Ucrânia: Ministério da Defesa diz que foi restabelecido funcionamento do Starlink
O Ministério da Defesa ucraniano continua a tentar esclarecer todas as razões e circunstâncias que envolvem as restrições impostas na véspera, indicou a fonte.
A ligação dos terminais da Starlink utilizados pelo Exército ucraniano foi restabelecida e continua operacional, indicou uma fonte do Ministério da Defesa aos órgãos de comunicação ucranianos Kyiv Independent e Ukrainska Pravda.
A fonte não esclareceu, contudo, se os terminais da tecnologia de satélite da empresa SpaceX, propriedade do magnata norte-americano Elon Musk, voltaram a funcionar sem a limitação de velocidade de 160 quilómetros por hora, que entrou em vigor na madrugada de quarta-feira.
O Ministério da Defesa ucraniano continua a tentar esclarecer todas as razões e circunstâncias que envolvem as restrições impostas na véspera, indicou a fonte.
Na rede social X Elon Musk afirmou que os pacotes de tecnologia Starlink destinados às Forças Armadas, comercializados sob o nome StarShield, não dependem diretamente da empresa, mas sim do Governo dos Estados Unidos.
"Qualquer limitação na velocidade ou na utilização é decidida pelo Exército dos Estados Unidos e, em última instância, pelo Presidente dos Estados Unidos", Donald Trump, escreveu Musk, antes de voltar a instar, numa mensagem posterior, à saída do poder do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, responsabilizando-o pela continuação da "carnificina" da guerra.
Nas suas últimas aparições públicas, o líder ucraniano denunciou que a SpaceX tinha restringido a velocidade de operação dos seus terminais, o que afetava gravemente as capacidades ofensivas de médio alcance e os drones intercetores utilizados pela Ucrânia para abater drones russos equipados com motores a jato.
Nas últimas horas, Musk apoiou as críticas feitas pelo seu aliado Trump a Zelensky, bem como os apelos, também emitidos pelo Presidente norte-americano, para uma mudança de liderança na Ucrânia.
"É óbvio que a Rússia escolheu deliberadamente aumentar a intensidade dos seus ataques após o abrandamento das sanções contra ela, e face às tentativas de pressão sobre a Ucrânia", afirmou Zelensky, referindo-se ao acordo assinado entre o inquilino da Casa Branca e o Presidente russo, Vladimir Putin, que permitirá à Rússia exportar milhões de toneladas de gasóleo.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014, alvos militares, logísticos e petrolíferos utilizadas para sustentar a ofensiva russa.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.