica: Portugal cresceu 1,3% no último trimestre de 2013

Núcleo de estudos de conjuntura assinala a interrupção de “11 trimestres de crescimentos homólogos negativos” e revê em alta a previsão de crescimento para 2014.
Católica: Portugal cresceu 1,3% no último trimestre de 2013
Miguel Baltazar/Negócios
João Cândido da Silva 22 de janeiro de 2014 às 14:08

A economia portuguesa terá crescido 1,3% durante o último trimestre de 2013, em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com a estimativa avançada pelo núcleo de estudos de conjuntura da economia portuguesa (NECEP) da Universidade Católica. O mesmo documento calcula que a variação em relação ao terceiro trimestre terá sido de 0,3%.

 

A Universidade Católica sublinha que este desempenho interrompe “11 trimestres de crescimentos homólogos negativos” e foi suportado pela “recuperação da procura interna, incluindo o investimento”, além de reflectir um processo de consolidação orçamental em 2013 “inferior ao previsto no início do ano”. Com base nestas estimativas, o NECEP, dirigido pelo economista João Borges de Assunção, prevê que a quebra média anual do produto interno bruto de Portugal terá sido de 1,5%, enquanto a taxa de desemprego terá ficado, também em termos médios, em 16,4%, com um valor de 15,9% no final do ano passado.

 

As novas projecções para 2014 revelam que os economistas do NECEP estão agora mais optimistas. O organismo antecipa um crescimento de 0,8% contra uma previsão anterior que apontava para a estagnação. “A dinâmica da economia portuguesa é agora consistente com uma recuperação económica que será, porém, parcialmente travada pelo ajustamento orçamental previsto para 2014”, adianta o documento da Universidade Católica.

 

Sobre o comportamento da economia em 2014, o NECEP refere, ainda, que “há incerteza associada à conclusão dos primeiros três anos do programa de ajustamento no final do primeiro semestre com consequências a nível da viabilidade do financiamento autónomo do Estado, bem como a nível do custo desse financiamento”. E “persiste, ainda, a incerteza sobre a dimensão efetiva do ajustamento orçamental em 2014 e a do seu impacto no crescimento de curto prazo”.

 

Apesar destes avisos e da identificação das incertezas que rodeiam a conjuntura, o NECEP termina com um tom positivo. “Pela primeira vez, o NECEP vislumbra a possibilidade de recuperação cíclica invulgarmente robusta resultante também da invulgar dimensão negativa do hiato do produto. Do lado externo, os riscos resultam da gradual eliminação dos estímulos monetários nos EUA ao longo de 2014, da sua repercussão na política monetária na zona euro, e da incerteza sobre a condução do processo da União Bancária na UE ao longo deste ano”.

 

O NECEP adianta, também, a primeira previsão para 2015, com a perspectiva de uma taxa de crescimento de 1,4%, ponto central de um intervalo que admite uma progressão de 0,3% no pior cenário e um avanço de 2,5% na melhor das hipóteses. O gabinete alerta que esta projecção apresenta dificuldades ligadas à “velocidade, dimensão e persistência da recuperação cíclica e o seu condicionamento às restrições de endividamento e financiamento que limitam a economia portuguesa”.

 




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