"Tenho perfeita consciência de que a decisão do Tribunal valerá pouco"
O administrador da PT afirmou hoje que apesar de os tribunais terem decidido que o Sol "está impedido de publicar, por qualquer forma", conversas telefónicas em que tenha participado e que constem do processo Face Oculta, tem a consciência que esta decisão "valerá pouco". Rui Pedro Soares diz que irá provar que as histórias publicadas no Sol são "manipulações".
O administrador da PT afirmou hoje que apesar de os tribunais terem decidido que o Sol "está impedido de publicar, por qualquer forma", conversas telefónicas em que tenha participado e que constem do processo Face Oculta, tem a consciência que esta decisão “valerá pouco”. Rui Pedro Soares diz que irá provar que as histórias publicadas no Sol são manipulações.
Em comunicado enviado à agência Lusa, Rui Pedro Soares garante que a decisão foi tomada por "um Tribunal Civil Português, numa providência cautelar" que impede o jornal de "distribuir e vender edições do Sol que contenham essas conversas e facultá-las a quem quer que seja".
O administrador da PT afirma esperar, "porventura em vão", que o jornal Sol cumpra a providência cautelar, em que invocou "a violação das regras legais que tutelam o segredo de Justiça".
"Tenho perfeita consciência de que a decisão de um Tribunal valerá pouco ou nada para muitos, nomeadamente os que, nos últimos dias, têm tentado branquear as violações da lei perpetradas pelo Sol", afirma Rui Pedro Soares.
Rui Pedro Soares afirma também que as "histórias" publicadas pelo Sol, "como se provará pelos meios e no momento adequado, são manipulações".
"Enquanto cidadão, não posso compactuar com as graves violações de normas essenciais do Estado de Direito", acrescenta, acusando o semanário de ter apresentado na semana passada um texto "truncado e manipulado".
Argumentando que os tribunais "decidiram que a actuação do Sol viola as leis deste Estado de Direito", Rui Pedro Soares justificou a providência cautelar com a necessidade de "defender a honra e o bom nome", a sua "vida pessoal e familiar" e o "segredo profissional" a que está obrigado como administrador da PT.
"Os tribunais continuarão a falar no futuro", adverte Rui Pedro Soares, afirmando que a Justiça "demonstrará quem cumpre e quem viola a lei".
Na sexta feira, o semanário Sol transcreveu extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor jurídico da PT, e Rui Pedro Soares.
No âmbito deste processo, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP.
Nas escutas feitas durante a investigação, foram interceptadas conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro, José Sócrates, tendo o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, considerado que o seu conteúdo não tinha relevância criminal.
Por seu turno, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, considerou que as escutas não eram válidas, já que envolviam a figura do primeiro ministro e o juiz de instrução não tinha competências para as autorizar.
Mais lidas