Rehn: "Progressos" de Portugal são "encorajadores" e "motivo de regozijo"
Comissário europeu repetiu no Parlamento que "Portugal está no bom caminho" e que tem que manter o ritmo das reformas estruturais, tendo destacado o sector energético.
“Gostaria de vos dizer que esse é um sentimento amplamente partilhado pelos ministros das Finanças da Zona Euro”, afirmou Rehn aos deputados portugueses, onde está esta manhã, depois de já ter reunido com o Presidente da República e com o Governador do Banco de Portugal.
Reconheceu que resolver a crise em Portugal “requer um esforço por parte da população portuguesa”, tal como está a acontecer noutros países, bem como a adopção de mais medidas por parte da Europa.
O comissário europeu destacou que as “reformas ao nível do mercado de trabalho têm vindo a evoluir em prol da competitividade e criação de emprego e estão bem encaminhadas”. Assinalou também que as “condições de investimento estão a “melhorar”, existem “sinais encorajadores” e as políticas adoptadas “começam a produzir resultados e a dar frutos”.
Entre eles citou a “redução do desequilíbrio externo mais rápido que o esperado”, com as exportações a ganharem terreno e as importações a baixarem.
Olli Rehn concluiu que Portugal está no “bom caminho”, dando por isso aos parabéns ao Governo português e também ao Parlamento, que “tem demonstrado grande responsabilidade no apoio legislativo” às medidas do programa de ajustamento e deverá continuar nesse sentido.
Energia entre os desafios
Depois de assinalar o que está a correr bem, Rehn destacou que Portugal enfrenta ainda muitos desafios pela frente, destacando a actividade do sector financeiro e a necessidade de se garantir que o crédito a empresas viáveis continua a ser concedido.
“O ajustamento não está ainda totalmente cumprido. É preciso ir mais longe”, afirmou o comissário, reiterando ser essencial continuar com as reformas estruturais, pois esse é o “caminho a seguir” para fomentar o crescimento e a criação de emprego.
O comissário deixou também um alerta para a necessidade de serem tomadas medidas para “encontrar soluções para as tarifas do sector eléctrico” e baixar as rendas pagas ao sector. Nesta área, Rehn pediu ao Parlamento que apoie o desenvolvimento das reformas na energia, “com vista a criar maior dinamismo ao país e evitar sobrecustos para outros sectores de actividade”, bem como reduzir também as tarifas para os consumidores.
Rehn destacou que o programa de ajustamento de Portugal “protege os mais desfavorecidos”.
Nas conclusões ao seu discurso inicial, o comissário repetiu que a “implementação do programa de ajustamento está bem encaminhado” e que os sinais dados nos últimos nove meses têm sido “encorajadores”.
O “empenho e o consenso devem ser mantidos, para que sejam bem sucedidos”, referiu Rehn, dizendo estar “ciente dos sacrifícios inerentes a estas medidas” do programa de ajustamento
Neste âmbito, o comissário citou um poema de Fernando Pessoa, para ilustrar que espera que Portugal chegue a bom porto.
“A Europa está ao lado de Portugal e a Comissão Europeia está disponível para estar ao vosso lado, para vos ajudar”, finalizou.