Economia Portugueses são os que mais defendem subida de impostos para os ricos

Portugueses são os que mais defendem subida de impostos para os ricos

A OCDE quis conhecer as preocupações dos povos e os seus pontos de vista sobre as políticas sociais e os resultados são muito claros. A maioria está insatisfeita, quer mais apoios públicos e, surpresa, está disposta a pagar mais por isso.
Portugueses são os que mais defendem subida de impostos para os ricos
Manuel Esteves 19 de março de 2019 às 22:10
Os portugueses destacam-se no conjunto dos países da OCDE na defesa de impostos mais pesados sobre os ricos. Segundo um relatório divulgado na terça-feira por esta organização internacional, cerca de 80% dos portugueses concordam que o Estado tribute mais os ricos de modo a que possa reforçar o apoio aos pobres.

Esta posição é maioritária em todos os 21 países avaliados pela OCDE, mas os portugueses destacam-se como os mais entusiastas, seguidos de perto pelos gregos, alemães e eslovenos. No extremo oposto, estão a Estónia e a Polónia. À pergunta "deve o governo taxar os ricos mais do que atualmente de modo a apoiar os pobres", só pouco mais de 10% dos portugueses responderam que não (os restantes 10% mostram-se indecisos).

Neste relatório (Risks that mater), a OCDE procura fazer um retrato das preocupações dos cidadãos e dos seus pontos de vista e expectativas sobre as políticas sociais seguidas pelos respetivos Estado.

Uma das conclusões a que chegou é que não parece haver nenhuma relação entre o desejo de maior redistribuição de rendimentos (na defesa de medidas como a maior taxação dos ricos) e a desigualdade nos países. "O estudo não encontra muita evidência de que os inquiridos dos países mais desiguais queiram mais políticas redistributivas", corroborando, segundo os autores do relatórios, outros estudos que tiraram conclusões idênticas.

Do mesmo modo, também não parece haver relação entre as políticas públicas (mais redistributivas ou menos redistributivas) e a opinião dos cidadãos. É isso que explica que no topo do ranking dos defensores de maior tributação sobre os ricos estejam países como Portugal, Grécia e Alemanha, com fortes políticas redistributivas, e países como o Chile, onde o Estado pouco se empenha na redistribuição de rendimentos.

Insatisfeitos, querem mais e estão dispostos a pagar
Em linhas muito gerais, existe um sentimento transversal de insatisfação com os apoios sociais concedidos pelos Estados. Compreensivelmente, o descontentamento é maior nos países onde se investe menos em políticas públicas, mas dentro de cada país existe também uma maior sensibilidade dos grupos sociais mais vulneráveis, em particular os idosos, as mulheres e os desempregados.
Dado a insatisfação, é sem surpresa que a OCDE constata que os cidadãos reclamam em geral mais intervenção do Estado nas políticas sociais (mesmo em países como a França ou a Dinamarca, onde o Estado social é especialmente forte). Portugal é o quarto país onde há mais pessoas a pedir um gasto público maior nesta matéria (quase 90%).

As áreas onde são apontadas mais carências são os cuidados de saúde e as pensões de reforma, havendo uma predisposição para pagar impostos para ter mais apoios do Estado nestas vertentes.

Portugal destaca-se uma vez mais neste aspeto, sendo o segundo país onde as pessoas mais se mostram recetivas a aumentos de impostos para financiar mais despesa social (à frente só aparece a Irlanda). Segundo os resultados do inquérito da OCDE, 49% dos portugueses ficariam contente em pagar mais 2% de impostos em troca de melhores cuidados de saúde do Estado.




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