Alemanha ameaça secretismo suíço ponderando compra de dados roubados

A Chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou ontem que poderá comprar dados roubados por funcionários de bancos suíços depois de os franceses terem adquirido dados a um funcionário do HSBC em Génova. Ao mesmo tempo negoceia-se a colaboração da Suiça em em processos judiciais nos dois países.
Hugo Paula 02 de Fevereiro de 2010 às 08:11

“Isto é uma espécie de guerra de negócios contra a Suiça, em que prácticas que eram completamente ilegais se tornaram aceitáveis”, disse o fundador da firma suíça especializada em lei bancária e fraude, Fischer & Parner, Daniel Fischer à Bloomberg. “É um enorme perigo para a Suiça”.

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O facto de França e Alemanha estarem dispostas a pagar por dados roubados está a gerar tensões entre os dois países e a Suiça, numa altura em que o país helvético negoceia a colaboração com processos fiscais. O governo suíço disse na semana passada que vai apresentar um anteprojecto de lei, em que bloqueia a colaboração com Estados que estejam envolvidos com casos de roubo de dados.

A utilização destes dados pela Alemanha seria contra-produtivo, no que diz respeito a futuras negociações e o governo alemão não deveria deter dados roubados, disse a Associação de Banqueiros Suíça num comunicado emitida a 30 de Janeiro.

Uma pessoa ofereceu-se, sob anonimato, para vender dados relativos a 1.300 detentores de contas bancárias na Suiça, à Alemanha, por 2,5 milhões de euros, segundo reportou ontem o Financial Times Deutschland e é hoje citado pela Bloomberg. Segundo o jornal, a informação vem do HSBC em Génova, enquanto o jornal Handelsblatt disse que essa mesma informação foi retirada de contas do banco UBS.

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“O que é novo é o preço pago pelos estados pelas listas, que tornam mais atractivo” o roubo de dados pelos funcionários, disse a sócia-gerente do banco privado Lombard Odier, Anne-Marie Weck à Bloomberg. Na segurança bancária, “o factor mais importante é humano”, disse a responsável à imprensa.

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