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Prejuízos em Leiria podem chegar aos 800 milhões. Autarca deixa críticas ao Governo

O presidente da Câmara de Leiria acusou o Governo de ter atirado para as autarquias as vistorias das candidaturas à reconstrução de habitações na sequência do mau tempo sem questionar se aquelas tinham condições.

Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria Paulo Cunha / Lusa - EPA
07:25

O Município de Leiria recebeu apenas cinco milhões de euros em dinheiro desde que a depressão Kristin atingiu o concelho, há praticamente um mês, valor proveniente de uma companhia de seguros, afirmou à agência Lusa o seu presidente.

"O único apoio que recebemos, monetário, foi cinco milhões de euros [ME], que foi um adiantamento da companhia de seguros com quem trabalhamos. De resto, de dinheiro, não recebi mais nenhum", disse Gonçalo Lopes.

No passado dia 18, a Câmara de Leiria estimou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin àquela data ascendiam a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta. "Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto", disse nesse dia Gonçalo Lopes.

Numa entrevista à agência Lusa, quando passa um mês desde que a depressão Kristin provocou avultados danos no concelho, Gonçalo Lopes antecipou um aumento do montante, elencando o impacto na habitação, na economia, em viaturas, na floresta e noutras áreas.

No caso da habitação, admitiu que os prejuízos possam ultrapassar os 100 milhões e, no âmbito das empresas, o valor "poderá chegar aproximadamente aos 700 milhões de euros".

Por contabilizar estão diversas situações, como o número de viaturas afetadas ou o prejuízo na área florestal, sendo que, neste caso, "representa um prejuízo imediato económico, sim, e a seguir um prejuízo muito grave do ponto de vista ambiental", realçou.

"Este é o cenário que faz com que rapidamente se consiga aumentar esse valor dos 800 milhões de euros", salientou.

Reiterando que o Produto Interno Bruto do concelho "anda na ordem dos dois mil milhões de euros por ano, um dia parado anda à volta dos 5,6 ME que não se produz", o autarca recordou que, durante uma semana, Leiria teve "praticamente 100% de atividade económica parada".

"Portanto, foi um país e uma região que ficaram mais pobres", destacou, para enumerar outro património que não municipal afetado, desde espaços religiosos a associações.

Críticas ao Governo

O presidente da Câmara de Leiria acusou o Governo de ter atirado para as autarquias as vistorias das candidaturas à reconstrução de habitações na sequência do mau tempo sem questionar se aquelas tinham condições.

"Fomos atirados para a linha da frente para a resolução de um problema sem nos terem perguntado se tínhamos condições, nem ter negociado connosco como é que havia de ser feito. As pessoas foram a correr fazer os seus pedidos, porque precisam de dinheiro, e agora eu não consigo analisar com a rapidez que o Governo disse que tinha de ser analisado. Se queriam analisar com essa velocidade, tinham ficado com essa responsabilidade", afirmou Gonçalo Lopes.

Por outro lado, o autarca adiantou que "os formulários de submissão estão a ser sistematicamente alterados, as exigências todos os dias são mudadas", dando o exemplo da declaração de não dívida. "Pedem que o processo não seja burocrático e estão a torná-lo burocrático, o que faz com que as câmaras tenham mais trabalho", criticou.

Segundo Gonçalo Lopes, o Município de Leiria "tem atualmente 30% dos pedidos de toda esta região, de todo o espaço afetado, que são seis mil candidaturas", e tem 10 pessoas no Urbanismo. O autarca explicou ter contactado peritos e empresas de peritagem para trabalharem para a Câmara, sem sucesso, porque estão a trabalhar para os seguros, e contactou também seguradoras a perguntar se podiam dispensar peritos. Sem sucesso, igualmente.

"Mais uma vez, ficou-nos nos braços um problema. Mas não foi um problema negociado, foi imposto", sustentou.

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