Petróleo inverte tendência e perde terreno. "Benchmark" europeu arranca 2026 em recordes
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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"Benchmark" europeu arranca 2026 em recordes e paira perto dos 600 pontos. "Tech" e defesa impulsionam
As bolsas europeias começam 2026 com recordes, com as principais praças pintadas de verde e os investidores animados com o crescimento robusto da economia da região e com o apetite pelo risco a voltar a tomar conta do sentimento de mercado. O índice de referência para o bloco terminou 2025 com uma valorização de 17%, a maior desde 2021. Para este ano, os analistas consultados pela Bloomberg esperam mais ganhos, impulsionados pelos gastos orçamentais na Alemanha e as metas de investimento em defesa da União Europeia.
O índice de referência para a Europa, o Stoxx 600, bateu um novo recorde ao avançar 0,67% para 596,14 pontos, pairando perto da barreira psicológica dos 600 pontos, impulsionado pelos setores da defesa, petróleo e gás, tecnológicas e automóvel, que subiram entre os 1% e os 2%. O "benchmark" está há três semanas a registar ganhos.
Entre as principais praças da Europa Ocidental, o alemão DAX subiu 0,2%, o espanhol Ibex pulou 1,07%, o francês CAC-40 ganhou 0,56%, o britânico FTSE 100 ganhou 0,2%, tendo ao longo da sessão tocado nos 10.000 pontos pela primeira vez. Já o italiano FTSEMIB somou quase 1% e o neerlandês AEX disparou 1,71%.
Entre as ações com maior movimentação, a sueca Munters Group escalou 12,45%, numa altura em que recebe uma onda de encomendas de equipamentos vindas dos EUA destinadas aos centros de dados.
Já a ASML disparou 8,75%, elevando o subsetor da defesa, numa altura em que os investidores seguem atentos aos desenvolvimentos com o acordo de paz na Ucrânia.
A Orsted saltou 4,62%, isto depois de a dinamarquesa de energias renováveis ter interposto uma ação judicial contra a administração de Donald Trump por causa da decisão de suspender o Revolution Wind, um projeto de energia eólica produzida com torres instaladas no mar (off-shore). A Orsted anunciou, em comunicado, que vai pedir uma providência cautelar contra a decisão administrativa dos EUA.
"A Europa, na sua maioria, manteve os ganhos. Não há muitas notícias específicas, mas, em geral, isso indica que o ímpeto e o otimismo em relação às ações europeias continuam, o que é um bom sinal. Certamente é um começo de ano muito melhor", disse Steve Sosnick, analista-chefe de mercado da Interactive Brokers, à Reuters.
Juros da dívida da Zona Euro disparam no arranque de 2026
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro estrearam 2026 com agravamentos em toda a linha, com os investidores a preferirem vender obrigações e comprar ações, isto depois de as bolsas europeias terem terminado a sessão no verde.
Os juros das "Bunds" alemãs com maturidade a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravaram-se em 4,5 pontos-base para 2,898%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade avançaram 4,8 pontos para 3,609% e, em Itália, os juros somaram 6,6 pontos para os 3,611%.
Pela Península Ibérica, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas e espanholas a dez anos a agravarem-se em 5,2 pontos-base para 3,194% e 3,336%, respetivamente.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, dispararam 6,1 pontos base, para 4,535%.
Dólar estável na primeira sessão do ano antes de mais dados económicos
O dólar norte-ameriano negoceia de forma estável esta tarde, oscilando entre pequenos ganhos e perdas, depois de no ano passado ter enfrentado dificuldades com as tarifas dos EUA e a política monetária do país.
O próximo catalisador da "nota verde" chegará na próxima semana, com mais dados económicos da maior economia do mundo agendados. O foco estará sobretudo naqueles que vão medir o pulso ao mercado de trabalho norte-americano, como as novas vagas de emprego, publicados na quarta-feira, os pedidos de subsídios de desemprego na quinta-feira e a taxa de desemprego, na sexta-feira.
Esta sexta-feira, o euro perde 0,01% para 1,1745 dólares e, face à divisa nipónica, a "nota verde" cede 0,08% para 156,63 ienes. Já o índice do dólar da DXY recua 0,07% para 98,258 pontos. Os mercados do Japão e da China estão fechados esta sexta-feira, resultando num baixo volume de negociações.
As preocupações com o défice orçamental dos EUA, a guerra comercial mundial e a incerteza quanto à independência da Reserva Federal afetaram o dólar, e é provável que esses problemas persistam até 2026, acreditam os analistas consultados pela Reuters.
Os investidores também estarão de olho na escolha do presidente dos EUA, Donald Trump, para ser o próximo presidente da Fed, já que o mandato do atual presidente, Jerome Powell, termina em maio. Trump indicou que vai anunciar a sua escolha ainda este mês, e tudo indica que será alguém que defenda mais cortes nas taxas de juros - aliado às ideias do Presidente, que tem tecido fortes críticas às decisões de Powell.
O mercado aponta para dois cortes nas taxas de juro este ano, em comparação com o único projetado pelo Conselho da Fed, que está dividido.
"Esperamos que as preocupações em torno da independência dos bancos centrais se estendam até 2026 e vemos a próxima mudança na liderança da Fed como um dos vários motivos pelos quais os riscos em torno da nossa previsão para as taxas de juro tendam a ser mais moderadas", disseram estrategas do Goldman Sachs, citados pela Reuters.
Investidores apostam no ouro contra risco geopolítico
Os preços do ouro estão a ganhar terreno no arranque do ano, estendendo os ganhos de 64% que acumularam no ano passado, numa altura em que o mercado se volta a concentrar na perspetiva de corte de juros por parte da Reserva Federal dos EUA na reunião deste mês, bem como nos conflitos geopolíticos, que aumentam o apelo por ativos-refúgio, como o metal amarelo.
A onça de ouro sobe esta tarde 0,57% para 4.343,98 dólares.
A procura continua alta, numa altura em que o conflito entre os EUA e a Venezuela aumenta. A Casa Branca aplicou novas sanções aos petroleiros venezuelanos, levando a que Nicolás Maduro se mostre agora pronto para negociar com a maior economia do mundo em relação a petróleo, tráfico de droga e acordos económicos.
Além disso, os EUA anunciaram que poderão intervir nos conflitos no Irão, caso o país entre "a matar" contra manifestantes, que acusam o Governo de Teerão de lidar de forma errada com uma forte queda da moeda nacional e uma escalada dos preços.
O mercado aguarda ainda por desenvolvimentos sobre o acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, depois de Zelensky ter dito que os 10% que faltam para acordo de paz vão definir "destino da Europa".
"Os metais preciosos começaram 2026 com uma nota firmemente positiva. Após uns dias de tomadas de mais-valias, os investidores otimistas parecem estar a fortalecer as suas carteiras contra o risco geopolítico e as expectativas de taxas de juros mais baixas nos EUA este ano", disse Lukman Otunuga, analista de pesquisa da FXTM, à Reuters.
Os analistas do UBS apontam para que o metal alcance os 5.000 dólares por onça este ano, impulsionados pelos mesmo fatores que o levaram a sucessivos recordes em 2025: compras dos bancos centrais, juros mais baixos nos EUA e incerteza em torno das políticas de Donald Trump.
Já a prata ganha 0,48% para 72 dólares por onça, isto depois de ter atingido máximos históricos de 83,62 dólares na segunda-feira, tendo acabado o ano com os melhores ganhos de sempre: 147%.
Petróleo em queda antes do encontro da OPEP+
Os preços do petróleo estão em queda esta tarde, contrariando a tendência registada na manhã, numa altura em que os investidores voltam a focar-se na perspetiva de excesso de oferta de crude ao longo deste ano, ao mesmo tempo que acompanham os desenvolvimentos da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, bem como das sanções dos EUA às exportações venezuelanas.
O West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 1,22% para os 56,72 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – cede 1,18% para os 60,12 dólares por barril.
No contexto geopolítico, a Ucrânia tem intensificado os ataques a refinarias russas, levantando novas preocupações quanto ao abastecimento de "ouro negro" no mundo. Além disso, os dois países têm trocado acusações quanto a ataques na noite de Ano Novo, apesar das negociações para um acordo de paz continuarem, intermediadas pelos EUA.
Já os EUA aplicaram mais sanções a petroleiros da Venezuela. Esta sexta-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que está pronto para discutir assuntos relacionados com tráfico de droga, petróleo e acordos económicos com a Casa Branca, evitando confirmar a realização de um alegado ataque norte-americano em solo venezuelano.
A Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) reúne este domingo. O encontro deverá centrar as atenções dos investidores, já que o cartel tem anunciado sucessivos aumentos de produção. No entanto, tudo aponta para que o grupo se decida por uma pausa no primeiro trimestre de 2026.
"2026 será um ano importante para avaliar as decisões da OPEP+ sobre o equilíbrio da oferta", disse à Reuters June Goh, analista da Sparta Commodities, acrescentando que a China deverá continuar a aumentar os "stocks" de crude nos primeiros três meses do ano, estabelecendo um preço mínimo para o petróleo.
"Antecipamos um ano relativamente tranquilo para os preços do petróleo (Brent), oscilando em torno dos 60 e 65 dólares por barril", disse Suvro Sarkar, analista de energia do DBS.
Wall Street arranca 2026 no verde e com melhoria do apetite pelo risco
O novo ano começa com sentimento positivo para Wall Street. As bolsas norte-americanas arrancaram a primeira sessão do ano no verde, depois de os últimos dias de negociação de 2025 não terem sido favoráveis para as ações.
No entanto, os analistas apelam à cautela. "Não devemos extrapolar muito, pois o primeiro dia de negociação tem sido um indicador extremamente falhado nos últimos tempos sobre como o resto do ano se desenrolará", disseram analistas do Deutsche Bank, numa nota citada pela Reuters, destacando ainda que, nos últimos três anos, o S&P 500 começou com uma primeira sessão negativa, mas terminou com ganhos anuais de dois dígitos.
A trajetória da política monetária do banco central dos EUA, a Reserva Federal, vai definir o tom dos mercados globais neste novo ano, após os dados económicos mais recentes e as expectativas de um novo presidente da Fed, com uma postura mais flexível, levarem os investidores a anteciparem novas reduções de juros.
Esta sexta-feira, o S&P 500 salta 0,42% para 6.874,40 pontos, o Nasdaq Composite sobe 0,9% para 23.456,58 pontos e o industrial Dow Jones perde ligeiramente, 0,09% para 48.018,72 pontos. Em 2025, os três índices acumularam ganhos de dois dígitos: o "benchmark" somou 16,39%, o Dow Jones subiu 12,97% e o tecnológico Nasdaq ganhou 20,36%.
As ações de grande capitalização estão a estabilizar: a Nvidia pula 2,5%, a Broadcom soma 2,66%%.
Já as ações da Baidu, listadas nos EUA, disparam 9,35%, depois de a gigante chinesa ter anunciado que a unidade de chips de inteligência artificial, a Kunlunxin, protocolou, de forma confidencial, um pedido de listagem na bolsa de valores de Hong Kong esta sexta-feira.
No setor da saúde, as ações da Ironwood Pharmaceuticals escalam mais de 60% após a farmacêutica ter dito que prevê uma subida nas receitas este ano.
O mercado vai agora focar-se na divulgação da versão final do levantamento da atividade económica da S&P Global, prevista para o final do dia.
O volume de negociações deverá continuar muito menor do que o normal, já que muitos "traders" só regressam ao trabalho na segunda-feira.
Taxa Euribor sobe a três e a 12 meses e desce a seis meses
A taxa Euribor subiu esta sexta-feira a três e a 12 meses e desceu a seis meses em relação a quarta-feira, depois de ter terminado dezembro com a média mensal a subir de novo nos três prazos.
Em relação à média mensal da Euribor de dezembro, esta voltou a subir a três, a seis e a 12 meses, mas de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses. A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%.
Com as alterações desta sexta, a taxa a três meses, que avançou para 2,029%, permaneceu abaixo das taxas a seis (2,105%) e a 12 meses (2,245%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou, ao ser fixada em 2,105%, menos 0,002 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a outubro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,5% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,75% e 25,25%, respetivamente.
Em sentido contrário, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor subiu, para 2,245%, mais 0,002 pontos do que na quarta-feira.
A Euribor a três meses também avançou, para 2,029%, mais 0,003 pontos do que na quarta-feira.
Na reunião de 18 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras, de novo, pela quarta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 04 e 05 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa arranca 2026 com um novo máximo histórico
As principais praças europeias atingiram um novo máximo histórico na primeira sessão de 2026, com as ações de defesa a darem grande impulso à região, isto depois de terem terminado o ano passado com o melhor desempenho desde 2021.
A esta hora, o Stoxx 600 acelera 0,62% para 595,87 pontos, tendo chegado a tocar, pela primeira vez na história, nos 597,21 pontos. Além da defesa, também o setor mineiro e o energético estão a dar força às ações europeias, com o primeiro a beneficiar de um "rally" nos preços dos metais preciosos, que recentemente deram novos máximos históricos ao ouro, platina e prata.
No ano passado, o "benchmark" europeu valorizou mais de 17%. As ações da região conseguiram recuperar da turbulência causada pela guerra comercial de Donald Trump, Presidente dos EUA, bem como do "sell-off" causado pelos receios em torno de uma possível bolha na inteligência artificial (IA).
"Enquanto a grande incógnita nos EUA é o destino das ações de IA, na Europa, os gastos públicos em infraestruturas na Alemanha e em defesa em todo o continente devem impulsionar o crescimento e os mercados de ações", explica Joachim Klement, estratega da Panmure Liberum, à Bloomberg.
Entre as principais movimentações de mercado, a Munters Group dispara 8,84% para 187,10 coroas suecas, depois de a empresa ter ganhado um contrato avaliado em 2,1 mil milhões de coroas suecas (cerca de 190 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) para a construção de equipamento para um centro de dados.
Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX sobe 0,52%, o espanhol IBEX 35 avança 0,36%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,60%, o francês CAC-40 ganha 0,51% e o neerlandês AEX acelera 1,53%. Já o britânico FTSE 100 salta 0,68% e ultrapassa, pela primeira vez, a marca dos 10 mil pontos, isto depois de no ano passado ter valorizado mais de 20% e conquistado um melhor desempenho do que os principais índices de Wall Street.
Juros chegam ao Ano Novo com agravamentos. Espanha lidera subidas
Os juros das dívidas soberanas dos países da Zona Euro estão a agravar-se na primeira sessão do ano, num dia em que os investidores estão a preferir o risco das ações em detrimento da segurança das obrigações da região.
Os juros das "Bunds" alemãs com maturidade a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravam-se em 1,5 pontos-base para 2,868%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade avança 1,2 pontos para 3,573%. Em Itália, os juros somam 3,1 pontos para os 3,576%.
Pela Península Ibérica, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a agravar-se em 1,6 pontos-base para 3,158% e a das espanholas a subir 1,9 pontos para 3,304%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, crescem 1 ponto base, para 4,484%, num dia em que vai ser conhecida a leitura final dos índices dos gestores de compras (PMI) da S&P Global Manufacturing, referentes ao mês de dezembro. As estimativas apontam para uma grande expansão na atividade económica, a maior desde setembro de 2024.
Dólar com arranque tímido de 2026 após maior queda em oito anos
O dólar norte-americano está a arrancar 2026 de forma tímida, com ganhos pouco avultados contra a maioria dos seus principais concorrentes, depois de ter registado um ano de grandes perdas. Os receios em torno de um possível défice nas contas públicas dos EUA, aliados a uma guerra comercial e a cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed), acabaram por exercer pressão sobre a "nota verde", que viveu o pior ano desde 2017.
A esta hora, o euro recua 0,08% para 1,1737 dólares, conseguindo segurar as valorizações superiores a 13% do ano passado, enquanto a libra acelera 0,08% para 1,3466 dólares, depois de ter ganhado quase 8% em 2025. "Já vimos o pico da supremacia do dólar", atira Kyle Rodda, analista de mercados da Capital.com, à Reuters, que, apesar de tudo, acredita que o "declínio foi exagerado" e que "a força relativa da economia dos EUA fará com que a moeda recupere este ano".
Mesmo assim, o dólar deve continuar a enfrentar pressão vinda da Fed, agora que os investidores antecipam dois cortes de 25 pontos-base nas taxas de juro por parte do banco central e a independência da entidade monetária é posta em causa por parte de Donald Trump. O Presidente dos EUA ainda não anunciou quem irá substituir Jerome Powell nas rédeas do banco central, mas espera-se que seja um nome muito mais "dovish", após críticas de que a Fed não flexibilizou a política monetária de forma suficiente.
Já o iene, que foi a grande exceção de 2025 ao não conseguir acelerar mais de 1% face ao dólar, recua 0,15% esta manhã, com cada dólar a valer 156,98 ienes. A divisa nipónica está a negociar em mínimos de dez meses e as subidas nas taxas de juro por parte do Banco do Japão pouco têm feito para dar força à moeda, com os investidores a anteciparem uma intervenção por parte do supervisor.
Metais preciosos aceleram após ano de ganhos sem precedentes
Os metais preciosos chegaram a 2026 com mais um "rally" nos preços, após ganhos sem precedentes em 2025, numa altura em que o aumento das tensões geopolíticas mundiais dá força ao prémio de risco e os investidores continuam a ver a Reserva Federal (Fed) norte-americana a cortar nas taxas de juro este ano.
A esta hora, o ouro ganha 1,38% para 4.378,80 dólares por onça, aproximando-se dos máximos históricos de 4.549,71 dólares que atingiu a 26 de dezembro. Por sua vez, a prata acelera 3,6% para 73,79 dólares e a platina ganha 2,5% para 2.104,10 dólares - ambas bastante próximas de valores recorde. Estes últimos dois metais preciosos registaram o melhor ano de sempre em 2025, com ganhos de três dígitos.
"Os metais preciosos estão a começar 2026 de forma muito semelhante ao seu desempenho em 2025, ou seja, com um impulso ascendente", explica Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, à Reuters. "Parecem estar a compensar as vendas do final do ano passado, com as pressões de ajuste de posições a diminuírem", acrescenta.
Os investidores antecipam, agora, dois cortes de 25 pontos-base nas taxas de juro por parte da Fed em 2026, apesar de, na semana passada, os pedidos de subsídio de desemprego terem caído inesperadamente em 16 mil pedidos. Os economistas ouvidos pela Reuters antecipavam um crescimento de 222 mil pedidos.
Petróleo no verde após pior perda anual desde 2020
O barril de petróleo arrancou 2026 em terreno positivo, depois de ter registado o pior ano desde o início da pandemia da covid-19. Os preços do crude estão a ser impulsionados por um aumento das tensões geopolíticas a nível mundial, depois de um ataque ucraniano a infraestrutura energética russa ter levantado de novo receios de disrupções no abastecimento da matéria-prima.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,82% para os 57,89 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – soma 0,79% para os 61,33 dólares por barril. Os dois contratos registaram perdas anuais de quase 20% no ano passado, numa altura em que os investidores avaliam um possível excedente no mercado já em 2026.
"Neste momento, estamos à espera de um ano bastante monótono para os preços do petróleo (Brent), com oscilações entre os 60 e os 65 dólares por barril", antecipa Suvro Sarkar, analista de energia do DBS, à Reuters. "O primeiro trimestre será fundamentalmente fraco; o recrudescimento das tensões geopolíticas está apenas a registar-se como um pequeno solavanco nos mercados petrolíferos e a impulsionar algumas recuperações de curto prazo, mas é improvável que provoque movimentos significativos", explica.
Na quinta-feira, a Rússia e a Ucrânia trocaram acusações entre si em relação a alegados ataques contra civis no dia de Ano Novo. Kiev teve ainda a infraestrutura energética russa na mira, numa tentativa de cortar a principal fonte de financiamento de Moscovo para a guerra. Isto tudo acontece numa altura em que continuam as negociação para a paz na Ucrânia, mediadas pelos EUA.
Ainda em foco estão as novas sanções introduzidas por Donald Trump, Presidente norte-americano, contra o petróleo venezuelano. Washington continua determinado a aumentar a pressão sobre o regime de Nicolas Maduro, isto depois de já ter aumentado a presença militar dos EUA perto da Venezuela e ter atacado várias embarcações venezuelanas acusadas de transportar droga.
Maduro que diz-se pronto para dialogar com os EUA, inclusive sobre petróleo. "O Governo dos Estados Unidos sabe disso, porque já dissemos a muitos dos seus porta-vozes: se quiserem discutir seriamente um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos. Se quiserem petróleo da Venezuela, a Venezuela está pronta para os investimentos americanos, como aconteceu com a Chevron, quando quiserem, onde quiserem e como quiserem", afirmou em entrevista emitida na estação televisiva pública VTV na quinta-feira à noite.
Ásia diz "olá" a 2026 em terreno positivo. Europa aponta para quedas
A primeira sessão de 2026 chega com movimentos contraditórios. Enquanto, na Ásia, o setor tecnológico, nomeadamente as ações ligadas à inteligência artficial (IA), deram à região o melhor arranque de ano em mais de uma década, a negociação de futuros na Europa aponta para uma abertura em queda, com o Euro Stoxx 50 a recuar 0,4%.
O MSCI Asia Pacific Index - índice que agrega uma série de empresas da região - cresceu 1,1% esta segunda-feira, o melhor resultado desde 2012. Os ganhos seguem-se a um 2025 que foi bastante positivo para as ações mundiais, apesar da turbulência registada com a política comercial de Donald Trump e com as preocupações em torno de uma possível bolha em torno da IA.
“O que estamos a ver hoje é uma continuação da tendência altista nas ações, com a IA e a tecnologia novamente na vanguarda”, explica Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade. “Os investidores ainda estão em clima de compra, com muitos dos temas otimistas de 2025 a estenderem-se para 2026", afiança.
Pela China, o Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite encerraram a sessão de segunda-feira em alta, com o primeiro a conseguir acelerar 2,52% e o segundo a ganhar apenas 0,1%. O índice de Hong Kong foi animado pela entrada em bolsa da Shanghai Biren, uma fabricante de semicondutores chinesa, com as ações a dispararem 70%, após um IPO avaliado em 5,58 mil milhões de dólares de Hong Kong (cerca de 610 milhões de euros, ao câmbio atual).
Já pela Coreia do Sul, um dos mercados mais rentáveis de 2025, o Kospi saltou mais de 2% e atingiu um novo máximo histórico. Uma das grandes responsáveis pelo impulso foi a Samsung, que disparou mais de 7% para um novo valor recorde, isto depois das memórias HBM (High Bandwidth Memory) de nova geração terem sido muito bem recebidas pelos consumidores.
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