Ouro perde terreno com dólar mais forte e "traders" menos otimistas sobre cortes de juros
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Ouro perde terreno com dólar mais forte e "traders" menos otimistas sobre cortes de juros
O ouro está a perder terreno nesta segunda-feira, à medida que uma escalada dos preços do crude, na sequência do fracasso das negociações entre Washington e o Irão, segue a alimentar os receios de uma subida da inflação, o que está a levar os “traders” a atenuar as expectativas de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o ouro recua 0,39%, para os 4.731,250 dólares por onça, já depois de ter atingido mínimos de cerca de uma semana nos 4.643 dólares por onça no arranque da sessão. No que toca à prata, o metal precioso perde 1,67%, para os 74,609 dólares por onça.
O metal amarelo já caiu mais de 11% desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão começou, a 28 de fevereiro. Embora a inflação e os riscos geopolíticos normalmente aumentem o apelo do ouro enquanto ativo-refúgio, taxas diretoras mais elevadas pesam sobre o metal, que não rende juros.
Nesta linha, os "traders" consideram agora que há poucas hipóteses de um corte das taxas de juro nos EUA este ano, uma vez que os preços mais elevados da energia ameaçam alimentar uma inflação mais generalizada e limitar a flexibilização monetária. Antes do início da guerra no Médio Oriente, havia expectativas de dois cortes das taxas de juro pela Reserva Federal ao longo deste ano.
Um dólar mais forte também está a pressionar a procura por ouro, já que o metal se torna mais caro para detentores de outras divisas.
Ásia fecha no vermelho com incerteza sobre rumo do conflito no Médio Oriente
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão no vermelho, com o sentimento dos investidores a ser pressionado por uma nova escalada do crude, depois de os Estados Unidos (EUA) e o Irão não terem alcançado um acordo nas negociações deste fim de semana em Islamabad. Dado o falhanço das conversações, Donald Trump, Presidente norte-americano, ordenou o bloqueio do estreito de Ormuz, adicionando uma nova camada de incerteza sobre o futuro do conflito no Médio Oriente.
Pelo Japão, o Topix caiu 0,47%. O Nikkei seguiu a mesma tendência e perdeu 0,81%. Já por Taiwan, o TWSE avançou 0,11%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi desvalorizou 0,99%. No que toca à China, o Hang seng de Hong Kong caiu 1,17% e o Shanghai Composite recuou 0,0055%.
A Samsung Electronics (-2,43%) e a TSMC (-0,50%) estiveram entre as empresas que mais contribuíram para a descida dos índices. Isto num dia em que o preço do petróleo voltou a disparar devido a receios de que a medida dos EUA de bloquear o estreito de Ormuz a partir das 15 horas de Portugal Continental, possa agravar o corte do fluxo de energia através da importante via.
“Isto é muito perigoso porque, neste momento, estamos a transformar um conflito regional num conflito potencialmente global”, referiu à Bloomberg Jorge Montepeque, da Onyx Capital Group.
E com alguns navios a transportar petróleo com destino à China, “irá a Marinha dos EUA bloquear esses navios, provocando assim uma crise nas relações entre os EUA e a China?”, questionou Michael Ratney, antigo embaixador dos EUA na Arábia Saudita. Em março, o Irão continuava a exportar petróleo através do golfo Pérsico, sendo a China o principal destino, embora os fluxos tenham diminuído em relação ao mês anterior, de acordo com estimativas preliminares compiladas pela Bloomberg.
Também o colapso das negociações de paz com o Irão durante o fim de semana suscita preocupações quanto a um conflito prolongado. “Pensamos que o risco de conflito continuará a dominar, pelo que os preços do petróleo permanecerão mais elevados durante mais tempo, os preços das matérias-primas também permanecerão mais elevados durante mais tempo, e isso causará um pouco de inflação”, disse à agência de notícias financeiras Isaac Thong, da Aberdeen Investments. Ainda assim, “continuamos otimistas em relação aos semicondutores e aos setores impulsionados pela IA”, acrescentou.
Os índices de referência em Taiwan e na China oscilaram no dia seguinte à maior economia da Ásia ter anunciado medidas políticas para demonstrar “boa vontade” para com a ilha no domingo, na sequência de uma reunião histórica entre o Presidente Xi Jinping e a líder da oposição de Taiwan, Cheng Li-wun.